Elden Ring é um daqueles jogos que não precisam mostrar muito para deixar milhares de jogadores ansiosos. Bastou ser anunciado pelo aclamado estúdio japonês From Software, com uma parceria surpresa com o escritor George R.R. Martin, criador de As Crônicas de Gelo e Fogo, para todos ficarem curiosos com o que está por vir.
O momento de finalmente matar a curiosidade (e alguns chefões também) com Elden Ring chegou.
A convite da Bandai Namco, pude participar do acesso antecipado ao teste fechado de rede que começará oficialmente para o público no dia 12 de novembro. E lá gastei nada menos do que 14 horas para explorar tudo.
Admirável mundo novo
O teste de rede conta com uma boa porção de Limgrave, uma das regiões iniciais do jogo. É um campo aberto, com muitos locais a serem descobertos, além de ter acesso a um castelo e uma ilha misteriosa. E, ao todo, me deparei com um chefe principal, oito mini chefes em catacumbas, cavernas e áreas abertas e uma variedade imensa de segredos e inimigos.

Libélulas, caranguejos e morcegos gigantes, cavaleiros montados, plantas mutantes, esqueletos imortais, gárgulas, lobos, pássaros, mortos-vivos, monstros feitos de tentáculos (que ainda não faço ideia do que eram) e até um dragão foram algumas das criaturas que cruzaram o caminho da minha guerreira solitária.
Apesar de não mostrar a criação de personagem, o teste conta com cinco classes: Cavaleiro, Cavaleiro Encantado, Profeta, Campeão e Lobo Sangrento. Além da aparência, a diferença entre cada uma está na quantidade de status (Força, Destreza, Mente, entre outros) e itens iniciais diferentes. Por exemplo, o Profeta começa com um bom nível de Fé e já com o item que é necessário para fazer feitiços, enquanto as outras classes vão ter que adquiri-lo de outra maneira.

O visual de Elden Ring tem uma pegada medieval, mas com um toque de fantasia: cores fortes e contrastantes por todo lado — algo que, em certos momentos, lembram um estilo O Senhor dos Anéis.
Há uma forte presença de amarelo queimado e verde-água (aparentemente as cores características do jogo), que transmitem um sentimento de melancolia o tempo inteiro. E a sensação de estar explorando um universo corrompido e tragicamente belo é intensificada por esse aspecto.
Elden Ring conta com um sistema de dia e noite, o que também afeta na quantidade de cor na tela, variando entre tonalidades de azul, amarelo, cinza, rosa e roxo. Além disso, essa mudança de tempo também afeta a aparição de itens e inimigos, que podem aparecer em lugares específicos dependendo do horário do dia.
Um soulsborne com heranças
Elden Ring é um soulsborne. E, ao dizer isso, já podemos esperar características que foram estabelecidas em Dark Souls e Bloodborne. Dificuldade elevada, ausência de pausa no menu, inventário robusto e build com status, por exemplo.
Esses elementos estão presentes no novo jogo da From Software. Mas existem pequenas mudanças e adições, que acabam fazendo uma boa diferença na prática. Isso porque, de forma geral, a sensação é que o jogo oferece uma experiência mais “guiada” por ter sistemas que facilitam o jogador a se situar e descobrir o que fazer em seguida.
Há um mapa com marcadores que podem ser fixados, uma bússola (simples, mas eficiente) no topo da tela e vários tutoriais disponíveis no inventário. Além disso, os locais de Graça, que atuam como os clássicos checkpoints, emitem uma luz para indicar a direção de algo importante como um chefão próximo.

Os comandos básicos são praticamente os mesmos de Dark Souls, com ataques rápidos e pesados, escudo para bloqueio, rolamento (que funciona como esquiva), feitiços e itens para combate que podem ser fixados em um menu rápido.
A feitiçaria precisa de um item para ser usada: o Selo da Marca de Garra, que está à venda em mercadores específicos. Ao todo, três feitiços podem ser equipados ao mesmo tempo, servindo como complementos eficientes à espada por atuarem como armas elementais.
Para usá-los, basta ter o nível de Fé exigido e uma quantidade de mana disponível. É possível encontrar feitiços ao explorar o mundo ou até aprender com NPCs, como uma bruxa chamada Sellen, que ensinam por um certo preço.
No entanto, existe um timing diferente no uso de armas e equipamentos de combate. O personagem precisa terminar completamente uma ação para realizar outra, o que passa a sensação de que o tempo de resposta (entre apertar o botão e o comando ser realizado) é mais longo do que deveria. É algo que demorou para se tornar confortável aos meus dedos, exigindo mais tempo para dominar o timing e mais atenção ao enfrentar inimigos.
Existem também algumas heranças de Sekiro: Shadows Die Twice e outras mudanças no gameplay que afetam a movimentação. Poder pular, andar agachado e não tomar muito dano de quedas longas são detalhes pequenos, mas que fazem com que a exploração seja mais vertical — e, consequentemente, com que existam mais áreas escondidas pelo mundo.
A furtividade é uma opção de combate contra inimigos comuns que também mexe com a dinâmica de jogo. É possível se agachar para se esgueirar pelos cantos e dar um ataque forte nas costas de uma criatura, derrotando-a ou tirando uma boa quantidade de vida. Mas é preciso ter cuidado: em certos locais, há inimigos escondidos em arbustos, apenas esperando o jogador arriscar passar furtivamente para atacá-lo.

