O Senhor dos Anéis | Conheça a história da Queda de Númenor, que pode inspirar a série

Mito apresentado em O Silmarillion deve ser contado na produção da Amazon

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
O Senhor dos Anéis | Conheça a história da Queda de Númenor, que pode inspirar a série

Após a Amazon divulgar diversos mapas da Terra-média, e anunciar que a série de O Senhor dos Anéis se passará durante a Segunda Era da mitologia de J.R.R. Tolkien, começou a especulação de que, além de mostrar a forja dos Anéis de Poder, a série deve mostrar a história da Queda de Númenor.

A Queda de Númenor é a quarta parte de O Silmarillion, ocupando cerca de 30 páginas do livro que compila os contos antigos da Terra-média. Nela, Tolkien vai contar o que aconteceu sob a perspectiva de Elendil, pai de Isildur, aquele que, no momento crucial, não conseguiu destruir o Um Anel nas fendas da Montanha da Perdição.

[Atenção! Spoilers de O Silmarillion abaixo]

Númenor era a maior das civilizações dos Homens. A grande ilha, localizada no sudoeste da Terra-média, é descrita como sendo um local de grande abundância de flora e fauna, com animais e plantas que jamais poderiam ser encontrados em outro lugar.

O reino também estava localizado nas proximidades de Aman, a terra dos Valar, os poderosos deuses que, na hierarquia divina, estão logo abaixo do Pai de Todos, Eru Ilúvatar. Os Númenorianos, porém, não poderiam velejar à Aman.

Por 2.500 anos, a vida em Númenor foi próspera, e sem grandes problemas. Isso começa a mudar quando os Númenorianos decidem ajudar o rei elfo Gil-galad em sua primeira incursão contra Sauron, o Escuro, que, no alto de sua maldade, havia forjado os Anéis de Poder e o Um Anel, visando dominar tudo e todos. O exército dos Homens chega à batalha com grande força, espantando os povos da Terra-média.

Sauron, com suas estratégias de enganação, finge estar amedrontado pelos Númenorianos, e acaba se rendendo. O rei de Númenor, Ar-Pharazôn, leva o Escuro para a ilha, e lá o mantém prisioneiro. Com o passar do tempo, o Inimigo passa a envenenar a mente dos Homens e de seus governantes, despertando neles a inveja pela imortalidade daqueles que podiam entrar em Aman.

Após anos e anos, submissos aos jogos mentais de Sauron, os Númenorianos declaram guerra aos Valar, decididos a invadir Aman, com o maior exército já visto. Ao chegarem lá, Manwë, o líder dos deuses de Aman, se recusando a participar da batalha, invoca Eru Ilúvatar, e o Pai de Todos então muda o formato do planeta: o disco chato se torna esférico, e Aman desaparece de uma vez por todas.

A mudança geográfica faz com que Númenor seja consumida pelos oceanos, dizimando quase todos os Númenorianos. Sauron, que estava na ilha, tem seu corpo desfigurado, e retorna em sua forma sinistra para Mordor, onde, então, constrói sua armadura, inspirado pelo visual de Morgoth, o Senhor do Escuro.

Nove navios de Númenorianos sobrevivem à catástrofe, e são levados para o litoral da Terra-média. Elendil torna-se parte importante da Última Aliança dos Homens e dos Elfos contra Sauron. Em uma grande batalha, Sauron finalmente perde grande parte de seu poder, e só não acaba dizimado de uma vez por todas porque Isildur, filho do Rei, não consegue se livrar do Um Anel nas chamas da Montanha da Perdição.

Depois disso, os Homens do Oeste começam a desaparecer aos poucos e, na Terceira Era, quando acontecem os eventos de O Senhor dos Anéis, Aragorn se torna o último dos Númenorianos. Apesar das semelhanças da história de Númenor com a queda de Atlantis, a cidade lendária da mitologia grega, Tolkien sempre negou que o reino dos Homens do Oeste era a sua própria versão dos atlantes.

Em uma carta enviada a Peter Hastings, gerente de uma livraria de Oxford, Tolkien explica que, através da lenda de Númenor, ele queria mostrar como uma decadência moral poderia acabar com uma civilização:

Eu espero, se isso não for apenas a presunção de alguém mal-informado, ter uma história que seja objeto de elucidação da verdade, que encoraje os bons valores no mundo real, usando o velho instrumento de se exemplificá-los através de uma narrativa que não é familiar, visando trazê-los para o bom caminho. Mas, é claro, eu posso estar errado (em algum ou todos os pontos): minhas verdades podem não ser verdadeiras, e o espelho que eu criei pode ser opaco e quebradiço.

A criação de mitos, que Tolkien denominou como “sub-criação”, é uma prática que gera resultados longevos, que falam grandes verdades aos leitores. No ensaio Beowulf: The Monsters and the Critics, o autor disse:

A significância do mito não pode ser colocada no papel, e nem ser avaliada por um raciocínio analítico. É algo que, no melhor dos casos é expressado por um poeta que sente mais do que expõe seus temas. O mito é algo vivo em todas as suas partes, algo que morre antes de ser realmente dissecado.

Em A Queda de Númenor é exatamente isso que Tolkien apresenta, uma obra que trata de seus temas de forma mais sentimental e sensorial do que realmente explícita. Algo que acaba sendo recorrente em toda a obra do autor.

Por enquanto, a Amazon não confirmou oficialmente que A Queda de Númenor será mostrada na série de O Senhor dos Anéis, mas, dado o significado dessa história para a Segunda Era, é bem provável que isso realmente aconteça.

Você pode explorar o mapa completo da Terra-média nesse link. Com a confirmação de que o programa vai se passar na Segunda Era, cai por terra a teoria de que o jovem Aragorn seria o protagonista da série.

A série de O Senhor dos Anéis não teve seu elenco anunciado, e nem uma data de estreia divulgada.