Mario Strikers: Battle League | Review

Jogo é ótimo para fãs de Mario e de futebol, mas não se sustenta no modo de um jogador

Marco Rigobelli Publicado por Marco Rigobelli
Mario Strikers: Battle League | Review

O encanador e multiatleta Mario e toda a sua turma estão de volta em mais um jogo da série de futebol com os personagens da Nintendo. A empresa segue atualizando spin-offs no Switch e acrescenta mais um ótimo jogo para festas ou para jogar com amigos, mas que ainda não se justifica por completo. Isso porque Mario Strikers: Battle League parece impecável, ainda que acessível, em suas mecânicas e no próprio jogo, mas não se sustenta no modo de um jogador.

O game se posiciona em um gênero que tem muitos representantes – o arcade de futebol – mas em que nenhum se destaca, seja por falta de divulgação ou de qualidade. Jogos esses que não são exclusividade dos dispositivos móveis ou de ports escondidos na Steam. Mesmo a e-shop do Switch é repleta de jogos de futebol que não querem ser simulação, indo de games mais simples, a partidas de futebol táticas. Então esse, já há algum tempo, não é um terreno desbravado apenas pela Nintendo. Mas o que falta nos outros, sobra aqui: qualidade técnica e carisma.

Mesmo o melhor desses títulos não entrega os personagens que a Nintendo tem para colocar em qualquer jogo de esporte antecedido pelo nome Mario – e mesmo o melhor deles também não vai conseguir alcançá-la em qualidade técnica e de produção. O futebol com poderes é um dos jogos mais bonitos que já vi no Switch, e também um dos mais bem acabados, mesmo parecendo muito vazio (falarei mais sobre isso à frente).

Jogando bonito

Imagem de Mario Strikers: Battle League
Equipe vencedora em Mario Strikers: Battle League

Jogos de futebol são os responsáveis pelo meu primeiro contato com videogames. Joguei o primeiro FIFA, lançado em 1993. Meu Nintendinho quase derreteu de tanto que joguei Ultimate League Soccer. Winning Eleven foi uma das minhas séries favoritas durante a adolescência e não há uma edição de Football Manager desde 2014 que eu não tenha jogado pelo menos mil e quinhentas horas. Experimento tudo o que possa ter a ver com futebol: Mega Man Soccer foi um pesadelo, mas foi meu pesadelo. Experimentei Pocket League Story porque queria algum jogo no celular, e só por ter futebol e gerenciamento ele me chamou atenção antes de qualquer outro.

Por conta dessa paixão, dei um jeito de pegar emprestado um GameCube para jogar Super Mario Strikers quando soube da existência dele anos atrás. O que, infelizmente, não aconteceu porque não era exatamente fácil encontrar um desses no Brasil. Só pude experimentar quando o segundo jogo da série foi lançado para o Wii, e mostrou que eu não sabia que era exatamente daquilo que eu precisava.

O novo jogo da série, Battle League, chegou entregando mais do mesmo, com ajustes necessários, e a especialidade dos jogos de esportes do Mario: diversão. Eles simplificam as modalidades até o limite de ainda parecerem com o esporte original, tirando coisas que mais atrapalham do que ajudam na fluidez do jogo. Isso foi muito bem feito em Mario Strikers: Battle League.

Aqui o futebol é representado apenas no que importa: há a bola, os times, a torcida, o campo e ganha quem chutar a bola mais vezes no gol, com as principais diferenças se apresentando aí. Esse não é um jogo plástico, em que existe apenas um comando para drible sem tantas variações, então não vá esperando um novo Fifa Street. Mario Strikers chega mais perto de uma pancadaria do que do esporte que conhecemos.

As partidas se decidem em chutes, passes e roubadas de bola bem organizados, mas sem muita tática ou estratégia. É quase uma queimada mais ou menos jogada com os pés. Digo “mais ou menos” porque alguns personagens sequer usam os pés para chutar, passar ou conduzir a bola. Donkey Kong e Bowser, por exemplo, usam as mãos com frequência e seus movimentos especiais são todos baseados em arremessar a bola com as mãos.

Imagem de Mario Strikers: Battle League
Mario Strikers – Battle League: queimada ou futebol? Um pouco dos dois

Essas habilidades combinam muito com os itens temporários utilizáveis e a dinâmica do gameplay, transformando rapidamente as partidas em um caos delicioso. Não demora muito até termos cascos de tartaruga, bombas e cascas de banana voando de um lado para outro da arena, enquanto personagens correm meio sem rumo, meio coordenados na direção da bola ou buscando espaços para formar linhas de passe. Esse é um jogo que, em seus fundamentos, beira a perfeição. Mesmo com a física dos corpos não sendo tão fluida tanto de perto, quanto de longe, os replays sustentam a beleza do jogo e geram cenas engraçadas. Cutscenes após os gols ajudam a dar um tom dramático às partidas e a variedade de personagens acrescenta demais ao jogo, com potencial de entregar ainda mais com futuras atualizações.

Além de bonito, Mario Strikers: Battle League, tem um dos melhores multiplayers online que já vi em jogos da Nintendo. Todas as vezes em que me arrisquei pelo modo, a experiência foi não só tranquila, como também satisfatória. Não tive problemas de conexão, engasgos e outros defeitos que às vezes parecem existir somente nos jogos online da empresa. Todo o processo para entrar numa partida foi rápido, intuitivo e livre de dores de cabeça. Claro, houve alguma demora no matchmaking, e imagino que isso aconteceu porque só quem estava analisando o jogo tinha acesso a ele aqui no Brasil. Aí entra um dos problemas: este é um jogo caro em comparação com o que oferece.

Jogando seguro

Imagem de Mario Strikers: Battle League
Yoshi ao ataque em Mario Strikers: Battle League

Custando R$ 300 e sem muitas expectativas de desconto, é difícil recomendar Mario Strikers: Battle League se você vai jogá-lo sozinho a maior parte do tempo. Não há modo história, como já aconteceu em Mario Tennis ou Mario Golf, e também não há muita variedade de atividades além dos treinos, partidas rápidas e copas, que estão limitadas a seis campeonatos, por enquanto, e não foram interessantes ou competitivas demais para me fazerem querer jogar de novo.

Há pouca customização nos equipamentos que você compra para os personagens e que alteram os atributos deles. Pouco se tira daí porque não senti que as características de cada um afetaram tanto as partidas, como era de se esperar. No entanto, isso pode mudar, e também é possível que o jogo receba atualizações com novos personagens no futuro, então há muito potencial de melhora sobre bases sólidas.

Entre os modos de jogo do Mario Strikers: Battle League há o Clube Strikers, que não estava disponível no momento em que o jogo foi testado. Mas a ideia é bem parecida com uma liga real de futebol em que há equipes e divisões diferentes. Você cria ou se junta a um clube e participa dos campeonatos durante cada uma das temporadas. Parece uma tentativa de competitivo para o jogo, mas tenho minhas dúvidas sobre seu potencial no Brasil, considerando o preço do game e da plataforma. Além disso, é mais um modo multiplayer, que não parece suficiente para suprir a falta de mais opções para jogar só.

Mario Strikers: Battle League é um jogo para fãs de futebol, para fãs do Mario e também para quem não tem tanto interesse por nenhum dos dois. É ótimo para juntar os amigos em casa e jogar online sem tanto estresse, mas não se justifica para quem quer uma alternativa aos simuladores para jogar sozinho.

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