O cavalo, chamado Torrente, é uma das mecânicas mais chamativas de Elden Ring. Ele é invocado com um item específico, o Corcel Espectral, e auxilia na exploração e no combate.
Com pulo duplo e dash rápido, Torrente é uma ótima ajuda para atacar criaturas imensas, como um dragão ou um titã gigante. Se o animal morrer, no entanto, é preciso sacrificar um frasco de PV (vida) ou interagir com um local de Graça para trazê-lo de volta. E não, infelizmente não é possível fazer carinho nele.
Há também espíritos ajudantes que podem ser convocados durante uma luta. Eles são itens específicos e consomem mana ao serem usados. Mas não são tão efetivos quanto as invocações de NPCs em Dark Souls, funcionando mais como uma boa distração.
No entanto, os espíritos só podem ser usados em locais com uma Pedra de Invocação e quando o jogador não está usando o multiplayer.
Sistemas de multiplayer
O multiplayer de Elden Ring funciona basicamente como outros soulsborne, com opção para cooperativo e competitivo.
Com itens específicos do inventário, dá para entrar no mundo de outro jogador para ajudá-lo (e vice-e-versa). A barra de HP do visitante não cai pela metade, apenas os frascos de PV são diminuídos, e não é possível usar o cavalo. Já no PvP, você também entra no jogo de outra pessoa, mas com a intenção de tentar matá-la.
Há também algumas mecânicas adicionais. Ao ser invadido por alguém, é possível acionar um item que pede ajuda a outro jogador, como um pedido de socorro. E, se estiver se sentindo corajoso o suficiente (ou só quiser dificultar as coisas), basta usar um item que atrai mais invasores ao seu mundo.
Além disso, o sistema de multiplayer assíncrono (em que não há contato direto entre jogadores) está presente. Poder ver “espectros” de outros jogadores e deixar ou ler mensagens no chão seguem o mesmo estilo clássico.

Em relação à história, poucos detalhes foram providos pelo teste. Apenas há um entendimento maior sobre o que está corrompendo o universo e o que deve ser feito: toda a Graça (energia amarela) emana da Térvore, a grande árvore amarela, que está em desequilíbrio e transformou muitos seres em Maculados, algo impuro e infame. O objetivo é encontrar o Anel Prístino, o Elden Ring, para restaurar o equilíbrio novamente. Para isso, o jogador terá a ajuda de Melina, a “servente” da vez, que oferece informações e aumenta o nível dos status.
A localização em português brasileiro está satisfatória, mantendo a linguagem rebuscada e excêntrica do original. No entanto, há algumas traduções meio sem sentido em alguns momentos, como “amante” para “maid”.
Um anel para a todos governar
Com um tom fantasioso, as primeiras impressões é que Elden Ring é um jogo que mistura várias heranças construídas pela From Software na última década. A fórmula é a mesma, mas as pequenas diferenças e a maneira como o mundo é apresentado, passa um sentimento totalmente novo.
É uma experiência com elementos que agradam todo fã de soulsborne, além de oferecer novidades que fazem com que seja mais convidativo a alguém que nunca experimentou o gênero antes.

Elden Ring foi descrito como o “projeto mais ambicioso” da From Software pela Bandai Namco, pelo próprio estúdio japonês e até por Phil Spencer. E, confesso, não acreditava muito nessa ideia. Mas depois de ver este universo com meus próprios olhos e ficar totalmente submersa nele, começo a acreditar que há um imenso potencial de realmente ser.
O jogo será lançado para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC (Steam) no dia 25 de fevereiro de 2022.
Adquira outros jogos da franquia soulsborne. Dark Souls Remasterizado para PS4, Dark Souls II: Scholar of the First Sin para Xbox One e Dark Souls III The Fire Fades para PS4 estão à venda. Caso compre, o Jovem Nerd pode receber comissões.