Review | Watch Dogs 2

Com tom bem diferente do original, continuação consegue divertir apesar dos exageros

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Review | Watch Dogs 2

Watch Dogs 2 tem um passado muito obscuro para superar. O primeiro título foi divulgado como algo muito maior do que era e que causou polêmica na época, com design mal feito, bugs altamente problemáticos e uma história que pouco importava. Tudo isso deixou um gosto ruim que a continuação precisaria tirar.

O problema é que o novo título é um jogo difícil de respeitar. Não por ser ruim, muito longe disso. Mas ele não respeita a si mesmo e não dá motivos para que você faça isso, já que tenta de forma exagerada se redimir, lembrando o jogador o tempo todo do quanto ele é legal e inusitado. E ele é mesmo, a gente admite isso. Queremos gostar de você, cara, mas não precisa forçar a barra.

Hackers descolados

Controlamos Marcus Holloway, o mais novo membro do DedSec, um grupo de hackers secreto da franquia. Esta vertente do grupo em São Francisco é muito mais descolada do que a original, com membros jovens e excêntricos que adoram fazer referências à cultura pop, o que é legal, mas têm visuais, atitude e falas quem parecem ter vindo diretamente da visão que o mundo tinha dos hackers maneiros nos anos 80.

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O objetivo deles é derrubar grandes corporações e pessoas corruptas, principalmente a Blume Corporation e seu líder, Dušan Nemec, que criou o sistema operacional que comanda toda a cidade, o ctOS 2.0. No entanto, fica difícil se importar com os membros do DedSec ou com a história do jogo em geral quando tudo o que acontece é exagerado e as motivações dos personagens se contradizem com as mecânicas.

Por exemplo, você passa a maior parte do jogo causando acidentes, matando pessoas inocentes, lendo e ouvindo a vida privada delas e roubando suas contas bancárias. Mas seu objetivo é acabar com a corrupção e a manipulação da informação? Não dá para engolir.

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Isso deveria ser uma questão de dilema ético representado no próprio game design, mas Watch Dogs 2 não trabalha isso. Você é punido por matar alguém com a polícia indo atrás de você, ótimo. Mas roubar pessoas aleatoriamente na rua e causando o caos na cidade, por exemplo, não gera nenhum tipo de consequência.

Este é um dos motivos que fazem as missões secundárias muito mais interessantes do que as principais e, no fim, é mais divertido ser um hacker sem leis do que o que a história do jogo tenta propor.

Comandando o mundo digitalmente

De modo geral, as missões, principalmente secundárias, costumam ter mais ou menos o mesmo modelo: invadir um lugar, hackear um terminal, executar uma ação que o roteiro pede e fugir. No entanto, as formas para fazer isso são bastante diversas e é agradável poder variar entre uma estratégia e outra.

Normalmente é necessário invadir um local, seja por força bruta ou de forma furtiva, mas em alguns casos você pode concluir a missão sem sequer colocar o pé dentro da área, podendo enviar um drone ou um carrinho de controle remoto chamado Jumper para concluir o objetivo em segurança. As várias habilidades do protagonista também garantem um bom leque de opções para cumprir uma missão.

Slender?
Slender?

Por conta disso, explorar o mundo é essencial. Além de customizações visuais, os colecionáveis também podem garantir pontos para ativar habilidades, então sempre vale a pena obtê-los assim que possível. Muitas destes “poderes” facilitam seu trabalho durante as missões ou são simplesmente divertidos de utilizar enquanto passeia por São Francisco.

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Aliás, brincar na cidade é muito bom. Ler ou ouvir conversas alheias, uma mais absurda do que a outra, é engraçado, principalmente por ser uma boa sátira do que as pessoas fazem na vida real. Uma pena que em pouco tempo fica fácil encontrar diálogos repetidos.

Também me diverti muito olhando a ocupação profissional e acontecimentos recentes daqueles NPCs. Um, por exemplo, era um artista hentai amador. Uma outra gosta de visitar cafés com gatinhos. Estes detalhes já existiam no primeiro título e também ajudam a dar vida ao mundo de Watch Dogs 2. Mesmo que a maioria esmagadora desses personagens, no fundo, sejam meramente enfeite., faz parecer que eles são importantes de alguma forma.

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Claro que no processo de explorar e se tornar um hacker do caos você acaba encontrando bugs, até com certa frequência. Mas nenhum deles chegou a atrapalhar a jogatina, como costumava acontecer no primeiro jogo.

Falando em problemas, infelizmente não pude testar as funções online para o review, como as missões cooperativas, já que o serviço teve problemas durante os primeiros dias do jogo e permaneceu inativo. O que é irônico em um jogo que representa um mundo onde tudo é conectado na rede.

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Redenção

Watch Dogs 2 é um jogo que se leva muito menos a sério do que seu antecessor. Isso é uma coisa boa, até começar a exagerar, o que acaba sendo um pouco incômodo. As contradições entre a história e as mecânicas também atrapalham a imersão, mas não chega a estragar a experiência, já que o forte do título está em brincar de hacker, seja um bonzinho ou não.

Mesmo com todos os seus problemas, a continuação consegue ser boa o bastante para limpar o nome que ficou sujo por conta dos defeitos do primeiro, mesmo que não tenha sido de forma perfeita.

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Watch Dogs 2 foi lançado em 15 de novembro para PlayStation 4 e Xbox One. A versão de PC está prevista para 29 de novembro. Esta análise foi feita com uma cópia do jogo para PlayStation 4 cedida pela Ubisoft.