Paper Mario: The Origami King | Review

Jogo tem muitos encantos, como o visual e os diálogos, mas sistema de batalhas estraga a experiência

Marina Val Publicado por Marina Val
Paper Mario: The Origami King | Review

A franquia Paper Mario é um spin-off de Super Mario Bros. que começou em 2000 no Nintendo 64 como um RPG, mas mudou bastante desde então. Ela teve seu ápice com o incrível The Thousand Year Door (2004) e apostou em um jogo de plataforma com muita história em Super Paper Mario (2008). Nos jogos subsequentes, alguns elementos de RPG voltaram, mas de uma maneira mais simplificada e às vezes até demais, como é o caso de Sticker Star (2012).

Paper Mario: The Origami King tem muitas qualidades de seus antecessores. Traz um visual charmoso, uma história que deixa o coração quentinho e textos bem-humorados, autoconscientes e repletos de referências.

O Rei dos Origamis

A premissa é bem simples. Mais uma vez, Peach está em apuros após seu castelo ser atacado por Olly, o rei dos origamis, que quer fazer dobraduras com todos que entrem em seu caminho. Com a ajuda de Olivia, irmã de Olly, Mario parte em uma jornada para combater os malignos origamis e salvar a princesa e todos os Toads que encontrar pelo caminho.

Luigi também aparece, mas não como personagem jogável. Todas as interações com ele mostram o personagem tentando a qualquer custo ajudar o irmão, apesar de seu jeitinho peculiar e atrapalhado. Além disso, outros rostos familiares surgem pelo caminho, como o Toad mais famoso ou pequenos easter eggs de outras franquias da Nintendo, e todos são capazes de colocar um sorriso no rosto do jogador.

Olivia, Mario e Bobby, reconhecendo seus limites antes de partirem para outra estratégia

Os companheiros que ajudam na jornada são extremamente carismáticos, de Bobby, o Bob-omb desmemoriado, a outros personagens que costumam ter um papel de antagonista em outros jogos do bigodudo.

Os cenários são repletos de detalhes e ficam mais ricos e cheios de vida cada vez que você resgata um Toad, que pode até te ajudar virando um vendedor de alguma lojinha, ou quando descobre um dos muitos segredos escondidos.

Na jornada, Mario passa pelos mais variados mundos, como um cenário de outono no Japão, um parque temático de samurais ou um deserto que esconde uma cidade oásis cheia de luzes. E cada pedacinho desse mundo parece ter sido montado com papel, cola e tesoura.

O jogador pode encontrar colecionáveis escondidos das maneiras mais criativas possíveis, o que dá um objetivo extra para querer vasculhar cada cantinho do mapa. Ou melhor: sair dando marretadas para ver o que é possível de interagir e o que vai quebrar em uma explosão de confete. Se tiver sorte, talvez você até seja recompensado com um pedaço de coração para aumentar a sua barra de vida.

Mario também faz pausa para o cafezinho

Um exemplo dos lugares secretos que podem ser encontrados pelo caminho são as cafeterias exclusivas para vilões. Em sua maioria, os frequentadores e funcionários não se importam em receber Mario para um cafezinho ou até fazer perguntas ao protagonista sobre quem ele considera o minion mais poderoso. São sempre conversas engraçadinhas que dão mais cores ao jogo.

Nem tudo é perfeito

O que acaba não sendo tão cativante e charmoso é o sistema de batalhas. Além do já conhecido sistema por turno, que exige timing para que Mario cause o máximo de dano aos inimigos, uma etapa adicional foi acrescentada. Os inimigos aparecem ao redor de Mario em uma arena circular e a fase inicial de cada turno do combate consiste de um pequeno puzzle, em que você organiza os inimigos de modo que eles fiquem alinhados, prontinhos para receber os golpes

O objetivo é sempre deixar todos os origamis agrupados, prontos para receberem os golpes

A limitação é que você tem apenas de um a três movimentos para fazer isso e um tempo curto. Caso você seja bem-sucedido, ganha um bônus no dano causado e mais moedas, do contrário, serão necessários mais turnos para encerrar a luta.

O grande problema é que esse puzzle não é desafiador, nem interessante e, muitas vezes, tem soluções bem similares para inimigos na mesma área, se tornando apenas um artifício repetitivo para prolongar as lutas. Ao mesmo tempo, não dá pra simplesmente pular essa fase, pois o dano extra é necessário para que a batalha acabe o mais rápido possível.

Como citei antes, a experiência de RPG foi diluída em jogos anteriores. Sem pontos de experiência, tudo que você ganha são moedas, que podem ser usadas para comprar armas melhores (marretas ou botas) que causam mais dano ou mesmo itens que recuperam vida ou causam dano aos inimigos.

A questão é que absolutamente tudo no jogo também dá moedas. Desde resgatar um Toad, reconstruir partes do cenário, até destruir uma moita. Em pouco tempo, você se vê com a bolsa cheia de itens e dinheiro e sem muito no que gastar, já que mesmo os itens colecionáveis que você pode comprar não são tão caros assim.

Arranje as setas para guiarem o caminho e acerte os pontos vulneráveis do chefão

As batalhas que acabam sendo um pouco desafiadoras são contra os chefes. Elas invertem a posição de Mario na arena, colocando-o do lado de fora e o vilão no centro, e envolvem um puzzle um pouco mais elaborado usando setas para se aproximar do alvo, em um esquema que lembra um pouco Chu Chu Rocket (1999). Além disso, é preciso coletar itens pelo caminho e acertar onde e como mirar os golpes.

Entretanto, o jogo é bastante generoso em termos de itens de recuperação de vida e mesmo dicas, já que Olivia, sua companheira durante toda a aventura, não é nem um pouco discreta quando quer que você use um golpe específico, e vai ser difícil sequer chegar perto de ver uma tela de Game Over. Se por algum acaso ou distração isso acontecer, os blocos de salvar são quase onipresentes pelas fases.

Mesmo com todo o charme e humor, as primeiras horas (até o chefão de lápis de cor, pelo menos), simplesmente se arrastam por conta do sistema de batalhas. O mais triste é que isso não é um problema exclusivo de The Origami King. A Intelligent Systems, que desenvolve esses spin-offs para a Nintendo, há muito tempo não acerta nas batalhas de Paper Mario. Desde o esquecível Sticker Star (2012), passando por Color Splash (2016) e agora com o novo título para Switch.

Se o que você estiver procurando for algo pra jogar quase no automático, sem pensar muito, talvez as lutas não sejam um grande problema. Muitas delas também são possíveis de evitar ao correr pelo mapa ou usar um item secreto que deixa Mario invisível. Ainda assim, é uma pena que o sistema de batalha não esteja no mesmo nível do resto do jogo.

O humor é sempre um ponto forte de Paper Mario

Paper Mario: The Origami King tem textos divertidíssimos, momentos emocionantes, montanhas de colecionáveis para você encontrar, personagens carismáticos e um visual belíssimo. Como alguém que acompanha Paper Mario há muito tempo, gostaria de ver novamente um game bem executado em todos os aspectos, como The Thousand Year Door. Quem sabe na próxima.


Paper Mario: The Origami King será lançado em 17 de julho para Nintendo Switch. Este review foi feito com uma cópia antecipada cedida pela Nintendo.