Man of Medan | Review

Jogo de terror tem alguns tropeços, mas já demonstra o potencial da saga Dark Pictures

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Man of Medan | Review

Seja um jogo ou um filme de terror, a experiência é sempre melhor quando acompanhada, não é mesmo? O estúdio Supermassive Games, o mesmo de Until Dawn, decidiu usar e abusar dessa “vantagem” em seu mais novo game, Man of Medan.

O título, que é o primeiro capítulo da saga The Dark Pictures, acompanha uma trama simples que leva um grupo de cinco jovens para uma “expedição” indesejada no The SS Ourang Medan, um navio fantasma que naufragou em 1947. O  jogo é baseado em um sistema de escolhas, podendo vários protagonistas morrerem (ou até mesmo, todos), o que resulta em múltiplos caminhos e finais. Se alguém morrer, será realmente o fim e o jogador terá que se conformar e seguir em frente.

Mas o jogador não precisa depender apenas da sorte em suas escolhas para evitar a morte dos personagens. O Curador, um homem misterioso que narra a história, dá dicas do que pode acontecer e de como é possível encontrar premonições dentro de pinturas ao decorrer do game, que ajudam na hora de decisões determinantes.

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É melhor tomar cuidado porque até uma simples decisão de diálogo pode resultar em mortes…

A campanha é dividida entre dois modos cooperativos: a História Compartilhada e a Noite de Filme. O primeiro conecta 2 jogadores online, já o outro é apenas local e suporta até 5 jogadores. Também é possível jogar sozinho — mas, acredite, você não vai querer fazer isso, porque grande parte da diversão depende de estar acompanhado.

A História Compartilhada é o modo mais interessante porque cada jogador tem sua própria perspectiva e pode até mesmo ver cutscenes diferentes, mas, quando estiverem juntos, se um deles errar em algum momento, a situação pode ficar complicada para os dois. Portanto, as ações de cada um interferem na experiência compartilhada.

Nesse sistema, os jogadores vão trocando automaticamente os personagens, podendo jogar um pouco com cada um deles. Essa constante troca acaba sendo uma faca de dois gumes porque, por um lado, ela existe para que o jogo continue normalmente caso alguém morrer, mas também faz com que fique difícil para realmente se importar com os protagonistas.

Já na Noite de Filme, cada jogador controla apenas um personagem e, como é apenas local, todos vão ter que se virar no velho “morreu, passa o controle!”. Seu maior diferencial é uma contagem de pontos que, a cada acerto ou item encontrado, vão se acumulando. Quando chegar ao fim, todos vão poder comparar suas pontuações para ver quem é o vencedor (ou aquele que errou menos!).

Uma simplicidade desafiadora

Man of Medan é um excelente exemplo de como uma jogabilidade pode ser simples e minimalista, baseada em poucos botões, mas ainda oferecer uma dificuldade desafiadora.

Isso acontece principalmente por conta dos sistemas de escolha com tempo, dos já conhecidos “Quick Time Event” (QTEs) e do novo sistema de controlar os batimentos cardíacos dos personagens em momentos de tensão.

Este último é um mini game de ritmo que aumenta gradualmente a velocidade, chegando a ficar tão intenso que até te faz segurar sua própria respiração junto com os personagens.

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Se você errar o ritmo, vai desejar não ter feito isso!

Todos esses recursos funcionam com dois ou, no máximo, três botões, mas, graças à atmosfera que o jogo cria, fica difícil fazer tudo certo na hora certa, tendo uma dificuldade bem equilibrada e justa.

Essa simplicidade no gameplay também é convidativa para aqueles que não são tão familiarizados com videogame. Só é preciso apreciar o gênero do terror para poder embarcar em Man of Medan e aproveitar tudo que ele tem a oferecer.

Terror, mas nem tanto…

O game sabe criar uma boa atmosfera de suspense e mistério, deixando o jogador instigado a entender o que diabos está acontecendo naquele navio fantasma.

No entanto, os elementos de terror acabam pesando em uma trilha sonora que não impressiona e jumpscares simples — o que pode deixar os fãs mais ávidos do gênero um pouco decepcionados.

Tudo isso acabou dando a impressão de que os desenvolvedores ficaram mais preocupados em manter a ideia constante de que qualquer um pode morrer a qualquer momento em vez de realmente montar um terror bem construído.

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Jumpscares com cadáveres são o máximo de terror que o jogo consegue alcançar

No fim, o maior problema de Man of Medan é que ele poderia ter sido muito mais do que é, em vários aspectos. Mas o seu principal vilão acabou sendo o seu tempo de duração. A história é curta demais e quando as coisas realmente empolgam, ela acaba. Isso deixou um gostinho de quero mais (só que não no bom sentido).

Agora, olhando apenas para o saldo positivo, o game já demonstrou que a saga The Dark Pictures tem um enorme potencial para oferecer bons jogos de terror no estilo cooperativo, o que é algo diferente na indústria atual. Vamos esperar para conferir o que o próximo capítulo terá a oferecer. Nos vemos em Little Hope!


Man of Medan está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One. Este review foi feito com uma cópia para PlayStation 4 cedida pela Supermassive Games.