Dragon Ball Super: Broly é canônico ou não?

Analisamos os fatos para tentar achar uma resposta definitiva

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Dragon Ball Super: Broly é canônico ou não?

As discussões sobre o cânone da franquia Dragon Ball sempre foram muito intensas entre os fãs de Goku e seus amigos. Agora, com o novo filme, que mostrará uma nova versão de Broly, escrita pelo próprio criador da série, Akira Toriyama, mais uma questão é levantada: agora Broly é canônico ou não?

Para tentar encontrar uma resposta (ou pelo menos o mais próximo disso), analisamos o histórico de Dragon Ball sobre o assunto e os fatos apresentados até o momento sobre o filme. Mas também questionamos: ser canônico é mesmo tão importante assim?

O novo Broly é canônico?
O novo Broly é canônico?

O que é “cânone”?

Antes de começar, vale situar a questão: o que é algo considerado “canônico”? Em geral, chamamos assim tudo o que faz parte da história principal da franquia, acontecimentos que são realmente importantes para a trama e seus personagens. Mas isso está aberto para discussão.

Geralmente, tudo o que está no mangá original é canônico. Um exemplo é Goku virando Super Saiyajin pela primeira vez após Freeza matar Kuririn, no planeta Namekusei. É um evento apresentado no mangá e no anime que é essencial ao enredo. Portanto, é canônico.

Cooler, o irmão de Freeza, que foi apresentado em um filme derivado (ou spin-off), não tem a mesma importância e é completamente desconsiderado no mangá original e no anime principal. Ele, assim como outros vilões dos longas, como Bojack, Janemba e o próprio Broly original, não é canônico.

O Lendário Super Saiyajin original

As sagas e episódios do anime chamados de “fillers”, que não existiam no mangá original e servem para prolongar o anime, também não são considerados canônicos, como o arco de Garlick Jr. (que foi um vilão introduzido originalmente em um dos filmes) ou o Torneio de Artes Marciais no Outro Mundo contra Paikuhan.

Mas, da mesma forma, o contrário também é possível. Bardock, o pai de Goku, foi criado exclusivamente para o anime, mas Toriyama gostou tanto do personagem que agora o considera parte oficial de Dragon Ball e até mesmo expandiu mais a sua história ao longo do tempo.

Bardock, o pai de Goku, foi criado para o anime

A nova versão de Broly parece ter um desenvolvimento um pouco parecido com o que aconteceu com Bardock, mas onde o novo filme de Dragon Ball Super se encaixa nisso tudo?

Os fatos

Você possivelmente está perguntando por que este artigo existe. Se o Akira Toriyama é o responsável pela nova versão do vilão, então é óbvio que este Broly é canônico. Certo? Errado!

Infelizmente, isso não prova nada. Toriyama já criou e aprovou diversas ideias que não são canônicas, até onde se sabe. Um exemplo é a história de Dragon Ball Online, que foi muito importante para diversos jogos da franquia. O autor fez a arte e teve grande papel na criação da trama. Apesar do título ter sido anunciado como a sequência oficial do mangá, hoje não é mais canônico.

Aliás, o próprio Broly dos outros filmes de Dragon Ball Z, teve seu design feito por Toriyama, mas não foi criado por ele. Até mesmo a atrocidade do live-action Dragonball Evolution teve algum nível de aprovação do autor e tenho certeza que você sequer gosta de lembrar que aquilo existiu.

Por outro lado, o novo filme, assim como os dois últimos (A Batalha dos Deuses e o Renascimento de Freeza), fazem parte de Dragon Ball Super, que é considerado como uma continuação oficial de Dragon Ball Z.

No entanto, até o momento, não foi anunciado de nenhuma forma que o novo filme de Broly é canônico. É provável que só saberemos a verdade dependendo do que acontecer com a franquia depois da estreia do longa. Se o anime retornar para a TV, por exemplo, será que vai levar em consideração os eventos do filme? Talvez dependa do humor do Toriyama.

Linhas temporais

A verdade é que falar sobre cânone quando se trata de Dragon Ball é algo complicado. Não existe uma listagem oficial do que é ou não parte da cronologia oficial, mas talvez a solução para este problema já tenha sido mostrada diversas vezes pela própria franquia.

Tudo começa com a viagem no tempo de Trunks para impedir os andróides. Por mais que altere eventos na era atual, ele não consegue mudar o futuro de onde veio, já que aquela se tornou uma linha temporal paralela. Se uma existe, diversas outras também podem ser possíveis. Este conceito foi ainda mais explorado em Dragon Ball Super, durante a saga de Zamasu.

Esta premissa se tornou a base de diversos jogos, como Dragon Ball Online, Dragon Ball Xenoverse e Super Dragon Ball Heroes (você pode saber mais sobre este game aqui). Nestes títulos, uma outra versão de Trunks comanda os Time Patrollers, um grupo dedicado a corrigir alterações temporais causadas pela dupla Towa e Mira, conhecidos como Time Breakers.

Towa e Mira em Dragon Ball Xenoverse

Nestes jogos é explicado que existem inúmeras linhas temporais. O futuro de Trunks, a era que conhecemos como a principal de Dragon Ball, a história de Dragon Ball GT e outros: cada um destes “mundos” é considerado uma realidade alternativa. Não existe versão correta.

Seguindo por esta lógica, até mesmo os filmes antigos e seus personagens, como Broly, Bojack, Janemba e tantos outros, podem ser considerados canônicos de alguma maneira. A única diferença é que são parte de uma linha temporal paralela às outras.

Mesmo que esta não seja uma posição oficial de Toriyama (até onde sabemos), esta é a melhor forma de explicar e relevar tudo o que acontece na franquia Dragon Ball. É uma maneira de agradar gregos e troianos, permitindo que cada um decida qual é sua versão preferida da trama.

Broly é canônico! Se você quiser…

No fundo, apenas o mangá original pode ser considerado 100% canônico e todo o resto não passa de um spin-off. Se este não for o caso, só o autor, Akira Toriyama, pode responder o que ele, como criador, considera parte do cânone.

Mas, pensando no conceito das linhas temporais, as duas versões do Lendário Super Saiyajin são válidas. Esta mais nova, que aparecerá no filme, vai mostrar como é o personagem na realidade de Dragon Ball Super, sendo completamente diferente do vilão original. Neste sentido, Broly é canônico mesmo. Esta provavelmente é a melhor forma de curtir o longa e qualquer outra obra relacionada à franquia.

Dragon Ball Super: Broly está previsto para estrear em 14 de dezembro, no Japão. O longa também chegará ao Brasil, mas ainda não tem data definida.