Demon Slayer | Crítica

O anime surpreendeu por seu capricho e já é um dos melhores do ano!

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Demon Slayer | Crítica

Demon Slayer é aquele típico “shonenzão”, em que o protagonista é um herói improvável, cheio de vontade de superação, que precisa alcançar um objetivo quase impossível. Já vimos essa mesma fórmula se repetir várias vezes, o que a fez até se tornar um clichê. Mas, calma, porque reutilizar essa estrutura não é algo ruim — pelo menos, não aqui.

O anime, baseado nas obras da misteriosa mangaká Koyoharu Gotouge, se passa em um mundo em que onis, demônios do folclore japonês, existem e se alimentam de sangue humano. Alguns deles tentam esconder a sua natureza, outros já nem tanto. Neste cenário, o protagonista, Tanjiro, é um jovem que precisa cuidar de sua família, composta por sua mãe e seus cinco irmãos. Em um dia aparentemente normal, ele sai para trabalhar e, quando retorna, encontra todos mortos, exceto a sua irmã, Nezuko, que foi transformada num monstro.

A trama se desenrola a partir dessa premissa. Com excelentes histórias secundárias e uma construção de universo feita com cuidado, o anime se destaca de uma maneira impossível de imaginar, lá quando assisti ao primeiro episódio, meses atrás. A princípio, achei que a animação seria um pouco mais do mesmo, mas com um visual mais caprichado. E como eu estava errada!

O universo e a mitologia de Demon Slayer se expande a cada episódio, com a descoberta de onis mais fortes e suas histórias até a introdução dos Hashiras, os espadachins mais poderosos que existem. Alguns mistérios que vão aparecendo ao longo da temporada, como os brincos de Tanjiro e a respiração do fogo de seu pai, também prendem o espectador, deixando pequenas pontas soltas que geram aquele burburinho de teorias entre os fãs. Tudo isso resulta em um mundo muito rico e vasto em possibilidades, sendo difícil prever quais serão os próximos passos da história.

A construção de personagens secundários, tanto de mocinhos quanto de vilões, é um dos pontos mais fortes do anime. A história não tem medo de explorar cada um deles, nem que seja por apenas um episódio, o que adiciona camadas de complexidade, enriquecendo ainda mais o universo e fazendo com que o espectador entenda-os melhor e até sinta empatia (mesmo pelos demônios).

O ápice do anime, que foi o arco da família de onis liderada por Rui, é tão impressionante justamente por conta dessa construção. Ali, vemos a personalidade e até mesmo o medo que esses monstros podem sentir, deixando-os mais humanos — o que parecia impossível de se pensar lá nos primeiros episódios. Tudo isso é contado em um ritmo agradável que não decai e nem é quebrado pelos tão temidos fillers, sempre deixando quem está assistindo ansioso pelo próximo episódio.

Por fim, outra característica muito positiva de Demon Slayer é o seu visual, feito pelo estúdio Ufotable. Eu honestamente não consigo lembrar de outro anime recente que tenha uma animação tão impressionante quanto essa, que pode ser equiparada até aos longa-metragens animados do Studio Ghibli. Tudo é muito bem feito e caprichado, desde a aparência dos personagens até os efeitos das habilidades de cada um, e a qualidade não cai em momento algum (se você é fã de animes em série, sabe como isso é de impressionar!).

Demon Slayer não tenta inovar nada, muito pelo contrário. Ele pega tudo que há de melhor no gênero shonen, com direito até ao alívio cômico, e entrega uma animação consistente e muito bem feita do início até o fim, que impressiona pelo seu capricho até nos mínimos detalhes. O anime não tenta reinventar a roda, mas olha… ele é um belo de um possante!