Ano após ano a franquia Call of Duty retorna para alegrar os fãs com sua clássica fórmula, algo que alguns jogadores apreciam, enquanto outros já parecem cansados de ver. Mas como Infinite Warfare, o jogo mais recente desenvolvido pela Infinity Ward, se comporta em relação aos últimos títulos da série?
Novo cenário espacial, velha guerra
Na campanha solo, você é Nick Reyes, que se torna capitão de uma nave da United Nations Space Alliance (UNSA) e começa a enfrentar os terroristas de marte da Settlement Defence Front (SDF), liderada pelo Almirante Salen Kotch. Para isso, é necessário concluir missões em diversos cantos do sistema solar.
De modo geral, o jogo faz um bom trabalho tornando os heróis críveis, graças a detalhes como os diálogos bem escritos de Reyes com a amiga Salt, mas todos os personagens são desinteressantes. Até mesmo Kotch, interpretado por Kit Harington (Guerra dos Tronos) é um vilão muito pouco memorável. No fim, o que apresentou mais personalidade e carisma foi Ethan, o que é irônico, já que ele é um robô.
Mas, apesar dos personagens bem desenvolvidos, o mesmo não pode ser dito da história. Com um ritmo arrastado e acontecimentos pouco coerentes, fica difícil se importar com o que está acontecendo na tela.
A jogabilidade também ajuda pouco para mudar isso. A campanha conta com sete missões, sendo que apenas as duas últimas conseguem empolgar um pouco. O principal motivo é pouca variedade de gameplay, já que o jogo segue o modelo consagrado da franquia no qual tudo o que acontece precisa seguir um roteiro. Por conta disso, para avançar na campanha é necessário fazer exatamente o que o jogo quer.
Isso chega a níveis extremos em alguns momentos: em uma determinada missão, que começa furtiva, tentei participar do jogo, mas sempre que fazia algo dava tudo errado e acabava morrendo. Depois de diversas tentativas, descobri que o certo era simplesmente não fazer nada e apenas olhar os companheiros NPCs avançarem por vários minutos. Só podia interagir quando eles pediam especificamente.
A campanha também traz seguimentos em uma nave (a Jackal) e combates em gravidade zero. Ambos contam com amplos espaços tridimensionais e vazios, o que significa que a jogabilidade sofre com a falta de guias para se localizar, como um minimapa. Além disso, essas passagens são sempre iguais, apenas em cenários diferentes, o que torna a ação repetitiva.
Além das tarefas principais, também é possível participar de missões paralelas, que são opcionais e podem ser realizadas em qualquer ordem. Aqui é possível experimentar alguns momentos diferentes, como infiltrações na nave inimiga. No entanto, há pouco incentivo para concluí-las, já que apenas habilitam equipamentos para a campanha solo, que são dispensáveis, e permitem caçar os inimigos classificados como “Mais Procurados” para quem gosta de completar coleções.
O visual, por outro lado, é espetacular no modo história, com cenários detalhados e bastante variados, graças a missões em locais exóticos do espaço, como Titã, famosa lua de Saturno, e uma colônia de mineração incandescente próximo ao Sol.
Combates frenéticos online
Como já é costume da franquia, a diversão real está no multiplayer, com todos os modos de jogo populares já conhecidos pelos jogadores. Desta vez, no entanto, a ação fica mais variada com a possibilidade de dar um impulso extra ao pular ou de correr nas paredes, embora a execução não esteja no mesmo nível do que vemos em Titanfall 2, por exemplo.
Unidos a isso, também há bastante variedade na hora de montar seu soldado. O jogo traz de volta o sistema Pick 10, com o qual você tem dez pontos para gastar ao escolher entre armas, acessórios e equipamentos. Além disso, é possível escolher diferentes RIGS, arquétipos de personagens que determinam suas habilidades passivas e a arma especial.
Os mapas fazem um bom uso destas novidades. A temática futurista permite um design diferente para alguns locais, fazendo com que os mapas pequenos possibilitem ainda mais caminhos diferentes para os participantes. Tudo isso cria novas formas de engajar em combate e de se movimentar pelo mapa.
Mas nem tudo são flores. Durante os testes, diversas partidas sofreram com conexões perdidas ou alta latência — algo que atrapalha muito um jogo de tiro em primeira pessoa. Alguns modos de jogo, como o Linha de Frente, também têm dificuldades para encontrar jogadores e, em determinados momentos, cheguei a ficar mais de 30 minutos buscando uma partida sem resultado.
Mortos-vivos no espaço
O modo de sobrevivência também retorna em Infinity Warfare, desta vez chamado de Zombies in Spaceland. Com este nome, é de se esperar que siga o estilo futurista do resto do jogo, mas não. Na verdade, a estética homenageia os anos 80 e tem uma ambientação mais cômica.
No modo, você e mais três pessoas são jogados em um parque temático infestado de zumbis. A tarefa é a mesma de sempre: sobreviver pela maior quantidade de tempo possível. No entanto, para isso você acumula pontos para adquirir armas e acessórios durante a partida.
Além de escolher seu equipamento no início da partida, você também pode montar um deck de cartas que representam habilidades especiais para seu personagem, o que ajuda a se manter vivo contra os diferentes tipos de zumbis.
O mapa é grande e pode ficar ainda maior ao abrir novas passagens. Por conta disso, pode ser perigoso agir sem uma estratégia em grupo. Caso jogue com estranhos online, fica ainda mais difícil, com o time dispersando frequentemente para diferentes cantos do parque.
O modo é divertido, mas é bastante repetitivo, sendo mais indicado para pessoas que gostam de superar desafios em um estilo arcade, de preferência ao lado de amigos.
Mais do mesmo
O jogo que continua seguindo o modelo consagrado em Modern Warfare em termos de jogabilidade, com um multiplayer divertido, mas uma campanha solo com ritmo que sofre por com um péssimo design e uma história pouco inspirada.
Call of Duty: Infinite Warfare não é de forma alguma ruim, mas a falta de novidades o torna rapidamente cansativo, dando poucos motivos para adquirir o novo título. Fica claro que a Infinity Ward preferiu não se arriscar com inovações, entregando mais uma vez para o público a mesma coisa que já vimos em anteriormente na própria franquia ou em jogos de outras empresas.
Call of Duty: Infinite Warfare foi lançado em 4 de novembro para PC, PlayStation 4 e Xbox One. Esta análise foi feita com uma cópia do jogo para PlayStation 4 cedida pela Activision.