GTFO | Review

Um jogo para quem busca desafios

Bruno Silva Publicado por Bruno Silva
GTFO | Review

O caminho trilhado por GTFO rumo ao lançamento de sua versão finalizada foi similar ao seu loop de gameplay: um processo lento, cuidadoso e metódico.

Após uma jornada de mais de seis anos de desenvolvimento que contou com um anúncio no The Game Awards de 2017 e mais de dois anos em acesso antecipado no Steam, o game finalmente chegou a sua primeira versão finalizada – 1.0 – em dezembro deste ano.

Para quem, assim como eu, vai ter o seu primeiro contato com o jogo nessa versão, vale explicar o que é GTFO. Desenvolvido por profissionais envolvidos em games como Payday, o título coloca você como um prisioneiro que é forçado a explorar, ao lado de mais três colegas de cela, um asteroide infestado de criaturas perigosas a mando de uma entidade misteriosa chamada Warden.

O pretexto é o suficiente para colocar o jogador em mapas nos quais é preciso buscar itens e, sobretudo, recursos escassos para continuar sobrevivendo a um ambiente hostil e repleto de alienígenas. Pela quantidade de jogadores e pelos perigos em cada fase, é comum ouvir ou ler que GTFO é uma espécie de “Left 4 Dead com ETs”, mas há muitas diferenças entre os dois games.

A maior delas está no ritmo. GTFO é um jogo de progressão lenta, por muitas vezes excruciante, na qual você precisa rodar por vários cenários e explorar muito para abrir uma simples porta ou achar um terminal que contém as informações necessárias para continuar sua jornada de sofrimento pelo complexo no asteroide.

Outro aspecto que também deixa a exploração mais complicada é justamente a escassez de recursos. Se você não tomar cuidado – ou se você não coordenar bem os seus passos com os colegas de equipe – é muito comum se ver sem munição ou sem itens de cura, rezando para não dar de cara com mais criaturas enquanto vaga pelo cenário com 20 ou 30 pontos de vida.

O principal mérito de GTFO como jogo de terror de sobrevivência é justamente impor essas condições de tensão e medo por meio de sua jogabilidade. Os cenários até seguem a cartilha do gênero com pouca iluminação e um excesso de silêncio, mas passam longe de assustar por si só. Tampouco o fazem os próprios inimigos em si, cujo design humanoide também vai lembrar vários outros monstros do survival horror nos games.

Os problemas começam justamente quando as balas acabam e, de repente, uma horda de inimigos se aproximam sem aviso enquanto você explora salas que aparentavam ser apenas passagens entre o ponto de onde você veio e o seu objetivo. Sua saúde se deteriora rápido com os ataques dos bichos, a munição começa a sumir e… fim da linha. Não à toa, o jogo sutilmente sugere que a furtividade pode ser uma opção vantajosa por meio de diálogos dos prisioneiros.

Usar furtividade pode ser vantajoso para economizar recursos em GTFO
Usar furtividade pode ser vantajoso para economizar recursos em GTFO

É no estilo de jogo de GTFO que reside, simultaneamente, sua maior qualidade e sua maior fraqueza. Sua atmosfera opressora, que constantemente trabalha para derrotá-lo por meio da falta de recursos em um cenário infestado de criaturas capazes de perceber sua presença facilmente, é o grande chamariz do título, e certamente vai agradar a quem curte jogos como  Left 4 Dead ou Back 4 Blood e quer um desafio extra.

Entretanto, esse nível mais elevado de dificuldade exige níveis igualmente elevados de preparação e cuidado. Para aproveitar plenamente o que GTFO tem a oferecer, você provavelmente precisará jogar com um grupo de amigos ou, pelo menos, dar sorte de cair em uma excursão ao asteroide ao lado de pessoas que sabem muito bem o que estão fazendo.

Felizmente, isso não parece ser um problema para o jogo, que conseguiu manter uma base pequena porém fiel de jogadores ao longo de dois anos de acesso antecipado e viu uma grande quantidade de pessoas chegarem com o lançamento da versão 1.0. A versão mais atualizada do jogo também traz checkpoints, o que vai facilitar um pouco a exploração dos cenários.

Outra novidade que chega com a versão finalizada do game é a presença de bots, permitindo que você jogue sozinho. O sistema de inteligência artificial do jogo é até competente, e torna os companheiros controlados pela máquina capazes de desempenhar as funções básicas do jogo como atirar e buscar itens sem muito problema. Entretanto, quando chegam hordas ou inimigos mais complexos, eles claramente não têm a mesma capacidade de um jogador.

GTFO é, acima de tudo, um jogo para quem busca desafios. A aposta do estúdio sueco 10 Chambers em uma experiência focada nas dificuldades do jogo em si em detrimento da qualidade dos ambientes funciona, e o resultado é um título que, a princípio, não parece muito convidativo, mas é capaz de criar momentos marcantes e inesperados de ação em meio a sua atmosfera opressora e de progressão lenta.

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