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A Guerra dos Rohirrim é boa adição ao universo de O Senhor dos Anéis | Crítica
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A Guerra dos Rohirrim é boa adição ao universo de O Senhor dos Anéis | Crítica

Mesmo com clichês, primeiro anime da franquia constrói história competente

Camila Sousa
Camila Sousa
05.dez.24 às 09h23
Atualizado há 4 meses
A Guerra dos Rohirrim é boa adição ao universo de O Senhor dos Anéis | Crítica
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim/Warner Bros./Divulgação

Desde que Peter Jackson adaptou a trilogia de O Senhor dos Anéis no início dos anos 2000, vários produtos relacionados à franquia foram lançados. Entre erros e alguns acertos, é fato que os fãs começaram a olhar qualquer novidade de forma cautelosa, e não é diferente com A Guerra dos Rohirrim, o primeiro anime da franquia.

Dirigido por Kenji Kamiyama (Ultraman, Star Wars Visions) e com o próprio Jackson atuando como produtor executivo, o longa não busca ser uma sequência da conhecida Guerra do Anel, e sim uma história por si só, sobre uma antiga guerra no reino de Rohan. Para isso, os realizadores utilizam uma personagem que existe nos livros de J.R.R. Tolkien, a filha de Helm Mão-de-Martelo, e a colocam no centro da trama. Assim, somos apresentados à corajosa Héra.

Como fã de Tolkien, é importante ressaltar de início que esse é, de fato, um bom filme, e uma adição interessantíssima às adaptações lançadas até aqui. Ver a Terra-média reproduzida com uma animação competente, repleta de camadas e profundidade, é algo surpreendente - e de forma positiva. Afinal, o que o longa apresenta é simplesmente as belas paisagens descritas pelo autor de forma única, com traços mais estilizados em primeiro plano e cenários de fundo com todas as camadas necessárias para acreditar que estamos vendo um lugar que, um dia, pode ter sido real.

Ainda sobre o visual, outra adição interessante são as grandes batalhas da Terra-média, mostradas em uma nova mídia. Nesse contexto, A Guerra dos Rohirrim apresenta orques, povos de outras regiões da Terra-média e homens lutando na planície do Abismo de Helm, em um espelhamento até curioso: em vez de uma animação que se tornou live-action, agora temos um cenário real que se tornou animado, entregando um frescor que há muito não se vê na franquia.

Afinal, quem é Héra Mão-de-Martelo?

Como dito acima, os livros de J.R.R. Tolkien citam a existência da filha de Helm, com poucos detalhes, e o anime se aproveita dessa citação para criar uma história com doses suficientes de liberdades poéticas, mas sem nunca se desviar totalmente da história da Terra-média que conhecemos. Há, inclusive, bons acenos (alguns claros, outros subentendidos) sobre a futura Guerra do Anel, deixando claro que há uma preocupação em não fugir tanto do material principal.

E, entre todos os elogios possíveis ao filme, esse é o mais importante: encontrar o equilíbrio perfeito entre contar uma história que os fãs dos livros ainda não conhecem, mas sem nunca criar uma sensação de “desrespeito” ou “desvio” do que a Terra-média de Tolkien precisa ser. Isso faz com que a história de Héra, e de todos os personagens em cena, seja aceita de forma quase imediata. Afinal, nenhum fã de O Senhor dos Anéis pode dizer que se sentiu “atacado” por algum momento da narrativa.

Há pontos negativos, é claro, e o maior deles é a questão dos clichês. A guerra que o filme pretende contar começa de forma interessante, mas depois cai para uma história de vingança e despeito básica, chegando até o limiar de prejudicar a construção de alguns personagens, inclusive da protagonista. De certa forma, soa como se o segundo e terceiro atos tivessem passado por uma “caixinha” de coisas obrigatórias, incluindo até alguns diálogos que servem tanto para o filme quanto para uma novela das 19h. Felizmente, o roteiro volta para os eixos nos momentos finais, evitando que esse tropeço prejudique a experiência como um todo.

Outro ponto controverso é algo que também acontece com Os Anéis de Poder, série do Prime Video: uma necessidade quase patológica de repetir momentos da primeira trilogia de O Senhor dos Anéis. Há cenas em que isso gera um quentinho inevitável no coração, como o uso de uma trilha sonora, ou a representação de um personagem com o rosto do ator em live-action. Porém, quando tal recurso é utilizado demais, repetindo diálogos palavra por palavra, e cenas que acontecem da mesma forma do mesmo local, há uma sensação de espelhamento exagero, que chega perto de ofuscar o que há de inédito no novo filme.

Porém, mesmo com tais pontos baixos, O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim entrega um bom resultado, especialmente ao criar a sensação de que agora sabemos mais sobre a Terra-média, com uma história de personagens fortes e honrados, que nos fazem querer ser mais como eles. E isso é a coisa mais Tolkien que o primeiro anime da franquia poderia fazer pelos fãs.

O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim está em cartaz nos cinemas brasileiros.

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