Os fãs de mistério estão bem-servidos com a estreia de 1899. Nova série de Baran Bo Odar e Jantje Friese, casal alemão responsável pelo sucesso Dark, a trama chegou com oito episódios que vão garantir uma boa dose de neurônios queimados com muitas perguntas e quebra-cabeças.
- 1899 – 1ª Temporada | Crítica
- Elenco e criadores de 1899 falam sobre mistérios e desgraçamentos mentais da nova série
[Atenção: Zona de Spoilers da primeira temporada de 1899 daqui em diante]
Se você já maratonou a temporada e ainda está pensando no que bulhufas acabou de acontecer na sua tela, mantenha a calma, porque também estamos cheios de teorias, e vamos ajudar a você a entender o que de fato se passou com a tripulação do navio Kerberos. Tenha em mente que toda obra é passível de interpretação subjetiva, então acompanhe nossa viagem com a mente aberta.
O que era o navio e qual o seu propósito?
Conhecendo Friese e Bo Odar, muitos certamente suspeitaram de viagem no tempo, loops temporais ou realidades alternativas, assim como Dark. No fim das contas, o Kerberos é (até onde a gente viu) um experimento de simulação, com os diversos personagens presos em uma mesma narrativa que se repete a partir de determinados pontos.

É estabelecido que o loop foi repetido dezenas de vezes, sempre com resultados insatisfatórios e basicamente todo mundo morrendo. A diferença agora é que Daniel (Aneurin Barnard) consegue hackear o código da simulação, permitindo que as consciências de Eyk (Andreas Pietschmann), Maura (Emily Beecham) e o resto da tripulação sobrevivente mantenham as memórias da incursão anterior após o novo reboot.
Que fim levou a simulação?
Ao final da temporada, Maura consegue se libertar da simulação e acordar no que acredita-se ser o mundo real. Mas claro que o ápice da trama não viria sem uma baita reviravolta.

É que, aos poucos, descobrimos que a protagonista de fato acordou, mas continua como uma passageira. Desta vez não de um navio, mas de uma espaçonave. Não em 1899, mas em 2099.
Quem criou a simulação e por que?
Agora, a coisa fica um pouquinho complicada, pois temos duas versões igualmente possíveis. Se você preferir acreditar em Daniel, a simulação foi criada pelo misterioso irmão de Maura, forçando a irmã a esquecer a própria identidade e família, para algum propósito sinistro.

Por outro lado, o pai da médica alega que a própria Maura criou a jaula virtual, submetendo a si própria e a todos os outros passageiros do navio ao tormento. No sétimo episódio da temporada, é sugerido que o pequeno Elliot (Fflyn Edwards), filho de Maura e Daniel, estaria à beira da morte no “mundo real”, e a simulação seria uma tentativa desesperada da mulher em salvar o garoto.
Quem são os passageiros do Kerberos?
Ao acordar em 2099, Maura vê os companheiros Eyk, Ángel (Miguel Bernardeau), Virginia (Rosalie Craig) e o resto da tripulação do Kerberos em estado de animação suspensa, aparentemente da mesma forma que a própria Maura estava presa na simulação.

Dentro do sonho, não há nenhum indício de que todos se conheciam antes do navio, mas a coisa pode ser diferente no “futuro”. Se Maura é mesmo a arquiteta da simulação, uma possibilidade é que ela tenha reunido todos por algum elemento em comum no passado (seja um trauma, uma amizade) que descobriremos mais adiante.
O que eram as pirâmides e triângulos?
Signos visuais na série inteira, pirâmides e triângulos aparecem nos mais diversos locais, desde as portas das cabines do Kerberos, tatuagens em personagens até a pirâmide que torna-se a chave para que Maura acorde para o mundo real.
Dentro da simulação, a explicação oficial é que o triângulo invertido é o símbolo da companhia marítima responsável pelo Kerberos. Vale citar que, na Mitologia Grega, Cérbero é o cão de três cabeças responsável por guardar os portões de Hades. Três cabeças, três ângulos…
É possível ver uma tatuagem de triângulo na Maura “real” de 2099. Espera-se que o mistério da forma geométrica siga na trama daqui para frente.
Pistas sutis
Se você tiver a disposição de rever a temporada ao final do último capítulo, perceberá que diversos acontecimentos foram antecipados em signos visuais ao longo da série.
A abertura é ao som de um cover de “White Rabbit”, do grupo de rock psicodélico Jefferson Airplane. A letra, que trata da personagem literária Alice e o buraco de coelho que leva ao País das Maravilhas, diz:
“Quando a lógica e a proporçãoTiverem caído por terra
E o Cavaleiro Branco estiver falando ao contrário
E a Rainha Vermelha mandando cortar cabeças
Lembre-se do que o rato silvestre disse
Alimente sua mente”
O trecho faz alusão a momentos da trama, quando a simulação começa a falhar e confundir os passageiros, a paranoia e a confusão do capitão Eyk, o violento motim da tripulação, que causou várias mortes no navio. E claro, a busca de Maura para libertar a própria mente.

Cada episódio começa com uma alucinação (ou flashback) de cada personagem, terminando com a voz de Maura mandando-os ‘Acordar’. A rima visual se encaixa com a versão de que a médica seria de fato a arquiteta da simulação.
O que esperar de uma segunda temporada?
Oficialmente, 1899 ainda não está renovada. Tratando-se da Netflix, a decisão terá como fator os números de audiência da série no primeiro mês, e outras variáveis. Uma notícia que pode tranquilizar os fãs é que Baran Bo Odar e Jantje Friese trabalham com três temporadas em mente, como revelaram em entrevista ao Nerdbunker. O streaming também gastou uma grana investindo na criação de um telão LED gigante The Volume, para a produtora da dupla, o que pode ser tomado como um sinal de boa fé na parceria.

Caso retorne, 1899 deve responder algumas das perguntas feitas nos tópicos acima, além de explorar mais do mundo de 2099. Possivelmente, veremos mais da família de Maura, incluindo seu misterioso irmão, ainda sem rosto.
Podemos ver também quem realmente são os passageiros do navio em 2099, e se a vida de todo “no futuro” é refletida nas alucinações da simulação. Uma virada interessante pode ser se o mundo que vemos em 2099 também seja um outro nível de simulação. Uma espécie de sonho dentro do sonho, como em Westworld (2016-2022) ou A Origem (2010). Resta também saber se a série continuará com o 1899 do título, mesmo com uma trama situada 200 anos à frente.
Os oito episódios de 1899 estão disponíveis para streaming na Netflix.