Marvel’s Spider-Man | Review

Uma carta de amor para o personagem e seus fãs

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Marvel’s Spider-Man | Review

Historicamente falando, jogos de super-heróis não são bons, na grande maioria das vezes. O Homem-Aranha, por exemplo, já sofreu bastante com isso ao longo dos anos. Como qualquer outro fã, me perguntava quando receberíamos algo que fizesse jus ao personagem, mas agora posso dizer, aliviado, que a espera finalmente acabou, graças a Marvel’s Spider-Man.

O novo jogo da Insomniac Games superou minhas expectativas, que já eram altas, e se provou uma das experiências mais fiéis ao personagem já feitas — o que só me deixou mais feliz como um fã de longa data, dando a mesma sensação que os quadrinhos clássicos do herói me deram tantos anos atrás.

Quem não quer ser o Homem-Aranha?

O incrível…

Sinto que preciso falar logo do elefante na sala: balançar com teias por Nova York. Este é, provavelmente, um dos elementos mais aguardados pelos fãs, não só porque é uma das principais características do herói, mas também porque a mecânica teve seu auge em 2004, no jogo Spider-Man 2, para PS2, Xbox e GameCube — título conhecido justamente pela fluidez com a qual viajávamos pela cidade (e por outros elementos mais infames).

Fico feliz em dizer que a mecânica está ainda melhor no novo jogo. Fica óbvio que a Insominiac pesquisou o que tornava o balanço de teia tão prazeroso no antigo título, mas não tentou copiar. Em vez disso, a desenvolvedora se preocupou em deixar o sistema o mais versátil possível, para que fosse útil em termos de jogabilidade, mas garantindo que ainda fosse divertido.

Existe uma forma de se transportar rapidamente para certos pontos da cidade, que rendem algumas cenas bem engraçadas do Cabeça de Teia no metrô de Nova York, mas parei de usar assim que elas começaram a se repetir. Primeiro porque não é demorado ir de uma ponta a outra de Manhattan. Segundo porque é muito gostoso ficar balançando por aí — qualquer desculpa para fazer isso era o suficiente para mim.

Posso fazer isso o dia inteiro!

O balanço de teia é só um dos vários elementos do Amigão da Vizinhança que foi muito bem capturado pela Insomniac Games. Um outro bom exemplo é o herói em si, em todos os sentidos: sua filosofia, suas ideias, sua forma de agir e pensar, seu azar, sua personalidade, seus movimentos e sua história.

Peter Parker é uma pessoa que entende que tem uma responsabilidade e, assim como nos quadrinhos, sua missão é salvar todas as vidas, não importa de quem seja: da pessoa que mais ama ou do mais perigoso dos vilões.

Mesmo nas lutas mais comuns, caso um vilão caia de um prédio, existe uma animação padrão que os impede de morrer. Parece um detalhe bobo, mas esta é uma característica fundamental do personagem: todo mundo tem direito de viver. No jogo, isso é relevante tanto para a imersão do gameplay quanto para a trama.

Aliás, a história tem todos os elementos que se espera de uma boa trama do Teioso. A dualidade que existe entre a vida pessoal de Peter e sua identidade de Homem-Aranha é justamente o que tornou o herói famoso, quando surgiu nos anos 60. No jogo, como acontece nos quadrinhos, estes dois lados de sua vida estão em constante conflito e ele precisa frequentemente decidir entre fazer a coisa certa e consertar sua vida pessoal.

A vida é difícil, Peter.

É aí que se encontra a magia do enredo. Embora seja inspirado em diversas obras do Homem-Aranha ao longo de suas quase seis décadas de história, o jogo segue uma trama própria. A Insomniac conseguiu fazer uma versão fiel ao herói, mantendo os personagens e relacionamentos familiares para os fãs, mas, ainda assim, preparou diversas surpresas que fazem jus ao legado do Escalador de Paredes. Falar mais do que isso já é entrar na zona de spoilers.

