Deus Ex: Mankind Divided | Primeiras Impressões que Adam Jensen não pediu

Deus Ex está de volta. Será que mais aprimorado?

Bruno Izidro Publicado por Bruno Izidro
Deus Ex: Mankind Divided | Primeiras Impressões que Adam Jensen não pediu

Quem jogou Deus Ex: Human Revolution sabe que o protagonista Adam Jensen não pediu por isso. Ser salvo da morte e virar um humano aprimorado, com membros mecânicos e habilidades, realmente não deveriam estar nos seus planos. Tão pouco estava usar de seus poderes robóticos em um RPG interessante e com ação furtiva.

Mas foi justamente por tudo isso que Human Revolution chamou a atenção em 2011 e revitalizou a série Deus Ex, que estava morta há alguns anos.

Agora, cinco anos depois, Deus Ex: Mankind Divided nos coloca na pele de Jensen em uma continuação que se mostra tecnicamente com problemas, mas ainda com as qualidades do jogo anterior.

Pane no sistema

Pelas primeiras horas de jogo, fica claro que Mankind Divided poderia ter sido tecnicamente mais polido pela Eidos.  Não é à toa que o game vai receber um patch de dia primeiro para melhorar o desempenho e resolver bugs no lançamento.

Problemas de queda de taxas de quadro e qualidade no som são evidentes e, mesmo com a atualização, não será surpresa que alguns deles ainda permaneçam.

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Ainda no campo técnico, o novo Deus Ex também está longe da qualidade visual de jogos da atual geração, pelo menos na versão de PS4 testada. Seja nas texturas dos objetivos e construções, nada chega a saltar aos olhos.

Pior são as animações artificiais dos personagens, que chegam a atrapalhar um pouco a experiência e quebra toda a imersão na hora dos diálogos, além da qualidade da dublagem em português também não ser das melhores.

Tudo bem que ter jogo dublado serve para entender melhor a trama e para um jogo de RPG isso é ótimo. Nesse sentido até funciona com Mankind Divided, mas ele cai no clichê de jogo mal localizado com a maioria das atuações forçadas e problemas com a mixagem das vozes.

Foi isso o que eu pedi

Embora tenha essas falhas técnicas, Mankind Divided consegue, sim, ser um RPG tão bom quanto Human Revolution em suas primeiras horas.

Isso acontece pela continuação manter uma estrutura parecida com a do jogo anterior: uma jogabilidade que estimula a ação furtiva em vez de sair metralhando todo mundo (o que também é possível), ambientes que possibilitam diversos caminhos para chegar ao objetivo, além de uma cidade (Praga) com pequenas áreas livres para explorar e encontrar NPCs para interagir e side quests para fazer. Até o minigame de hackear portas e computadores está de volta em nova versão.

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O que realmente me pegou em Mankind Divided nesse início foi, de longe, o clima do jogo e o tema que envolve terrorismo e segregação racial, mas por ser uma continuação direta, é imprescindível saber o que aconteceu em Human Revolution para poder entender melhor esse contexto.

A todo momento personagens e acontecimentos passados são citados, o que pode deixar novos jogadores um pouco perdidos. Antes do novo jogo começar é possível até assistir a um resumo da trama até aqui, mas não ajuda tanto.

Mankind Divided acontece dois anos após o primeiro e o clima do jogo parece bem mais sombrio e pesado. Se antes o protagonista estava lutando por vingança pessoal, agora ele parece desolado e perdido após tudo o que aconteceu no passado.

Só agora Jensen começa a se acostumar com as transformações físicas e emocionais pelo qual passou há dois anos.

No meio de todo o conflito interno, ele se vê no meio de uma quase guerra civil por conta dos aprimorados (Augmented para quem jogou o anterior), as pessoas com membros mecânicos e que não são mais considerados humanos por muitos.

Os aprimorados, por outro lado, começam a ficar mais radicais ao realizar ataques e atos de terrorismo ficam mais frequentes.

Todas as missões nessas primeiras horas de Mankind Divided giram em torno do tema, direta e indiretamente, e como todo bom RPG ocidental, as escolhas feitas pelo jogador vão afetar o curso da trama.

Por conseguir trabalhar um tópico tão atual com abordagem que não é piegas ou exagerada, mesmo com uma ambientação quase fantástica, as falhas técnicas podem passar despercebidas após algum tempo.

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As primeiras impressões de Deus Ex: Mankind Divided podem ser conflitantes por alguns aspectos defeituosos do jogo, mas ele já fisga o jogador com um clima diferente, mas que não descaracteriza aquilo que foi estabelecido no anterior.

Para quem gostou minimamente de Human Revolution, seja pela temática ou por ser um RPG de ação competente, Mankind Divided já parece uma evolução que toda continuação deveria ser.

Deus Ex: Mankind Divided será lançado em 23 de agosto para PS4, PC e Xbox One. A cópia do jogo para análise foi cedida pela Square Enix.