Sherlock | “The Lying Detective” é um excelente estudo de personagens

Contém spoilers!

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
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Spoilers de Sherlock abaixo!

Após encerrar um arco da terceira temporada em “The Six Thatchers”, Sherlock finalmente segue em frente com sua trama e apresenta o excelente “The Lying Detective“. O segundo capítulo da quarta temporada se mostra um excelente estudo de personagens e também serve para posicionar os elementos narrativos para o final épico que teremos no próximo domingo com “The Final Problem”.

Em “The Lying Detective”, Sherlock fica obcecado com Culverton Smith (Toby Jones), um magnata excêntrico com aspirações políticas que também é um serial killer. Benedict Cumberbatch se entrega, dando muitas camadas ao  processo de pensamento e uso constante de drogas do protagonista. Em uma sequência fantástica, o detetive aterroriza a Sra. Hudson (Una Stubbs) enquanto recita um trecho de Henrique V, de Shakespeare, com uma arma nas mãos. “Mais uma vez nas trincheiras, caros amigos, mais uma vez” foi a citação escolhida, numa clara referência ao desejo do personagem de retornar às suas investigações. É um detalhe mínimo, mas que acrescenta profundidade ao roteiro.

Jones também se destaca na interpretação de Smith — em dados momentos, fiquei com asco real do milionário — principalmente na cena onde ele diz que pode fazer o que quiser por ser rico e famoso. O ator imprimiu o pior da humanidade no vilão, que já pode ser considerado um dos melhores da série.

tobyjones

Porém, quem brilha mesmo é Martin Freeman e seu John Watson. É bonito de ver como o ator transita da raiva para a compaixão em poucos segundos e em pequenos gestos. O ápice do médico é quando ele fala para Sherlock sobre sua relação com Mary e o amor como um todo: “Mary estava errada. Ela me ensinou a ser o homem que ela já acreditava que eu era. Você precisa disso”. Freeman alterna entre muitas emoções somente nessa frase e tudo culmina em um plano belíssimo que sintetiza o sentimento que sentem um pelo outro.

abraco

Se em “The Six Thatchers” eu apontei que a direção era gratuita em alguns momentos, nesse capítulo todos os elementos visuais trabalham para apresentar a história da melhor maneira possível.  Nick Hurran comanda o episódio e consegue criar toda uma atmosfera que reflete diretamente o estado de espírito dos personagens. E até mesmo detalhes que passariam despercebidos de grande parte do público, como um tapete na sala da terapeuta de John, passam a ter um outro significado conforme a trama se desenrola.

Por fim, “The Lying Detective” apresenta um gancho de explodir cabeças em seus últimos segundos e joga com a expectativa do público para o que vem por aí. É um elemento narrativo delicado envolvendo o passado de Sherlock e Mycroft, mas pode ser muito bem explorado se trabalhado da maneira certa em “The Final Problem”. Muitas teorias já pipocaram a partir da revelação, porém, só teremos a resposta correta na próxima semana. O jogo começou!

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