Sherlock | “The Six Thatchers” fecha arco da terceira temporada com direção confusa

Estreia da quarta temporada joga seguro e traz investigação genérica para o detetive

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
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Spoilers de Sherlock abaixo!

Conheci Sherlock no final de 2011, quando a segunda temporada estava prestes a estrear e a série não era tão popular quanto é hoje — na época, as produções britânicas ainda eram algo presente apenas em nichos muito específicos da nerdice. A frase anterior pode dar a entender que sou mais um daqueles que se opõe a popularização de algo, um hipster televisivo. Não é o caso. Porém, é impossível não apontar que o hype não afetou Sherlock diretamente, trazendo coisas positivas e negativas para o programa e “The Six Thatchers”, estreia do quarto ano, deixa isso bem claro.

Tal qual séries americanas, o episódio decidiu jogar com as expectativas do público e criar uma ansiedade ainda maior para a resolução do mistério deixado ao fim da terceira temporada. Em vez de abordar toda a questão da “volta” de Moriarty, “The Six Thatchers” preferiu seguir outro caminho e encerrar a trama de Mary e John, explorando mais uma vez o passado da personagem — e a encerrando de vez. Para isso, o roteiro fez um apanhado de todos os elementos que consagraram a série e os costurou em uma investigação bastante genérica que só avançou a história principal do programa em seus últimos quinze minutos. Se em situações anteriores Sherlock era uma grande caixa de mistérios, nesse capítulo tudo era previsível: Sherlock e sua arrogância, piadinhas com John, Lestrade completamente perdido e até mesmo o bordão “O jogo começou” — atualização de uma frase presente nos livros e uma espécie de “Elementar, meu caro Watson” do século 21.

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Vou me dar o benefício da dúvida e assumir que esse caso foi propositalmente pensado para servir apenas como preparação para o que está por vir nos próximos dois episódios. Porém, a direção completamente confusa de “The Six Thatchers” é imperdoável. Planos filmados em GoPro, transições de cena que parecem ter saído do Windows Movie Maker ou de That ’70s Show e uma montagem confusa em uma sequência de flashbacks deram ao capítulo uma atmosfera de amadorismo que não combina com a estética de superprodução que envolveu a série nos últimos anos. Comandado por Rachel Talalay, em alguns momentos o episódio parece ter revivido tudo que havia de pior na TV britânica em termos visuais.

Foi um começo fraco, mas que ainda sim teve seus momentos positivos. Fica a sensação de termos assistido ao último episódio da terceira temporada e não ao primeiro de um novo ciclo. Tudo que pode ser feito é esperar e torcer para que os próximos dois compensem o marasmo de “The Six Thatchers”.


Sherlock é exibida no Brasil pelo canal pago Arte1 e na TV Cultura.

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