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Fomos ao Japão e visitamos o Science SARU, o estúdio de Devilman Crybaby!

Em agosto de 2017, fomos convidados pela Netflix para ir até o Japão e visitar o Science SARU, estúdio responsável pela produção do anime Devilman Crybaby, baseado no mangá homônimo de Go Nagai.

O estúdio fica escondido em uma casa modesta, de dois andares, em um bairro residencial de Tóquio, que abriga uma pequena e talentosa equipe. O local não se destaca de qualquer outra construção da rua, e não traz nenhum grande letreiro na fachada que indique que grandes produções estão sendo feitas ali.

Frente da casa onde funciona o Science SARU

No andar superior fica a sala do diretor do estúdio, Masaaki Yuasa, e o time de desenhos tradicionais, responsável por fazer artes conceituais, storyboards e keyframes (os desenhos “chave” da animação, que determinam o início e o fim da transição entre as imagens). No térreo há uma sala de reuniões decorada com itens das produções nas quais eles trabalharam, como alguns colecionáveis do episódio “Cadeia alimentar” de Hora da Aventura, e a sala da equipe de animação, que transforma os desenhos tradicionais em vetor com ajuda do Adobe Animate (antigo Flash) e coloca as ilustrações em movimento.

Decoração do Science SARU, estúdio que trabalhou em um episódio de Hora de Aventura e toda a série Devilman Crybaby

A mesma equipe também cuida dos cenários, que normalmente são feitos no Photoshop ou mesmo à mão, e depois une todos os elementos e faz a composição final com auxílio do After Effects.

Segundo alguns funcionários do estúdio, a escolha por misturar animação tradicional com Animate é uma questão de balancear o uso da mão de obra japonesa, que é altamente qualificada em desenho tradicional, com a tecnologia, para economizar tempo sem perder a qualidade. A equipe entretanto, está disposta a trocar o aplicativo da Adobe caso um programa mais eficiente apareça no mercado.

O Science SARU é um dos poucos estúdios japoneses a misturar desenhos feitos à mão com ilustrações feitas com o auxílio de um computador para fazer animações 2D. A maioria ainda opta por fazer animes do jeito mais tradicional, mas isso aumenta muito o tempo de produção e a quantidade de pessoas envolvidas, por ter mais processos, como Clean Up (“limpeza” dos desenhos) e coloristas em um processo artesanal de pintura. E caso um erro aconteça, não tem como apagar ou desfazer: o jeito é começar o quadro do zero.

Por exemplo, na época de nossa visita, o estúdio tinha apenas sete pessoas trabalhando nas animações, enquanto outros estúdios, para conseguir fazer o mesmo volume de trabalho, precisariam de trinta a quarenta pessoas e o pelo menos o dobro de tempo.

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É um jeito de modernizar o processo de produção, evitando as horas extras e a estafa dos funcionários, sem abrir mão da qualidade e sem se desvencilhar totalmente das origens. Além disso, faz com que os fãs esperem menos entre uma temporada e outra!


Curiosidades:

  • Devilman Crybaby, um anime com 10 episódios e cerca de 250 minutos no total, levou apenas 6 meses na etapa de pré-produção e menos de um ano para a produção de fato!
  • O episódio “Cadeia Alimentar” de Hora de Aventura foi animado por apenas duas pessoas em dois meses! Além deles, teve o diretor, um artista dedicado às composições e um trabalhando nos backgrounds.
  • O primeiro longa do estúdio, Lu Over The Wall, foi feito totalmente com técnicas digitais, já The Night is Short, Walk On Girl misturou animação tradicional com digital. Os dois foram produzidos paralelamente.

Devilman Crybaby estreia em 5 de janeiro de 2018, exclusivamente na Netflix.

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