God of War | Review

O Deus da Guerra redefinido e melhorado!

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
God of War | Review

Não é nada fácil para uma franquia se reinventar na indústria de videogames. É necessário ter um plano de ação muito bom e, algumas vezes, até mesmo ter coragem para mexer na própria essência do jogo, sabendo que os fãs nem sempre aceitarão a mudança. Isso é particularmente verdade para uma série como God of War, que já conta com seis títulos e 13 anos de história.

Este foi justamente o desafio superado pelo Santa Mônica Studio cinco anos depois da última iteração da franquia, Ascension. O resultado é o que pode ser considerado o melhor jogo da série, do PlayStation 4 e talvez até do ano de modo geral.

Quero destacar que esta não é uma afirmação que faço de forma leviana. Na verdade, nunca fui fã da franquia e não tenho muito apego por ela, apesar de ter jogado todas as aventuras de Kratos ao longo dos anos. Sempre o achei um personagem raso, cujos jogos faziam uso de violência e sexualidade de forma gratuita, com uma história arrastada depois do primeiro título. No entanto o novo God of War conseguiu me prender e surpreender do começo ao fim, reconhecendo seus erros do passado e evoluindo em todos os aspectos.

Papai da Guerra

Muita gente tem dúvidas sobre a posição cronológica deste jogo e sobre sua relação com os anteriores, mas não se engane: este é Kratos muitos anos depois de God of War 3, e seu passado certamente não foi esquecido – muito menos por ele mesmo. No entanto o guerreiro deixou sua história como Fantasma de Esparta para trás e começou uma nova vida em Midgard, onde teve um filho, Atreus.

As coisas não vão muito bem, no entanto, por conta da morte de Faye, esposa de Kratos. Ele e seu filho precisam lidar com este fato e com suas próprias diferenças enquanto realizam o último desejo dela: que os dois espalhem suas cinzas no ponto mais alto de todos os nove reinos.

É através desta jornada e dos conflitos entre si que a dupla evolui consideravelmente ao longo da história. Se antes o Deus da Guerra era um personagem vazio, aqui ele reconhece o tipo de pessoa que era, sendo muito mais complexo e interessante. Kratos se arrepende de seu passado e agora precisa lidar com este sentimento, com a responsabilidade de ser um pai e com as consequências de sua presença nesta nova terra. Ao mesmo tempo, precisa se esforçar para proteger seu filho e garantir que Atreus não siga o mesmo caminho que ele no passado.

Este é justamente o foco de toda a narrativa, que é contada sem nenhum corte, em um grande plano-sequência. A câmera está sempre acompanhando pai e filho ao longo da aventura, sem telas de carregamento, deixando o jogador ainda mais íntimo de cada acontecimento e de cada uma das reviravoltas. E com certeza não são poucas.

Até mesmo os personagens secundários são muito mais interessantes do que os encontrados nos outros games. Eles têm personalidades fortes e são carismáticos, como é o caso de Mimir, que serve como um guia para os protagonistas, ou da Bruxa, que se revela uma estranha aliada deles. A forma como Kratos se relaciona com os outros também só ajuda a exaltar o quanto o espartano evoluiu.

O resultado de tudo isso é uma aventura empolgante como nos jogos anteriores, que também consegue ser envolvente e prende o jogador. A ação é boa e cheia de brutalidade, como sempre, mas os diálogos, os personagens e o desenvolvimento do relacionamento entre Kratos e Atreus são ainda melhores. Se você está procurando algo para comparar, pense em Ellie e Joel, de The Last of Us: é este nível de qualidade narrativa.

Bom da Guerra

Kratos pode ser um sujeito com outros sentimentos além de raiva agora, mas ele ainda é o Deus da Guerra, e matar sempre foi o que ele fez de melhor. Isso não mudou, pode ter certeza, mas os métodos para aniquilar os inimigos estão mais variados do que nunca.

Os jogos antigos sofriam com as piadas de que só era necessário um botão para terminar a campanha, mas não espere nada parecido desta vez. O combate está muito mais técnico e visceral, nos colocando no centro da ação, graças à nova câmera em cima do ombro. Kratos começa com uma boa gama de golpes e técnicas, mas muitas outras podem ser desbloqueadas depois, na Árvore de Habilidade ou ao equipar certos itens com poderes específicos. Dá para lutar de perto ou de longe, mas é necessário estar sempre atento aos inimigos em volta ou a morte está garantida.

Um bom desempenho no combate também depende de Atreus, que oferece suporte nas lutas com seu arco ou agarrando inimigos. Mas não se preocupe: ele não é um estorvo e não precisa de proteção. O filho de Kratos costuma agir sozinho, mas é possível dar ordens para que atire flechas mágicas em inimigos específicos. O comando acontece instantaneamente, então não é necessário esperar a boa vontade do garoto.

Para melhorar suas chances contra os monstros nórdicos, Kratos e Atreus podem se equipar com armaduras, talismãs e runas de encantamentos, que oferecem atributos, efeitos adicionais e, em certos casos, até mesmo habilidades extras, com propriedades exclusivas. Usar a combinação certa de itens pode ajudar muito na hora de enfrentar inimigos excepcionalmente poderosos.

Estes equipamentos podem ser forjados ou até encontrados durante a exploração, que me lembrou Darksiders ou a maior parte dos jogos de The Legend of Zelda. As áreas do mapa são desbloqueadas conforme progredimos na história, de forma linear, mas elas são grandes, e é sempre possível retornar para velhas regiões, com novas habilidades, em busca de outros segredos, desde itens colecionáveis e salas secretas até chefes opcionais.

Um recomeço para a franquia

O novo God of War muda quase tudo o que existia nos jogos anteriores e até chega a ser essencialmente diferente dos outros títulos da franquia, mas num bom sentido. Estas alterações foram muito bem-vindas e, graças a elas, o título evoluiu os personagens, a narrativa e as mecânicas.

A ousadia do Santa Monica Studio foi recompensada com um título que supera as expectativas e oferece um recomeço satisfatório para Kratos, além de um futuro bastante promissor para a franquia. Fãs e novos jogadores certamente não vão se decepcionar.


God of War será lançado em 20 de abril exclusivamente para PlayStation 4. Este review foi feito com uma cópia do jogo cedida pela Sony.