Battlefield 2042 | Review

Um jogo que passa, acima de tudo, a sensação de estar incompleto

Bruno Silva Publicado por Bruno Silva
Battlefield 2042 | Review

Battlefield 2042 parece seguir um roteiro comum aos games da DICE, a produtora do game e um dos principais estúdios da EA: a proposta de uma experiência imersiva que evoca os melhores momentos da franquia de tiro, mas, assim como os games recentes da produtora sueca, é uma experiência incompleta e carente de diversas correções técnicas.

Sua principal promessa é a de resgatar os embates em mapas enormes e lotados de gente, entregando uma ação caótica aos jogadores. Isso é traduzido no modo All-Out War, que comporta até 128 jogadores no PC e nos consoles de nova geração – no PS4 e no Xbox One, o número cai para 64.

Nele, são resgatados os cenários imensos que são marca registrada de Battlefield, em tipos de partida: Conquista, no qual dois times disputam o controle de grandes áreas, e o Ruptura, no qual a dinâmica muda para uma disputa entre time atacante e time defensor.

Modo Conquista de Battlefield 2042

Na teoria, você deveria ser colocado em um cenário de guerra onde os tiros vêm de todos os lados e a sensação de perigo é iminente. Na prática, o efeito é quase o oposto. Os mapas do All-Out War são enormes, dando a sensação de comportarem muito mais jogadores do que o limite de 128.

O resultado é um modo de jogo em que você vai passar boa parte do tempo correndo para chegar até a ação, o que a DICE até tentou mitigar ao permitir que você renasça nos pontos do mapa sob controle do seu time, mas não adianta muito. A correria em espaços vazios sempre foi um efeito colateral do estilo de jogo proposto por Battlefield, mas 2042 parece realçar isso de forma ainda mais negativa.

Esse “vazio” acaba realçando pela abordagem mais minimalista da DICE, que deixou de lado placares de abates e mortes em prol de uma experiência mais cooperativa entre os integrantes de cada esquadrão, com foco na captura de espaços. Embora a tentativa seja válida de um ponto de vista de deixar as partidas menos tóxicas, a falta de um placar também dá menos incentivo à competição, deixando ainda mais visível essa noção de que você corre, corre e corre para chegar a uma zona de conflito na qual eliminar os inimigos é importante, mas não é o objetivo central.

Modo Conquista de Battlefield 2042

Os mapas enormes também realçam algumas dificuldades técnicas do jogo, que é visualmente impressionante, especialmente nas configurações de vídeo mais altas do PC, mas ainda assim não foge de alguns pop-ins de texturas e efeitos de colisão bizarros de veículos dentro das partidas.

Na parte de gameplay, Battlefield 2042 joga seguro, mantendo o estilo de jogo mais acelerado que já vinha se consolidando nos últimos games da série e com grandes influências do gênero de FPS como um todo, com um ritmo mais frenético. Na parte de customização, o jogo também dá mais liberdade na hora de construir o personagem, permitindo uma combinação livre entre armas e classes de personagem.

Em um primeiro momento, a experiência de Battlefield 2042 é quase toda focada nos mapas amplos. Há um terceiro modo, Hazard Zone, que traz elementos de sobrevivência que deixa as partidas mais arrastadas em relação ao combate de Conquista e Ruptura.

O ás na manga da DICE é o modo Portal, que é uma coletânea dos grandes sucessos da franquia cujos elementos estão à disposição do jogador para montar livremente suas partidas, das armas e equipamentos às regras. A princípio, três jogos emprestam seus recursos para o novo modo: Battlefield 1942, Battlefield 3 e Battlefield: Bad Company 2, com a promessa de mais para o futuro.

Como em todo modo dependente de conteúdo feito pela comunidade, o sucesso de Portal será medido pela popularidade do próprio Battlefield 2042, mas há neste modo potencial para fazer do game uma espécie de coletânea de “grandes momentos” da série.

Nesse ponto, Battlefield 2042 já esbarra num problema inerente a quase todos os jogos da DICE nos últimos anos (e, talvez, da indústria como um todo): a sensação de que o lançamento é incompleto e baseado na promessas de aprimoramentos e correções de bugs nos próximos anos – ou, ao menos, até o lançamento do próximo Battlefield.

Os bugs podem até ser corrigidos e novos conteúdos podem (e devem) chegar nos próximos meses, mas a sua proposta, que tenta a todo custo resgatar elementos do passado, evidencia uma crise criativa na série. Battlefield 2042 propõe uma seleção dos melhores momentos da clássica franquia de tiro, mas, até o momento, não entrega uma experiência melhor que a dos seus antecessores em um jogo que passa, acima de tudo, a sensação de estar incompleto.


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