O espetacular…

Um elemento que vale o destaque é o visual, principalmente da expressão facial dos personagens, que são muito boas. Isso, aliado ao fato de que todos eles são bastante críveis e bem desenvolvidos, só torna a narrativa ainda melhor.

Os gráficos, em geral, são excelentes, reproduzindo uma cidade lotada de pessoas, carros e referências de locais reais ou fictícios do universo Marvel. Tudo isso sem quedas perceptíveis na taxa de quadros, tornando as viagens pela cidade ainda mais agradáveis.

Uma cidade bastante viva!

Essa imersão, infelizmente, tem um sério problema na versão brasileira do jogo. A dublagem é bastante competente e conta com algumas vozes bem famosas, mas a localização do roteiro é um problema sério, por um simples motivo: todos os nomes estão em inglês. Então não é o Homem-Aranha, o Abutre, o Rei do Crime… Mas sim o Spider-Man, o Vulture e o Kingpin, o que é bastante chato. O fato de que não existe opção de alterar o idioma da dublagem e da legenda (só alterando o idioma do console) só piora a situação.

Apesar de isso estragar um pouco a jornada, a trama e a jogabilidade são boas o suficiente para suprimir o problema. Ser o Homem-Aranha balançando com a teia é divertido, como já exaltei no começo, mas lutar e resolver os problemas da cidade não fica para trás.

As batalhas funcionam de um jeito parecido com os jogos da série Batman: Arkham, embora eu não sinta que o sistema de combo seja tão fluido. Isso não é necessariamente ruim, já que, para lutar como o Homem-Aranha, é necessário realizar comandos e acrobacias diferentes. Felizmente, com o tempo podemos desbloquear diversas habilidades e dispositivos, que equilibram as coisas e deixam tudo mais divertido e variado.

Cai dentro, mané!

Outro elemento muito legal são os diferentes uniformes que podemos desbloquear conforme progredimos no jogo e que podem ser equipados a qualquer momento. Cada um deles dá uma habilidade especial, o que muda a maneira como você aborda os combates. O legal é que depois também é possível combinar qualquer poder com o traje que quiser, sem a necessidade de ficar preso a um visual ou habilidade específica.

Mudar o visual é particularmente divertido para dar uma variada na hora de fazer as diversas atividades paralelas, seja coletar itens ou invadir bases inimigas. Infelizmente, estas missões não são muito variadas e a maioria fica marcada no mapa, tornando tudo muito fácil e, às vezes, até um pouco chato.

Dito isso, senti que faltou conteúdo: a experiência completa leva cerca de 20 horas, incluindo as missões paralelas. O fato de o jogo ser curto e de não ter muita variedade nas atividades opcionais é ruim em si, mas jogar é muito prazeroso e toda a experiência deixou um gostinho de “quero mais”. Só posso esperar por DLCs de qualidade e por uma possível sequência.

Homem-Aranha!

Este é, definitivamente, o jogo que todo fã esperava há muitos anos. Aliás, não é nenhum exagero dizer que este deve ser o melhor título do Cabeça de Teia já feito. Mesmo com alguns defeitos, ele entrega uma experiência sólida, com mecânicas divertidas e uma trama interessante que explora os melhores aspectos do personagem.

É fácil notar a quantidade de pesquisa e esforço por parte da Insomniac Games para garantir que este novo Homem-Aranha fosse fiel ao que conhecemos dos quadrinhos — um feito que a desenvolvedora conseguiu não apenas no lado narrativo, como também na jogabilidade. Um sucesso que, espero eu, a Sony esteja interessada em repetir no futuro com uma eventual continuação. Dedos cruzados.


Marvel’s Spider-Man será lançado em 7 de setembro, exclusivamente para PlayStation 4. Este review foi feito com uma cópia do jogo cedida pela Sony e jogada no modelo tradicional do console.

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