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Falcão e o Soldado Invernal tem quarto episódio com embate de ideias e punhos

Episódio teve roteiro denso, rico em desenvolvimento de personagens

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Falcão e o Soldado Invernal tem quarto episódio com embate de ideias e punhos

[As pessoas precisam de] alguém que entenda que os heróis de hoje não têm o privilégio de manter as mãos limpas.” Essa é a primeira frase-chave em O Mundo Está Vendo, quarto episódio de Falcão e o Soldado Invernal, que, a exemplo do anterior, investe na justaposição como recurso narrativo — e o faz com bastante eficiência.

[Aviso: O texto abaixo contém SPOILERS e recomendamos assistir ao quarto episódio antes de continuar.]

A fala é dita por Nico (Noah Mills), braço-direito de Karli Morgenthau (Erin Kellyman), à própria líder dos Apátridas. Diretamente, se refere à ideia de que os fins justificam os meios e que o herói contemporâneo está disposto a abrir mão da própria inocência em prol do bem maior. No contexto do enredo, a frase também chama a atenção para o fato de que tão importante quanto as ações de um personagem é o modo como elas são percebidas.

O comparsa de Karli certamente enxerga os atos de sua chefe como um mal necessário, até mesmo o recente atentado cometido por ela em uma base do CRG – Conselho de Repatriação Global, com vítimas fatais. E a julgar pelo número de simpatizantes dos Apátridas, muitos dos refugiados compartilham da opinião.

Helmut Zemo (Daniel Brühl) declara posição oposta. Em uma discussão com Sam Wilson (Anthony Mackie) e Bucky Barnes (Sebastian Stan), o barão despreza as motivações alheias. Para ele, o soro do supersoldado nasceu do desejo de se tornar superior a outros humanos, simbolizando um ideal supremacista; portanto, corrompe qualquer um que o utilizar — com exceção de Steve Rogers, ele reconhece.

O discurso de Zemo é cheio de hipocrisia. Ao tachar outros de extremistas, ele age da mesma forma, equiparando Vingadores e nazistas. E, conforme visto em sua primeira aparição no MCU, ele acredita que vale tudo para alcançar um objetivo.

Depois de descobrir que seu alvo estará no funeral de Mama Donya, o trio é interceptado por John Walker (Wyatt Russell), que, assim como o barão, enxerga tudo em termos absolutos. Ele considera a líder dos Apátridas uma terrorista que deve ser levada à justiça, custe o que custar. Somente após a intervenção de seu parceiro, Lemar Hoskins (Clé Bennett), o novo Capitão América concorda com o plano de Sam de tentar uma abordagem pacífica.

A propósito, o Falcão é o único a buscar o equilíbrio, algo evidenciado em sua resposta quando Karli diz que ele é brilhante ou desesperadamente otimista: “não posso ser um pouco dos dois?”. Ele compreende e simpatiza com as motivações dela, porém discorda de suas ações, que a igualam àqueles que ela combate. O argumento é convincente e, por um instante, é possível vislumbrar uma fissura nas convicções da garota.

Nesse ponto, é interessante notar como existe um paralelo entre Karli e Bucky. Parte da jornada de ambos é encarar o modo como eles próprios percebem suas ações: as dela, no presente; as dele, no passado. Um flashback em Wakanda, seis anos antes, mostra a catarse do Soldado Invernal quando ele se vê livre da programação cerebral feita pela Hydra. Esse momento se contrapõe à situação em que encontramos o personagem no início da série, tentando fazer as pazes com o passado.

Mais ainda, contrasta com sua resposta quando Ayo (Florence Kasumba) o confronta por ter libertado o assassino do Rei T’Chaka: “ele é um meio para um fim”. A frase insere Bucky no tema do episódio — dependendo do lado da balança para o qual se inclinar daqui para frente, o atrito com Sam deve se reforçar.

O roteiro de Derek Kolstad promove outras justaposições ao colocar falas parecidas nas bocas de antagonistas. Por exemplo, Karli diz ao Falcão: “não seja condescendente comigo, não sou uma criança”; pouco depois, Walker pede a Bucky: “não me trate como uma criança”. O intuito claro é aproximar dois personagens que parecem opostos, mas se assemelham no perfil reativo.

Por sinal, há outros paralelos com o novo Capitão que ajudam a aprofundá-lo. Ele também luta para se conciliar com um passado problemático (os crimes provavelmente cometidos no Afeganistão, sugeridos na conversa com Lemar), bem como tem de lidar com a incompatibilidade entre a percepção dos outros — um herói de guerra — e sua própria: alguém indigno de portar o escudo. Essa última é realçada por sua frustração após apanhar das Dora Milaje e sua interação invejosa com Bucky (“todo esse soro correndo nas suas veias”), que antecipam sua decisão de tomar a última dose, resgatada antes que Zemo a destruísse.

A segunda frase-chave do episódio é: “Seu parceiro precisa de reforço lá dentro, quer mesmo o sangue dele nas suas mãos?”. Além de se conectar à primeira, ela amarra, tematicamente, o enredo. Walker a diz para o Soldado Invernal como provocação, mas é ele quem acaba vendo o parceiro morrer na luta contra os Apátridas. Também é ele quem fica com sangue nas mãos — ou melhor, no escudo, depois de assassinar Nico diante de uma multidão perplexa, armada com câmeras nos celulares. O Mundo Está Vendo, sem dúvida.

A questão que fica, novamente, é: de que lado está Sharon Carter (Emily VanCamp)? Sua atitude suspeita até aqui sugere que, no mínimo, pode estar trabalhando com o Mercador do Poder. Todavia, o fato de a ex-agente da S.H.I.E.L.D. ter acesso a um satélite de vigilância, somado à revelação de que Karli parece saber muito sobre a família de Sam, inclusive a localização exata de Sarah (Adepero Oduye), pode indicar que há um jogo duplo aí.

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