Halloween | Crítica

Filme traz o espírito do original para os dias de hoje

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
Halloween | Crítica

Seguindo a onda de O Massacre da Serra Elétrica, de 1974, o diretor John Carpenter lançou, em 1978, o primeiro Halloween, inaugurando a chamada Era de Ouro dos filmes slasher, subgênero do terror onde acompanhamos um psicopata determinado a matar um grupo inteiro de pessoas — normalmente adolescentes.

Nos anos seguintes, Halloween virou uma franquia que rendeu, no total, dez filmes Ao lado da Blumhouse, produtora que caiu nas graças dos fãs de terror nos últimos anos, a Universal lança agora Halloween, um novo capítulo da franquia que leva em conta apenas os acontecimentos do original e mostra o retorno de Michael Myers a Haddonfield, 40 anos depois de sua última matança.   

O grande trunfo do novo Halloween foi conseguir trazer para os dias atuais todo o espírito do original, usando referências do mesmo para subverter alguns dos clichês que o próprio Carpenter apresentou ao gênero na época. Laurie Strode, novamente vivida por Jamie Lee Curtis, deixa de lado o título de “Last Girl”, termo usado pelos estudiosos do cinema para designar a garota que acaba sobrevivendo no final de um slasher, para assumir um protagonismo empoderado, que a coloca como heroína ativa da história, e não mais como uma mera sobrevivente.

Laurie agora é uma badass isolada da própria família que está esperando o momento certo de se encontrar com Michael Myers uma última vez e deixá-lo no passado de uma vez por todas. Além do roteiro trazer todos esses elementos, Curtis dá ainda mais força para a personagem, deixando-a em constante estado de alerta, que é manifestado através de diversos maneirismos, como o fato da personagem estar sempre com os olhos em movimento, escaneando o ambiente em busca de algum perigo.

Carpenter, além de ser produtor executivo do projeto, assina a trilha sonora do longa, que reaproveita o clássico tema da franquia e traz mais uma série de músicas repletas de teclados e sintetizadores, que, assim como no original, causam alguma estranheza e desconforto nos ouvidos por não trazerem tempos, andamentos e harmonias convencionais.

A direção de David Gordon Green é eficiente, e o cineasta entende que muitas vezes não mostrar o “monstro” é mais assustador do que de fato mostrá-lo, sabendo como movimentar a câmera para deixar certas ações de Michael Myers apenas subentendidas, deixando ao espectador a tarefa de imaginar o que aconteceu. Apesar de ser funcional, a direção não é original, já que replica, com certa fidelidade, o estilo que Carpenter deu ao primeiro filme.

Até o momento, não sabemos se esse Halloween será um novo capítulo da franquia. Se ele não for, ao menos tivemos um encerramento triunfal para essa saga.