Imperdoável | Crítica

Drama da Netflix tem grande atuação de Sandra Bullock, mas erra no desenvolvimento de personagem importante

Camila Sousa Publicado por Camila Sousa
Imperdoável | Crítica

Quando pensamos sobre o papel da cultura pop, no geral temos a ideia de entretenimento e diversão – que é uma parte importante da indústria. Porém, filmes e séries também têm o poder de gerar discussões, e é isso o que acontece ao assistir Imperdoável, novo filme original da Netflix estrelado por Sandra Bullock.

A produção é inspirada na minissérie de mesmo nome, lançada em 2009, e conta a história de Ruth, uma mulher que deixa a prisão após cumprir pena por assassinato e vai em busca da irmã mais nova para saber como ela está atualmente.

A escolha de Bullock para o papel principal é um dos maiores acertos de Imperdoável, já que grande parte do filme é sobre ela e a atriz passa ao público com sucesso todas as nuances de Ruth. Em diversos momentos, a protagonista sente um misto de vergonha, raiva e fragilidade, com uma intensidade que só é possível entender ao chegar ao final da história.

Dirigido por Nora Fingscheidt (Transtorno Explosivo), o longa retrata de forma crua como é a vida de uma pessoa que deixa a prisão após uma condenação de duas décadas. Além do estranhamento de estar novamente dentro da sociedade, Ruth sofre diversos tipos de discriminação e o filme acerta ao jogar o questionamento para o público: você faria o mesmo se estivesse no lugar dessas pessoas?

Essa discussão é ampliada pelos personagens que orbitam a vida de Ruth, e são interpretados por um grande elenco, incluindo Jon Bernthal, Vincent D’Onofrio e Viola Davis. Cada um deles reage de uma forma ao saber sobre o passado da protagonista, desde aqueles que a acolhem, até os que sentem medo dela.

Porém, enquanto Ruth é bem desenvolvida, o mesmo não acontece com sua irmã, o que gera uma perda enorme para a narrativa. Com menos tempo de tela do que a minissérie, Imperdoável sofre para balancear os dramas da protagonista com sua principal motivação, e isso gera uma desconexão: em vários momentos, é difícil entender por que Ruth está tomando certa atitude, e isso está ligado diretamente ao fato da relação com a irmã não ser aprofundada.

Apesar desse problema, Imperdoável cumpre o papel de gerar um debate sobre a vida de ex-condenados nos EUA, e falar sobre como a sociedade recebe essas pessoas de volta. Ainda que seja melancólico encarar esse cenário tão duro, o longa acerta ao passar a sensação de que é preciso olhar para esse tema com mais sensibilidade e menos julgamento.

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