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Museu Ghibli: uma visita inesquecível ao universo fantástico de Hayao Miyazaki no Japão

“Quando você anda pela Avenida Kichijoji, à sombra das árvores altas e verdes do Parque Inokashira de Mitaka, você encontra um prédio colorido. De frente à uma placa que diz ‘Ghibli Museum, Mitaka’, um grande Totoro dá-lhe as boas-vindas. Abra a porta e seja bem-vindo ao país das maravilhas! Quando o sol está brilhando, as cores vivas dos vitrais coloridos são refletidas em salpicos de luz nos pisos de pedra.”

Essa é a descrição precisa dos primeiros momentos de quem visita o Museu Ghibli, no Japão. O museu, fundado em outubro de 2001, fica em um parque de Mitaka, cidade a oeste de Tóquio. Um prédio com contornos únicos, bastante colorido, coberto e rodeado por natureza, tem como público alvo adultos e crianças e é dedicado à arte e à técnica de animação. Tivemos o prazer de conhecer o museu e vim dividir como foi toda essa experiência!

Ingressos

Os ingressos para maiores de 19 anos custam ¥1000, o equivalente a R$30, e podem ser comprados online no site do próprio museu, mas é bom estar atento à disponibilidade de datas e horários, pois são limitados. Nós compramos os ingressos para o dia 26 de junho com mais de 45 dias de antecedência, tão logo eles ficaram disponíveis. No dia 10 de cada mês eles disponibilizam os tickets para o mês seguinte, e dois ou três dias depois de abertas as vagas já não havia mais reservas à venda. Para evitar o desconforto da lotação do espaço, eles dividem a disponibilidade de entrada a quatro horários diferentes, então, além da data, você deverá escolher o horário que deseja entrar no museu.

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No Parque Inokashira, uma placa sinaliza a entrada

Acesso

A forma que escolhemos foi ir de trem. A estação de Mitaka dista cerca de 2 km do museu, e você pode ir caminhando, bordejando o parque, ou pegar um dos ônibus amarelos tematizados que o próprio museu oferece.

No parque Inokashira, uma placa estrategicamente colocada sinaliza a entrada do Museu e o nosso primeiro contato com o universo fantástico de Miyazaki já é com o gigante e simpático Totoro (e algumas fuligens) que nos observam através do vidro e indicam a entrada de visitantes.

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Totoro nos recebe na entrada!

Com as reservas impressas e nossos passaportes à mão, chegamos à recepção daquela edificação peculiar de portais e janelas curvos, muitas vidraças e portas em madeira bem talhada. As plantas tomam parte do prédio e, ao subirem do jardim do térreo ao terraço pelas paredes e escada, trazem a harmonia dessa estrutura de alvenaria à natureza que a cerca.

Por fora é um prédio de três andares bastante coberto por plantas, de formato incomum, com um amplo jardim no terraço.

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Fachada do prédio

Os primeiros passos dentro do museu já nos alertavam que a fantasia estava presente ali. A sala da recepção tem um teto abobadado, com aquarelas de plantas subindo pelas colunas e encontrando um Sol sorridente, enquanto diversos personagens das animações produzidas pelo Studio Ghibli entremeiam os ramos da trepadeira.

Teto abobadado, com aquarela de plantas e personagens voando e um sol sorridente no centro. Encontre Kiki, Totoro e outros personagens no teto.

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Olha só o teto da entrada do Museu!

Nesse momento que fomos identificados, recebemos os tickets para assistirmos à um dos vários curtas de animação que passam na sala de projeção do próprio museu, um encarte com um mapa de todos os andares e, para nossa infelicidade, o alerta de proibição de fotos e gravações de vídeo em todo o interior do prédio. Cada ticket é exclusivo para cada visitante, e consiste de um fragmento de três frames da película de algum dos filmes do Studio. O meu foi uma parte do filme O Castelo Encantado (Howl’s Moving Castle).

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Ticket do cinema com três frames de uma película original

Dentro do museu: andar por andar

No andar térreo, por onde entramos, há um grande hall que ultrapassa todos os três andares e alcança uma grande abóbada de vidro. Antes dela, um exaustor gira lentamente suas cinco hélices em forma de asas de avião. No mesmo lugar há um elevador, em um estilo retrô, que dá acesso aos outros dois pisos, bem como há uma escada para o segundo andar. Tanto o corrimão da escada, quanto as grades de proteção dos outros andares que dão vista para o hall tem entalhes na madeira e há pedras coloridas nas hastes de ferro, num cuidado aos detalhes que me remeteu ao esmero dos parques da Disney. As paredes, bem como do prédio inteiro, possuem janelas com vitrais muito coloridos contemplando todas as obras produzidas pelo Studio e são um deleite para os visitantes.

