Empresas removem publicidade do YouTube após acusações sobre rede de pedofilia no site

Youtuber publicou vídeo mostrando o modus operandi desses usuários

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
Empresas removem publicidade do YouTube após acusações sobre rede de pedofilia no site

A Disney, a Epic Games (Fortnite), o McDonald’s e a Nestlé removeram suas publicidades do YouTube após acusações acerca de uma rede de predadores sexuais infantis presente no site.

Tudo começou com o youtuber Matt Watson apontando que existe uma sub-comunidade na plataforma que faz o download de vídeos publicados por crianças e pré-adolescentes, e republicam o conteúdo em seus próprios canais, ativando a monetização e permitindo comentários de outros usuários, que, então, apontam marcações de tempo específicas, em que os protagonistas dos vídeos estão visualmente mais expostos. Confira o vlog completo:

Watson demonstra que, uma vez imerso nesse nicho de vídeos, o algoritmo do YouTube não exibe nada além deles, retroalimentando a comunidade. Além dos comentários sugestivos, os usuários publicavam links que levavam diretamente a vídeos de pornografia infantil.

Em comunicado oficial, publicado na Variety, o YouTube diz que vai tomar ações imediatas para deletar os canais em questão e os comentários presentes nos vídeos. Ao todo, as empresas investiram menos de US$ 8 mil nas propagandas mencionadas, e a plataforma garantiu que todas receberão reembolso dos gastos, segundo a Bloomberg.

Em 2017, algo semelhante aconteceu na plataforma, com diversas empresas rompendo relações com o site após verem seus comerciais atrelados a conteúdos violentos e extremistas.

Embora os vídeos em si não tenham nenhum cunho sexual, a legislação de alguns países caracteriza os comentários sexualmente sugestivos como uma forma de abuso infantil, manifestada a partir da parafilia denominada pedofilia, a atração de adultos por crianças.

No Brasil, a pedofilia não é considerada crime. Segundo nossa legislação, os crimes relacionados a essa parafilia são o Estupro de Vulnerável (o ato sexual realizado com pessoas menores de 14 anos) e o armazenamento, divulgação ou venda de vídeos e fotografias de pornografia infantil.