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Guardiões da Galáxia Vol. 3 encerra jornada com triunfo cósmico | Crítica
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Guardiões da Galáxia Vol. 3 encerra jornada com triunfo cósmico | Crítica

Equipe da Marvel se despede em filme épico e comovente à altura de seus heróis

Gabriel Avila
Gabriel Avila
28.abr.23 às 18h30
Atualizado há mais de 1 ano
Guardiões da Galáxia Vol. 3 encerra jornada com triunfo cósmico | Crítica
Guardiões da Galáxia vol. 3/Marvel/Divulgação

Quase dez anos atrás, os Guardiões da Galáxia chegaram aos cinemas em um sucesso surpreendente. Com a função de expandir o núcleo cósmico do Universo Marvel, o primeiro filme apresentou personagens carismáticos e os colocou em uma jornada regada a ação, humor e emoção. Esse equilíbrio, que carregou a equipe ao longo de vários longas – e um especial de Natal –, chega ao ápice em Guardiões da Galáxia Vol. 3, que marca a despedida da equipe em um épico bíblico divertido e comovente.

Uma das primeiras informações a respeito de Guardiões da Galáxia Vol. 3 foi a de que o filme marcaria o adeus a essa versão do time. Ótima para o marketing ao criar uma expectativa instantânea no público, a decisão é acompanhada por um grande desafio. Afinal de contas, se essa é a última vez que o público verá personagens tão queridos, a experiência precisa ser memorável ao ponto de compensar o gosto amargo da partida.

De volta como roteirista e diretor, James Gunn se desdobra para recriar a magia dos filmes anteriores sem esquecer de trilhar um caminho próprio. Desta vez, os Guardiões unem forças para salvar a vida de Rocky (Bradley Cooper), objetivo que os coloca em choque com o Alto Evolucionário (Chukwudi Iwuji), vilão com forte ligação com o passado do guaxinim.

A corrida contra o tempo para salvar um dos membros da equipe é ponto central da trama, capaz de unir tanto novos ingredientes, quanto retomar ganchos deixados por filmes anteriores, como Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017) e Vingadores: Ultimato (2019). Uma decisão que força a história a fugir do caminho óbvio, mas leva a produção a cometer alguns deslizes ao precisar forçar conexões que surgem abruptas.

Esse problema aparece logo no início, que sofre com um ritmo truncado até estabelecer a nova problemática, e se repete na participação de certos núcleos, cuja inclusão na história é pouco orgânica, ainda que a trama se esforce para justificá-la. Uma questão que prejudica a aguardada chegada de Adam Warlock, que faz o ótimo Will Poulter variar entre coadjuvante de luxo e um deus ex machina ambulante. A boa notícia é que esses contratempos não passam perto de tirar o brilho do projeto.

Guardiões da Galáxia Vol. 3 torna fácil fazer vista grossa às suas derrapadas graças aos enormes acertos. Consciente do que o público espera de uma aventura do grupo, James Gunn traz de volta a consagrada mistura entre super-herói, ficção científica e comédia com toques de nostalgia. Uma fórmula aprimorada ao longo da trilogia e que atinge seu auge aqui.

A primeira prova de que o longa acerta o alvo está na evolução de seus personagens. Ao contrário de outros heróis da Marvel, que parecem regredir a cada filme, cada membro da equipe carrega consigo o crescimento adquirido em toda a jornada. Uma sensação recompensadora que engrandece a experiência ao valorizar a bagagem dos personagens e do público que os acompanha há anos.

Chega a ser um alívio ver o amadurecimento de nomes como Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e Nebulosa (Karen Gillan), que poderiam facilmente passar por todo o MCU seguindo as características básicas de quando foram apresentados. O mesmo acontece a Groot (Vin Diesel), Drax (Dave Bautista) e Mantis (Pom Klementieff), que desenvolvem novas características sem abandonar o alívio cômico. Até mesmo Gamora (Zoe Saldana), que tem motivo plausível para regredir, traz uma complexidade que evita o gosto de repetição.

A evolução dos personagens é acompanhada pelo crescimento do escopo da produção – algo que parecia improvável considerando que o cenário dos Guardiões é literalmente a Galáxia. Em sua última rodada com os personagens, Gunn comanda cada sequência com o máximo de empolgação possível, recorrendo a diferentes ferramentas para manter o espectador envolvido, deslumbrado e surpreso. Por vezes, tudo isso junto.

Não à toa, o diretor toma a ousada decisão de tratar Guardiões da Galáxia Vol. 3 como um verdadeiro épico bíblico. É constante o sentimento de que os personagens estão lidando com coisas maiores do que a vida, com direito a eventos que fazem paralelos diretos com as escrituras cristãs sem soar piegas. Uma abordagem que coloca em tela a grandiosidade com que o realizador enxerga a obra e que faz todo sentido com o grande conflito do filme: o confronto com o próprio criador.

Problema com os pais é um tema recorrente nos filmes da equipe e o Vol. 3 não quebra a tradição. Desta vez, a problemática é encarnada no Alto Evolucionário, que entra instantaneamente para o panteão de melhores vilões da Marvel nos cinemas. Cruel e explosivo, o personagem vivido por Chukwudi Iwuji foge da tendência de figuras malignas justificadas e simplesmente é levado a brincar de deus por sua natureza implacável.

Com isso, ele cumpre com louvor o papel do vilão em representar a antítese dos heróis e colocá-los constantemente em perigo. Um medo, aliás, acompanhado pelo constante lembrete de que, por ser a despedida do grupo, cada deslize pode ser fatal. Isso deixa o público em estado de alerta constante ao colocar vidas em risco de surpresa em meio a momentos aparentemente cômicos.

Navegando entre comédia, ação e até horror que o Guardiões da Galáxia Vol. 3 apresenta sua cartada final: a emoção. Fazendo jus à franquia, que é cheia de momentos singelos e comoventes, o capítulo final não fica atrás. Apesar de trilhar um caminho que vez ou outra beira o apelativo no quesito sofrimento, a narrativa constrói momentos de emoção genuína. Uma comoção que varia com o nível de apego aos personagens, mas que pode tranquilamente chegar às lágrimas.

É com essa mistura que os Guardiões da Galáxia – ao menos esta versão da equipe – se despedem do universo Marvel. Chega a ser curioso que dar adeus a esses personagens seja um desafio, considerando que, em 2014, eles eram tão obscuros que era preciso comparar com outras obras para descrevê-los. Quase uma década depois, isso não é mais necessário, graças a uma invejável combinação de criatividade e paixão. Um belo legado para um grupo de esquisitões formados por figuras como uma árvore e um guaxinim falante.

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