“Brasil será pioneiro em esports como mainstream”, diz Noah Whinston, CEO da Immortals

Ele aposta no cenário brasileiro

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko

Noah Whinston é o fundador e CEO da Immortals e dono da franquia Los Angeles Valiant, da Liga Overwatch. Além disso, ele também adquiriu a mibr, a famosa Made In Brazil, velha conhecida de quem acompanha o cenário de jogos eletrônicos competitivos antes de sua popularização nos anos mais recentes.

Liderando três marcas grandes dos esportes eletrônicos, o jovem americano, de apenas 23 anos, gerencia seis times distintos — Dota 2, dois jogadores de Smash, Arena of Valor, Clash Royale e uma equipe brasileira de Rainbow Six Siege. O empresário também apareceu na lista de 30 pessoas influentes na área de games com menos de 30 anos da Forbes. Sua vida é marcada por muitos números, mas certamente não é isso que define Noah.

Whinston transparece um forte senso moral e ideais bem definidos, e são essas características que regem a Immortals, seguindo o conceito chamado founders DNA, o “DNA dos fundadores” em tradução livre, que prega que os valores e modo como as empresas operam são um reflexo de seus donos: “Para mim, não há diferenças entre os valores da Immortals como uma organização e meus valores como pessoa. As coisas que eu acredito são as coisas que a Immortals acredita”, conta.

Noah é um dono de empresa diferente do que estamos acostumados a ver por aí, fazendo questão de aparecer nos vídeos da Immortals: para ele, é importante dar uma face para a empresa, mostrar quem está por trás das decisões, dando motivos e explicações ao invés de tentar esconder ou ser cauteloso. “Eu prefiro divulgar e dar os motivos de cada decisão e deixar os fãs decidirem se eles concordam ou não”, explica. E sobre isso ele sabe bem: antes de ser um CEO, Whinston era um fã de esports:

É importante preservar essa proximidade — eu não quero que a Immortals comece a se importar com coisas diferentes das que eu me importo como pessoa, porque quando eu comecei isso eu era um fã, não era só um empresário que resolveu investir porque era algo que estava dando lucro.

Paixão nacional

Em um meio tão competitivo e em constante mudança como o de esports não dá para ganhar o tempo todo. Manter o fã torcendo para um único time é uma tarefa difícil, ainda mais quando as organizações em si estão se consolidando. Buscando meios para ter a torcida favorável, mesmo na derrota, Noah aposta na identificação do público com a história da marca. Ele usa o futebol como exemplo:

Se você olhar o futebol no Brasil, você não vê os torcedores do Corinthians decidindo torcer para o Santos só porque eles estão ganhando e o Corinthians não. Você nunca faria isso, por causa do peso da tradição e história de ser parte de um clube. Se você é um fã do Corinthians, é porque seus pais provavelmente são corintianos. E isso é uma coisa de gerações. Mas os esports ainda não têm essa historia, estamos na primeira geração de fãs.

Investimentos no Brasil

A comparação entre os esports e o esporte mais amado dos brasileiros não é por acaso: para Noah, o país está próximo a aceitar os esports na cultura mainstream.

O Brasil é um mercado interessante, porque aqui, mais do que em qualquer outro lugar do mundo, os esports estão próximos de terem seu momento mainstream. Nos EUA e na Europa, eles são reconhecidos e ninguém está tentando se livrar disso, mas é algo nicho. 

Do que eu vi no Brasil, do jeito que eu vi os times brasileiros jogarem internacionalmente, até mesmo o número de celebridades brasileiras que são fãs de esports desde Neymar até músicos, acho que tudo isso está realmente propício para um momento que vai catapultar os esports para um lugar mais mainstream assim como o Gabriel Medina fez com o surf e o Anderson Silva fez com o UFC.

Noah está confiante de que vai contribuir na aceleração desse processo, e é por isso que resolveu investir pesado no cenário competitivo brasileiro. Ele estará no evento de revelação da nova mibr, que acontece no dia 23 de junho em São Paulo, e vai continuar em terras brasileiras por mais um tempo: marcará presença também em um dos painéis do BIG Festival 2018, que acontece entre os dias 23 de junho e 1º de julho em São Paulo.