Black Clover | Episódio 100 é um dos melhores da série com tudo o que um shonenzão precisa

Anime tem altos e baixos, mas centésimo episódio se destaca com pontos positivos

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
Black Clover | Episódio 100 é um dos melhores da série com tudo o que um shonenzão precisa

Black Clover é um anime complicado de assistir. Para aproveitar um episódio realmente bom é preciso encarar muita enrolação, animação pobre e as mesmas piadas repetidas (muitas vezes).

[Aviso de spoilers: a partir de agora, possíveis spoilers!]

O episódio 100, We Won’t Lose to You, saiu hoje (10) aqui no Brasil, exibido pela Chrunchyroll, e foi um desses que realmente fazem querer continuar assistindo. Apresentou novos elementos para a trama, não economizou no orçamento na hora da animação — finalmente, porque estava complicada a coisa –, e, pela primeira vez (são 100 episódios!) vemos os dois ‘irmãos” lutando juntos. E foi bonito de ver.

Se você não conhece, Black Clover conta a história de dois órfãos, Asta e Yuno, que enfrentam barreiras sociais, pobreza (não dá para esquecer que só comiam batata), em um mundo em que (quase) todos têm magia. Eles disputam entre si para se ver quem vai se tornar o Rei Mago. É preciso muita determinação para superar os próprios limites, tem muita luta, gritaria, essa coisa toda que já vimos dezenas de vezes.

Substitua um desafio, um dos conflitos ou até mesmo um dos personagens desse anime por qualquer outro shonenzão, que vai encaixar perfeitamente.

Por que assisto, afinal? O que sustenta um público fiel (o anime está sempre entre os mais assistidos na lista da Chrunchyroll) é o que sustenta toda boa história: os personagens. Uma coisa que os japoneses sabem fazer é criar empatia por quem conduz a trama. E Black Clover tem muito carisma no time principal: o capitão Yami, um personagem marrento, que sofreu bastante só por ser estrangeiro; o grupo de renegados que ele lidera, os Touros Negros, no qual cada personagem tem uma história bem bacana, gerando bons arcos.

Vale destacar os outros grupos, como os Leões Carmesins, a equipe Rosa Azul; também o próprio Rei Mago e até o irritante Bah-ha, que juntos criam uma atmosfera convidativa para quem quer assistir algo só para relaxar um pouco. Além disso, o anime mantém muitas pontas soltas ao mesmo tempo: por exemplo, o que aconteceu com os personagens fora do Reino de Clover?

E não podia faltar a boa e velha mensagem de não desistir nunca (que é um clichê e tanto para animes, mas funciona, pelo jeito). E nada como uma boa e velha superação na hora certa para nos fazer vibrar junto com os personagens. Black Clover abraça isso: “supere seus limites” é uma frase recorrente no anime. Junto com “ainda não”, quando o personagem está quase morto no chão.

“Não desistir” de Black Clover não é tarefa fácil. É preciso abstrair um monte de coisas: a gritaria de Asta, as personagens femininas que são quase sempre fracas e indefesas (exceção da incrível Mereoleona — mas, até mesmo a capitã Charlotte precisou ser salva), repetindo piadinhas envergonhadas (eu gosto daquele garoto, mas não gosto). E agora tem essa história de almas dentro de outros corpos (William que tinha dentro dele a alma de Patolli, mas com a aparência de Litch?), entre outros pontos negativos ou no mínimo esquisitos.

Mas o mistério sobre a trama maior, os personagens carismáticos de todo o time principal, frases de efeito, porradaria boa (de vez em quando) e a superação do personagem principal me prendem. Fazer o quê?

É o tal “guilty pleasure”: todo mundo tem aquela série que sabe que não é lá essas coisas, mas que adora mesmo assim. Eu não indicaria Black Clover para ninguém, no entanto, não paro de assistir. O episódio 100 é uma excelente razão para isso.