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Perdidos no Espaço | Conversamos com o showrunner Zack Estrin

Uma família, uma nave, milhares de problemas técnicos e a vastidão do espaço. Essa é a premissa básica de Perdidos no Espaço, série original da Netflix que estreou nesta sexta-feira (13) e que faz uma releitura do clássico programa dos anos 60.

Tive a oportunidade de conversar com Zack Estrin, showrunner da produção. Na entrevista, feita por telefone, falamos sobre os desafios de se atualizar um projeto feito há 50 anos, sobre a ficção científica feita para toda a família e sobre como Perdidos no Espaço traz uma atmosfera completamente diferente daquela que se tornou padrão no gênero recentemente: sombria e “realista”.

Zack Estrin na premiere de Perdidos no Espaço, em Los Angeles. Foto: Rich Fury/Getty Images

A série original foi criada por Irwin Allen, em 1965, e refletia a realidade da época. Sem dúvida, a releitura para um público mais jovem seria um desafio: “O conceito original de Perdidos no Espaço é fantástico, nós seguimos a ideia de mostrar essa família que é colocada em circunstâncias extraordinárias e precisa lidar com isso. E no cerne de tudo, é uma história sobre família, sobre pessoas. Sim, nós temos as naves e os efeitos especiais e tudo mais, mas, na época, o público gostou da série porque eles queriam fazer parte daquela família e isso tornou Perdidos no Espaço um clássico. Nós seguimos essa linha de pensamento para manter vivo o espírito do original, mas trazendo os roteiros para os dias de hoje”, conta.

Ao assistir os primeiros cinco episódios da série, o otimismo presente nos roteiros foi algo que me chamou muito a atenção, já que hoje em dia as distopias e as realidades sombrias, cínicas e soturnas são o padrão da indústria. Zack fica feliz quando menciono isso e diz que dar uma aura esperançosa a Perdidos no Espaço foi crucial no processo de desenvolvimento, que visava dar ao projeto o mesmo clima que Steven Spielberg deu aos seus consagrados filmes da década de 80 e 90. Segundo o showrunner, eram produções com “personagens legais, inspiradores! Você queria estar perto deles! Eles sempre estavam trabalhando juntos por um objetivo maior, você queria que eles vencessem!”

Para exemplificar toda essa atmosfera presente no programa, Estrin me contou uma história (muito) pessoal:

“Eu tenho duas filhas, uma de 14 anos e uma de 11. É muito difícil achar algo que elas, minha esposa e eu possamos assistir juntos e termos uma boa experiência. Eu queria muito que elas fossem mais ao cinema, eu me diverti muito quando era jovem. Mas, por exemplo, Pantera Negra é um filme muito violento para a mais nova assistir. É um ótimo filme, mas é muito agressivo para ela. No último fim de semana, fomos ao cinema, e não tinha nada que ela poderia ver. Minha maior recompensa com Perdidos no Espaço foi colocar minhas duas filhas e meu pai, que tem 70 anos, para assistirem a série e ver que eles reagiram e gostaram dos episódios por motivos completamente diferentes. Eu estava bem emocionado: à minha esquerda, tinha minhas filhas. À minha direita, meu pai. Três gerações estavam juntas e se divertindo com aquilo. Foi muito recompensador”, contou Zack, lembrando do momento com muito carinho na voz.

Sobre uma segunda temporada, Zack diz que já existem alguns planos para o futuro, mas que dependem da recepção do público. “A coisa mais legal de Perdidos no Espaço é que é uma ideia que pode continuar sendo feita por muito tempo. Nessa primeira temporada temos 10 episódios. Os três primeiros funcionam como uma aventura, os três seguintes são outra aventura, e os quatro restantes são outras duas aventuras separadas. Mas, ao mesmo tempo, todos eles foram uma história épica de 10 horas. É uma excelente série para se maratonar!”, conclui.

A primeira temporada de Perdidos no Espaço já está disponível na Netflix. Confira nossas impressões sobre os primeiros episódios!

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