Ainda no térreo, existe a sala de projeção “Saturn Theater”, onde o filme do qual recebemos o ingresso é exibido. Cada visitante só pode assistir à projeção uma vez. Há também a sala com exposição permanente denominada “O início do movimento”, que mostra a história e ciência por trás da animação, e onde eu destaco um zootropo chamado “Bouncing Totoro”, com diversos personagens da floresta em uma animação hipnotizante.

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Os vitrais estão presente no prédio todo; essa é a última foto que foi permitida

No segundo andar, a sala de exposição permanente “Onde um filme nasce” replica o escritório e o ateliê de Hayao Miyazaki, com sua ampla biblioteca repleta de livros de referência, esboços, ideias, e diversas ilustrações coladas nas paredes, além das diferentes fases de criação, do esboço ao plano de fundo dos filmes.

Também há a exposição especial, que dura cerca de um ano. A exposição que teve início no final de maio de 2017 (e ficará lá até maio de 2018) é intitulada “Delicious! Animating Memorable Meals”, e relembra aos visitantes várias passagens das animações que envolvem os personagens em seus momentos de alimentação. Mostra detalhes dos desenhos frame-a-frame, como Ponyo comendo seu presunto, bem como o processo para colorir as cenas, exemplificado pelo momento em que a Princesa Mononoke come um pedaço de carne. Há também réplicas em tamanho real da cozinha de Meu Vizinho Totoro e do apertado espaço da cozinha do dirigível Tiger Moth do filme O Castelo no Céu (Castle in the Sky), onde a Sheeta cozinhou para toda a tripulação.

No terceiro andar está a lojinha do museu, chamada “Mamma Aiuto!” (uma referência a Porco Rosso) e possui uma grande variedade de produtos à venda, de aeromodelos a meias, obviamente todos relacionados ao Studio e às suas obras. Aqui vai uma dica para quem não conseguiu ingresso, mas vai a Tóquio e gostaria de ter acesso aos produtos licenciados: há uma loja do próprio museu, bem maior e com muito mais produtos, no Shopping da Tokyo Sky Tree.

Ainda no terceiro piso há uma loja de livros com diversos títulos infantis e, ao lado, uma sala com o Ônibus Gato (de Meu Vizinho Totoro), onde as crianças podem se divertir escalando o brinquedo. A partir desta sala, por meio de uma escada em espiral, rodeada por uma grade semelhante a uma gaiola, e quase totalmente coberta de plantas, dá acesso ao terraço do prédio, que possui um jardim e um grande Robô Soldado do filme Castle in the Sky. Nesta área externa é permitido fotografar.

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Robô soldado e eu

Descendo para o segundo andar, já na área externa do prédio, há o Straw Hat cafe, um café que vende várias comidinhas, bebidas e sobremesas. Como estava quente, apostamos no sorvete de maçã e não nos arrependemos.

Apenas um ponto negativo, mas ressalto ser importante, do museu: os quadros descritivos, que explicam com maior detalhe as obras que estão representadas nas exposições permanentes e especial, bem como as legendas do curta que é exibido, são todas em japonês. Penso que, uma vez que há turistas de todo o mundo tendo acesso aos ingressos do museu, deveria haver também acessibilidade às informações para quem não domina a língua nipônica.

Nossa visita ao Museu, indo em um passo tranquilo e tentando observar todos os seus detalhes, durou cerca de duas horas. A vantagem de ter ingressos limitados e horários de entrada diferentes faz com que não esteja super lotado durante sua visita.

Os detalhes, as cores, os contornos do prédio fazem parte de todo o mundo fantástico, que envolve natureza e tecnologia, que Hayao Miyazaki sempre contemplou em seus filmes, e conhecer o museu foi uma experiência inesquecível.

Ghibli Museum

Horário de funcionamento: 10h às 18h. O museu fecha normalmente às terças e em alguns períodos do ano para manutenção e feriados, então vale a pena também ficar de olho no calendário deles.
Ingressos: Acima de 19 anos: ¥1,000 (R$ 28,60). 13-18 anos: ¥700 (R$ 20,00). 7-12 anos: ¥400 (R$ 11,44). 4-6 anos: ¥100 (R$ 2,86). Crianças menores de 4 anos não pagam ingresso. Os valores convertidos foram com a cotação de hoje, 10/7.

Não existem tickets à venda no museu. Eles devem ser comprados online ou na loja de conveniência Lawson, conforme disponibilidade.

Acessibilidade: Visitantes em cadeiras de rodas terão acesso fácil aos três andares do museu, porém não chegarão ao jardim do terraço, acessível apenas pela escada espiral. Visitantes portadores de deficiência auditiva podem requerer, para empréstimo, aparelhos no Saturn Theater, porém os áudios são disponíveis apenas em japonês.


Emília é doutora em Ecologia, ama fotografias, viagens e uma história bem contada. Esteve no Japão em junho e contou essa história especialmente pra gente!

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