Diretores falam sobre inspiração na Colômbia para criar o universo de Encanto

Realismo mágico e cultura local foram importantes para história da nova animação da Disney

Camila Sousa Publicado por Camila Sousa
Diretores falam sobre inspiração na Colômbia para criar o universo de Encanto

Há alguns anos a Disney está apostando em elementos novos para criar suas animações. Assim, além das clássicas princesas que fazem parte do estúdio, outros personagens e narrativas começaram a ganhar espaço, como aconteceu em Moana – Um Mar de Aventuras (2016) e Raya e o Último Dragão (2021). E isso está de volta em Encanto, nova aposta do estúdio que chega aos cinemas brasileiros em 25 de novembro.

Durante uma entrevista coletiva realizada de forma virtual, a co-diretora Charise Castro Smith afirmou que o longa teve muita inspiração em autores da Colômbia, país que serve de cenário para a história:

“Definitivamente nos inspiramos muito no realismo mágico e em Gabriel García Márquez. Eu estava lendo Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera, e também Isabel Allende, com A Casa dos Espíritos. O realismo mágico que trabalhamos no filme é muito diferente, mas há uma cena com borboletas que é uma homenagem a isso.”

Byron Howard, um dos diretores da produção, revelou que viajou ao país ao lado de Lin-Manuel Miranda (Hamilton), responsável pela trilha sonora, e que isso foi determinante para acrescentar diversos elementos ao filme, desde a casa, até a relação da família Madrigal:

“Viajamos para a Colômbia com Lin [Manuel Miranda] e o pai dele, Luís, e foi uma experiência incrível. Ficamos maravilhados e aprendemos bastante sobre o país pelas pessoas que estavam lá compartilhando sua herança colombiana, suas famílias, a diversidade e a música. A Colômbia tem essa combinação de cultura, dança, comida, tradições… foi um momento incrível. Conhecemos pessoas de personalidades diferentes e pensamos em como colocar isso na trama.”

A história do filme segue a família Madrigal, cujos herdeiros recebem dons mágicos ao completar uma certa idade. A única que não tem um dom é Mirabel (voz original de Stephanie Beatriz), que se sente deslocada dos demais, ao mesmo tempo em que percebe que há algo errado com a magia que cerca a família.

Mirabel: única herdeira da família sem um dom

Para Beatriz, conhecida pelo papel de Rosa em Brooklyn Nine-Nine, foi fácil se identificar com esse sentimento:

“Mirabel não tem nenhum dom, algo com o que consigo me identificar muito porque, em vários momentos da minha vida, me senti deslocada, como se eu não estivesse à altura, como se não tivesse talento suficiente para estar ali, uma síndrome do impostor. Mas, ficando mais velha e experiente, descobri que também tenho algo a oferecer, que é especial e único.”

A atriz define Mirabel não como uma princesa da Disney, mas como uma “heroína” do estúdio, o que considera muito mais legal.

Expectativas de família

Em Encanto, toda a família Madrigal vive na mesma casa, algo que gera pequenos conflitos o tempo todo, mesmo para quem tem um dom. Isabela, por exemplo, é considerada a “filha perfeita”, e esse título também carrega muita pressão.

Durante a coletiva, Diane Guerrero, voz original da personagem, falou sobre o sentimento de buscar a perfeição, algo que acontece bastante quando sua personagem tenta agradar a família:

“O dom de Isabela é fazer as coisas crescerem, como plantas e belas flores. E sinto que esse dom chegou com a expectativa de que ela precisava ser perfeita, linda o tempo todo, e ela usa isso como uma defesa, de uma forma que funciona por muito tempo. Mas ela percebe que ser um ser humano perfeito é impossível. Relaciono isso bastante com a minha própria vida. Eu costumava achar que, quando você é imperfeito, você não faz as coisas da forma certa. Eu tinha medo de estragar tudo, de fazer perguntas bobas, de demonstrar que eu estava com problemas, etc.”

Isabela, a filha “perfeita” da família

O tema da expectativa vs realidade permeia toda a história de Encanto, e também reflete a vida dos criadores do filme. Lin-Manuel Miranda revelou que se inspirou na própria irmã para criar uma das músicas do filme, quase como um pedido de desculpas a ela, e que um dos pontos fortes da animação é esse sentimento de identificação:

“Qualquer pessoa que cresce em uma família entende a tensão entre como você se vê, e como sua família te vê, algo que muda com o passar do tempo. Isso é multiplicado pelos irmãos, tios, tias, primos, e a forma como você interage com essas pessoas. É importante escrever sobre tudo isso. Acho quase impossível alguém assistir este filme e não se identificar com pelo menos um personagem.”

Para Byron Howard, a Disney Animation está acertando ao apostar em diversidade – tanto de histórias, quanto de elenco e equipe – e isso será refletido de forma positiva no futuro do estúdio:

“Estamos empolgados para os próximos 10 anos da Disney Animation, porque temos vários cineastas que estão chegando e expandindo as nossas narrativas. Passei cinco anos me apaixonando pela Colômbia, um país que merece muito ser conhecido. Sentimos que nossos colaboradores se tornaram realmente uma família, o que foi uma parte incrível da produção. É muito emocionante chegar nesta parte do processo, em que o filme está prestes a ser lançado no mundo todo, então todos poderão ver o resultado desse cuidado.”

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