It Takes Two | Review

Título entrega boas doses de diversão em troca de muito trabalho em equipe

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
It Takes Two | Review

Diretamente do Hazelight Studios, It Takes Two chega como uma uma grande mistura de gêneros e títulos aclamados, costurados com uma trama de comédia romântica.

Tanta mistura pode parecer uma bagunça, mas é uma combinação que funciona bem. Usando o visual lúdico de brinquedos e outras miudezas como ponto de partida, o jogo entrega uma experiência divertida e, por vezes, desafiadora, fazendo com que os jogadores tenham que pensar e trabalhar em equipe o tempo todo.

It Takes Two exige dois jogadores, seja em co-op local ou online. A tela é dividida para cada personagem em boa parte do gameplay, e prestar atenção na tela do outro pode ajudar (e muito!) na hora de resolver um quebra-cabeças ou de encontrar uma saída. Duas cabeças pensam melhor do que uma!

Apenas um dos lados da plataforma possui alça

Por precisar tanto de trabalho em conjunto, é natural que a comunicação entre jogadores seja essencial. O game automaticamente cria uma chamada de voz quando alguém é convidado para uma sessão, o que é bastante prático, mas ainda apresenta latência maior do que outras soluções externas, como o Discord.

Logo no começo, os jogadores decidem se querem jogar com May ou Cody. Os personagens possuem o mesmo conjunto de habilidades básicas, como pulo duplo e um mergulho para frente, mas cada nível apresenta funções, armas e itens diferentes para o casal. É possível escolher o personagem a cada sessão, ou seja, ao sair do jogo e voltar, quem estava de May pode jogar de Cody e vice-versa.

Boa parte do jogo consiste em confiar e depender do outro para completar as tarefas. Apertar um botão errado pode causar a morte do coleguinha, portanto é bom jogar com alguém com quem você se dê bem para que ninguém saia chateado ou bravo.

Para o review, joguei com a Marina Val aqui do NerdBunker, eu no PS4 e ela no PS5 — o crossplay está liberado entre plataformas da mesma empresa, mesmo que sejam de gerações diferentes!

A maior diferença entre jogar em cada uma dessas versões, além da maior taxa de quadros e qualidade de imagem do PlayStation 5, é que em um momento bem específico da história, o DualSense reage de forma diferente ao que está acontecendo na tela, mas é um detalhe bastante sutil e bem pontual.

Uma comédia romântica

It Takes Two começa com o casal Cody e May contando para sua filha, Rose, que vão se divorciar. A criança fica muito chateada, mas não mostra sua tristeza na frente dos pais e vai brincar no galpão com bonecos que fez para representar cada um deles. Lá, ela deixa escorrer lágrimas que, ao caírem nos bonecos, transporta a consciência dos pais para eles.

A aventura começa com o casal descobrindo que agora são os bonecos feitos por Rose e com um encontro com o Livro do Amor.

Josef Fares, criador do game e diretor criativo do Hazelight Studios, falou durante uma coletiva que o objetivo era fazer uma comédia romântica — e conseguiu. A trama segue por essa linha, entregando-se a clichês e diálogos que já vimos em obras no gênero. Embora possa parecer algo ruim, na verdade o resultado é divertido e traz boas risadas, ainda que muitas vezes nem eu, nem a Marina concordamos com as decisões do casal.

Pausa para a foto!

Não se deixe enganar pelo clima amigável do jogo: ainda é um projeto do Fares, portanto, prepare-se para algumas sequências extremamente desconfortáveis e até mesmo algumas cenas mais gráficas, tudo com um visual de “brinquedo” que nem sempre ameniza o impacto. O final da batalha contra o aspirador de pó e outras com entranhas de animais são particularmente perturbadores.

Em constante mudança

Enquanto exploram a história do casal, os jogadores passam por diversos locais da casa, como o quintal, o relógio e até mesmo uma cabaninha criada por Rose. No maior esquema Querida, Encolhi as Crianças, aspectos cotidianos tornam-se desafios que devem ser superados pela diminuta dupla de brinquedo.

Cada uma destas situações apresenta novas mecânicas que mudam até mesmo o gênero do jogo. Há sequências de plataforma, de tiro e até mesmo de corrida, com momentos desafiadores que exigem muita coordenação entre os dois jogadores.

Alguém precisa pular na bola azul misteriosa primeiro…

As mudanças de mecânica tornam a experiência dinâmica e contribuem para a narrativa, mas podem ser um pouco cansativas em sessões muito longas. Uma sugestão é usar a mudança de cenários e capítulos para espaçar a jogatina.

Alguns quebra-cabeças são difíceis o suficiente para fazer pensar por um tempo, mas não a ponto de ficar frustrado e desistir. Parte da beleza de compartilhar a experiência com alguém querido é incentivar o outro mesmo quando tudo parece estar dando errado, e ter alguém para torcer por você em partes mais complexas.

Para seguir em frente, a recomendação é observar o ambiente e descobrir pistas do que fazer a seguir — há muitas dicas visuais espalhadas de forma natural.

Para os fãs que adoram uma referência, encontramos algumas aos filmes O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991) e Uma Noite Alucinante 3 (1992), além de mecânicas inspiradas em títulos como Sayonara Wild Hearts, Mario Kart, Guitar Hero, jogos de luta, jogos de tiro… Tem para todos os gostos!

Jogadora Número 2

Se esse título precisa ser jogado a quatro mãos, nada mais justo que o review seja feito da mesma maneira. Por conta disso, a jogadora número 2 (Marina) decidiu invadir o review para dar as impressões também.

Em um momento que não é recomendado sair para ver os amigos e colegas de trabalho, esse jogo ofereceu um quentinho no coração por dar a oportunidade “reencontrar” alguém com que eu convivia todos os dias. Claro, outros jogos multiplayer permitem isso, mas é bem diferente do tipo de sincronia alcançado em It Takes Two.

O título do Hazelight Studios exige muito mais cumplicidade do que competição — apesar de também ter minigames para aflorar seu lado competitivo. O jogo é uma conversa, uma dança e absolutamente tudo que eu precisava nesse momento para me sentir mais perto de alguém que sinto muita falta da convivência no dia a dia. A história contada aqui também reflete isso. Enquanto Cody e May relembram momentos que os aproximaram, as cenas podem evocar momentos importantes para cada um dos jogadores.

Uma das sequências que elimina o uso da tela dividida também foi uma de nossas favoritas

Mesmo sem estar fisicamente ao lado da jogadora número um, eu me senti pertinho dela a cada vez que a gente acertou o timing perfeitamente e até mesmo nas partes que falhamos, mas que rendeu gostosas risadas por conta de alguma trapalhada. Acho que só de me fazer rir com alguém especial pra mim, esse jogo já me marcou o suficiente para sempre ser lembrado com carinho.

Trabalho em equipe

It Takes Two entrega uma experiência divertida e momentos de aquecer o coração mesmo se você não estiver torcendo pelo casal. A narrativa e as mecânicas se encaixam muito bem, resultando em um título excelente para passar o tempo com alguém — apenas certifique-se que vocês conseguem trabalhar em equipe, ou terão que aprender na marra!


It Takes Two chega em 26 de março para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC (Origin e Steam).

Este review foi feito com duas cópias do jogo cedidas pela EA, no PS4 e no PS5.

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