John Wick 3 – Parabellum | Crítica

Continuação reforça John Wick como um dos melhores protagonistas de filmes de ação de todos os tempos

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
John Wick 3 - Parabellum | Crítica

John Wick 3 — Parabellum assumiu de vez a canastrice, resolveu brincar com a própria franquia e incorporar mais absurdos às já inacreditáveis cenas de ação. Um pouco da elegância do personagem se perdeu em favor de um gore desenfreado — mais presente neste do que nos outros filmes. Mas, como diria Keanu Reeves, que interpreta o protagonista: É John Wick, baby!

Assim como em John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017), Parabellum continua exatamente de onde o longa anterior parou. A contagem regressiva para banir John Wick, que se tornaria “excomunicado” em minutos, gera um senso de urgência que prende o espectador à tela imediatamente. São US$ 14 milhões de dólares pela cabeça do Baba Yaga e a organização inteira está atrás de apenas um homem.

Mas, como a gente já sabe, John Wick não é um homem qualquer.

As consequências disso são sequências de ação incríveis, com facas (a minha favorita, que, de tão absurda, fica até engraçada), cavalos, ninjas de moto, cachorros (claro!), um livro (isso mesmo) e o que mais você conseguir imaginar.

Infelizmente, algumas cenas ficaram longas demais, repetitivas, com alguns erros na execução das coreografias mais evidentes — alguém já esperando pelo golpe fictício para então saltar ou revida, por exemplo. Muitas vezes, o impacto das lutas é reduzido, e você só espera o fim de mais uma sequência para que o filme, enfim, continue.

E também tem a questão de que a história se tornou mais rica e interessante. Você quer saber mais sobre como a organização funciona: quais as regras, quem são os novos personagens, e ainda descobrir sobre o passado de John Wick. A expansão do universo do personagem surpreende positivamente, ainda que revele pouco. Nos faz pensar que é até possível que exista uma sociedade organizada de assassinos, paralela a nossa (meros mortais, pagando boletos), matando todo mundo por aí.

A personagem interpretada por Halle Berry, Sofia, entra na trama de maneira orgânica, sem forçar a barra. Ela e seus cães protagonizam ótimas sequências, e ajudam a compor o novo tom da franquia, que é de brincar com ela mesma. Afinal, a essa altura, nós já sabemos que “não foi só por causa de um cachorro.”

A Diretora (Anjelica Houston) é o elo que faltava para contar o passado de John Wick. Com a chegada da Juíza (Asia Kate Dillon) entre o “quadro de funcionários” da organização, as tramas paralelas protagonizadas por Winston (Ian McShane), o gerente do Continental, e Bowery King (Laurence Fishburne), que cuida de uma rede de informações, ficam ainda mais interessantes. A direção de Chad Stahelski (que também comandou os dois primeiros filmes) abraça o absurdo e se mostra ainda mais criativa na construção de grande parte das lutas — algumas, realmente inesquecíveis, daquelas de fazer o espectador aplaudir.

O ponto negativo do filme, contudo, também é uma luta: o encontro final com o “chefão”. Sempre há o grande enfrentamento em filmes de ação, e a antecipação para este momento é recompensada com um embate mano a mano, que se destaca do resto do longa.

Foi assim no primeiro filme, com John contra Viggo. Também na continuação, em dois momentos: quando ele lutou contra Cassian Scene (no metrô) e depois contra Santino D’antônio (em uma cena final rápida e impactante). E era para ter sido assim em Parabellum. No entanto, dessa vez, o “chefão” foi esquisito e mal construído. Quando finalmente acontece, a luta contra Zero, que tem até contornos místicos, quase entre “super ninjas”, não tem o mesmo impacto que os grandes momentos com os vilões dos filmes anteriores. Uma pena. Mas, se vale de consolo, o percurso até o chefão é incrível.

John Wick 3 — Parabellum deixa muitas pontas soltas para a provável (torcemos que sim) continuação. E tem um desfecho surpreendente. Com o que sabemos da história até agora e as consequências do que acontece em Parabellum, não faltarão oportunidades para cenas de ação ainda mais desafiadoras. Mas que venham também na dose certa.

E como será que vão criar sequências para superar o uso de um lápis como arma, facas voando, um herói a cavalo contra motociclistas ninjas no meio da cidade? Não há dúvidas de que se mantiverem o mesmo time à frente da franquia, teremos uma continuação ainda melhor. Afinal, já temos a consolidação de um dos maiores e mais carismáticos protagonistas de filmes de ação desde os “filmes brucutu” dos anos 80 e 90. É John Wick, baby!