Watchmen | Episódio se concentrou em introduzir e desenvolver a ex-Espectral

Enquanto isso, as bizarrices continuaram correndo soltas no núcleo de Adrian Veidt.

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Watchmen | Episódio se concentrou em introduzir e desenvolver a ex-Espectral

Aviso: spoilers abaixo!

Aos poucos, Watchmen expande seu universo, introduzindo novos núcleos narrativos. Mais cadenciado, o terceiro episódio foi inteiramente dedicado à apresentação da agente do FBI Laurie Blake (Jean Smart, em excelente performance) — e logo descobrimos se tratar da mesma Laurie que, durante os eventos retratados na graphic novel, assumiu o manto da heroína Espectral, herdado de sua mãe.

Mais uma vez, o título fez referência a um detalhe relevante do enredo. She Was Killed by Space Junk (em tradução livre, “ela foi morta por tranqueira espacial”) é um verso da canção Space Junk, da banda Devo, e uma evidente alusão à sequência final, em que a agente quase foi atingida pelo carro de Angela (Regina King), provavelmente largado pela mesma aeronave que o abduziu na conclusão do episódio passado. A reação de Laurie, aliás, indica que ela talvez saiba quem está por trás daquilo (Dr. Manhattan? Ele não precisaria de uma nave).

Igualmente sugestiva foi a conversa da ex-Espectral com o senador Joe Keene (James Wolk). Quando o político insinuou que, caso eleito presidente, teria o poder de perdoar qualquer um e até “tirar sua coruja da gaiola”, ele obviamente não estava falando da ave, mas sim de Daniel Dreiberg, que nos quadrinhos atuava como o herói mascarado Coruja e com quem Laurie passou a ter um relacionamento. Estaria Dreiberg na cadeia por ter retomado as atividades como vigilante? Nesse caso, teria tido a agente algum envolvimento com sua prisão?

O elemento central da trama, no entanto, foi seu telefonema interplanetário. As piadas que ela contou foram bastante reveladoras acerca da psique da personagem. A primeira, sobre o pedreiro e a filha, remeteram à sua conturbada relação com o pai, Edward Blake, o Comediante — algo que parece ter se resolvido, já que ela passou a adotar o sobrenome paterno em vez do materno, Juspeczyk, como costumava fazer nas HQs. A segunda, sobre o julgamento divino, parece ter deixado escapar o que Laurie realmente pensa a respeito do Coruja (“mole demais”), de Ozymandias (“um maldito monstro”), do Dr. Manhattan (um deus que passou a “cagar para a humanidade”) e de si mesma (uma garota sem dom ou qualquer coisa especial, ignorada, subestimada).

O showrunner Damon Lindelof, responsável pelo roteiro, aqui em parceria com Lila Byock, manteve a estratégia de soltar informações de modo sutil. Um exemplo foi a música que Angela cantou no funeral de Judd (Don Johnson), a pedido do próprio. A letra de The Last Round-up, gravada pelo astro da música country Gene Autry em 1933, cita três personalidades da época da Guerra Civil Americana: Buffalo Bill, Kit Carson e… o general George Custer, comandante da 7ª Cavalaria — o que reforça a ideia de que o falecido chefe de polícia tinha algum envolvimento com a milícia terrorista dos admiradores de Rorschach.

Já na entrevista coletiva do senador Keene, um dos repórteres citou um “gerador de campo intrínseco” supostamente sendo construído pelos russos. Vale lembrar que, na graphic novel, foi um acidente com um equipamento semelhante que transformou Jon Osterman no Dr. Manhattan. Será que os rivais dos norte-americanos planejam criar seu próprio ser superpoderoso?

O núcleo que continua levantando mais dúvidas é o que envolve Adrian Veidt (Jeremy Irons) — que, por sinal, pela primeira vez se identificou com esse nome, chegando até a vestir o antigo uniforme de Ozymandias. A menção da teoria de que o milionário, dado como morto, teria na verdade feito uma cirurgia plástica e se exilado na Argentina à primeira vista enfatizou que se trata realmente do personagem. Todavia, há alguns pormenores que não se encaixam.

Por exemplo, os bisões caçados por Veidt ocorrem apenas na porção norte do continente americano (nada de bisões argentinos, portanto). Além disso, o “homem mais inteligente do mundo” não teria dificuldades em encontrar um modo de escapar do cativeiro, como parece ser o caso. Por fim, quando a srta. Crookshanks (Sara Vickers) leu a carta enviada pelo Guarda Florestal (visto usando uma máscara não muito diferente da de Ozymandias), ela começou pela saudação “Caro Ma…”, antes de ser interrompida por seu mestre — a serviçal estava prestes a dizer outro nome?

E em meio à iconografia dos quadrinhos que a série vem explorando — como a carinha sorridente e os relógios —, o episódio acrescentou um novo item: o símbolo pirata do Jolly Roger (que alude aos Contos do Cargueiro Negro), estampado na bandeira nas proximidades do castelo e no selo da carta. Qual será seu significado?