Resgate | Crítica

Mesmo com um roteiro comum, a nova produção da Netflix entrega ação da melhor qualidade

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Resgate | Crítica

Resgate, o mais novo filme de ação original da Netflix, traz diversos nomes conhecidos do público por causa das produções da Marvel. O nome que mais chama a atenção é Chris Hemsworth, o eterno Thor, que vive o personagem principal do longa, Tyler Rake. Já a produção é de Joe e Anthony Russo, diretores de Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato. Joe também é roteirista do filme. David Harbour, o Guardião Vermelho do vindouro Viúva Negra, figura no elenco ao lado de Hemsworth, interpretando Gaspar. Por fim, a produção é dirigida por Sam Hargrave, coordenador dos dublês dos dois últimos filmes dos Vingadores.

Um time com nomes de peso, e nomes que sabem bem o que, no geral, o público quer.

A trama é baseada na HQ Ciudad, escrita por Joe Russo e Andre Parks. A história não é exatamente original e acompanha Tyler, um mercenário chamado para um trabalho que, por parecer impossível, é justamente encaminhado a ele. O filho de um dos chefes do crime indiano é sequestrado por seu maior rival e cabe ao solitário e violento protagonista salvá-lo. O roteiro não tenta se aprofundar demais nos dramas pessoais de Tyler – e nem de ninguém –, e apenas dá a profundidade necessária para que o filme funcione, faça sentido, e apresente cenas de ação da melhor maneira possível.

E são as de ação o destaque de Resgate, superando expectativas. Hargrave, que dirige o longa, é um famoso dublê de Hollywood e, ao assinar uma produção, não poderia decepcionar quanto às cenas que envolvem lutas, explosões e velocidade. Os embates apresentados são extremamente bem coreografados, sem cortes rápidos, permitindo que o espectador possa contemplar tais cenas. Sem uma edição confusa – típica dos filmes gênero.

A trilha musical é usada com muita parcimônia e quase não está presente nas sequências de ação, tornando as cenas mais reais. A falta de música pode até causar um estranhamento no começo, mas a imersão acontece por meio do capricho do diretor nesses momentos. O filme inteiro conta com cenas de tirar o fôlego, como a sequência de 11 minutos que começa com uma perseguição de carros, passa por lutas corpo corpo, até chegar a saltos e diversos outros artifícios; tudo isso em um plano-sequência falso, mas dirigido de maneira certeira e assertiva. Em outro momento, este mais para o final do filme, um grande combate acontece em cima de uma ponte, com tiroteiro, helicópteros e explosões – cena que contou com o trabalho de 56 dublês.

O cenário, outro ponto crucial da obra, mostra a capital de Bangladesh, Daca, como um local apertado, que não consegue manter de modo saudável toda a sua população. O visual amarelado, quase que um filtro sépia, passa a impressão de poluição, calor e sufocamento, sem muitas opções em meio a tantas construções precárias e superlotadas.

Quanto às atuações, a de Hemsworth é a única que realmente se destaca, provando que o ator consegue viver outros tipos de heróis, com uma ironia, frieza e violência que nem sonhávamos ver no Deus do Trovão. David Harbour, por outro lado, tem pouco tempo de tela e seu personagem serve apenas para levar a narrativa para frente, assim como quase todos os outros presentes no longa.

Resgate é um filme de narrativa simples, mas que se destaca por entregar ótimas cenas de ação, com sequências muito bem dirigidas e ensaiadas. Chris Hemsworth pode até ser o chamariz para a obra, mas é a boa atuação do ator, misturada ao trabalho minucioso de Sam Hargrave que faz com que o filme seja uma boa opção para os amantes do gênero.