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Dominó: origem, poderes e a polêmica da “descaracterização” em Deadpool 2

Para a sequência do filme Deadpool, prevista para junho de 2018, novos personagens têm sido divulgados. E como anteriormente confirmado, um dos novos rostos da película será o da mercenária Dominó, interpretada pela atriz Zazie Beetz e apresentada oficialmente em uma foto que faz referência a uma imagem promocional do primeiro filme da franquia.

Na preparação para Deadpool 2, fizemos um breve histórico da heroína, falando um pouco sobre suas habilidades, origem e a comparação com a sua polêmica versão cinematográfica.

Mas primeiro, quem é a Dominó dos quadrinhos?

Em um primeiro momento, podemos dizer que a estreia de Dominó nas HQs aconteceu na revista New Mutants #98, de 1991, por Fabian Nicieza e Rob Liefeld. Na trama, a mercenária detém as investidas de Deadpool — que também faz sua estreia neste número – e integra a equipe dos Novos Mutantes a pedido de seu antigo parceiro Cable, criando assim a base do que viria a ser o grupo conhecido como X-Force.

Porém, o que Cable e os outros mutantes não sabiam é que esta não era a verdadeira Dominó. Em X-Force #11, também de Nicieza e Liefeld, é revelado que a transmorfa Copycat esteve disfarçada como a mutante o tempo todo, repassando informações para um antigo inimigo de Cable, o seu próprio filho Tyler Dayspring.

Com isso, a primeira aparição da Dama da Sorte acontece de verdade em X-Force #8, no qual somos apresentados a uma história retroativa da Matilha, equipe formada por Cable em um passado anterior a sua entrada nos Novos Mutantes. Após ser integrada a X-Force, Dominó tornou-se um membro regular de diversas equipes de heróis, integrando fileiras da Corporação X, X-Men e uma nova encarnação da mesma X-Force, dessa vez com a presença de Wolverine, X-23, Lupina, Arcanjo e Apache.

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Por muitos anos, acreditava-se que o nome da personagem fosse Beatrice. Entretanto, informações posteriores esclareceram que a sua identidade verdadeira é conhecida como Neena Thurman. Criada no Projeto Armageddon para se tornar a arma perfeita, Neena foi a única sobrevivente do experimento, mas acabou descartada por conta de seu dom volátil. Com isso, sua mãe biológica, chamada Beatrice, a levou da base secreta e deixou aos cuidados de um padre na cidade de Chicago.

Entretanto, a adoção da sua nova identidade não aconteceu por conta de uma homenagem a sua mãe: anos mais tarde, já como mercenária de aluguel, Dominó protegeu o gênio Milo Thurman e acabou se apaixonando pelo cientista. Por conta de seu fascínio pela obra “A Divina Comédia”, Thurman apelidou Neena com o nome Beatrice, musa inspiradora de Dante Alighieri na obra e personificação da fé.

Poderes e Habilidades

Dominó tem a capacidade de manipular eventos para que o resultado a favoreça em combate. Dessa maneira, quando está em conflito e se coloca em uma situação de risco, as chances de superar o desafio são maiores do que um possível fracasso. Entretanto, seus poderes trabalham apenas com chances reais de possibilidade e não podem criar eventos impossíveis em um determinado cenário.

Além disso, também tem uma corrente de pulsos bioelétricos que aumentam os seus reflexos e a fazem desviar de projéteis e ataques velozes. É treinada em artes de combate e apresenta uma grande precisão para atingir seus alvos.

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Mas e a versão do cinema? O que podemos esperar?

Desde a divulgação da atriz que interpretará a Dama da Sorte nos cinemas, muito tem se falado sobre uma possível descaracterização da personagem com base no fato de que Zazie Beetz ser negra e ainda apresentar um cabelo ao estilo “Black Power” em seu papel como Dominó. Vale ressaltar que originalmente, a mutante apresenta nos quadrinhos uma pele de coloração única que varia do tom esbranquiçado ao acinzentado, a depender do desenhista que a represente, com uma marca negra na região do olho esquerdo.

Entretanto, diferente do que muitos afirmam acontecer neste caso específico, a sua cor de pele não apresenta nenhuma outra função nos quadrinhos que não seja além de uma particularidade estética, sem afetar a personalidade e nem o histórico da personagem.

No caso da Dominó, temos um claro exemplo de uma personagem totalmente aberta a uma modificação étnica, pois ser branca ou negra não interfere de forma alguma em seu processo de formação e suas motivações nas HQs. Sua condição mutante e sua personalidade não existem por conta da cor de pele e as características “exóticas” de seu corpo podem ser reproduzidas por outro aspecto. Este é caso do olho esquerdo da versão do cinema, que apresenta uma marca branca ao lugar da marca negra nos quadrinhos.

O que realmente pode ser preocupante para fãs, e que sem dúvidas não dá para saber no atual momento, é como a personagem será levada ao cinema em relação ao seu psicológico, poderes ou comportamento. Esses fatores vão além de apenas um visual e podem variar de mudanças necessárias e eficientes ou desnecessárias e completamente infundadas, fazendo com que sua adaptação torne-se apenas uma sombra da versão original ou até um nova influência que dê mais elementos aos quadrinhos.

O “monstro” da diversidade e a tempestade no copo d’água

Não é de hoje que mudanças de etnia, gênero e até de nacionalidade entram na pauta da polêmica entre fãs e apreciadores de determinada obra. Entretanto, sempre é bom analisar cada caso de forma única e entender o quanto isso pode afetar ou não aquele determinado herói ou vilão.

Personagens como Pantera Negra (Tchalla), Punho de Ferro (Danny Rand), Mulher-Maravilha (Diana) e Capitão América (Steve Rogers) têm a complexidade de sua personalidade, origem e motivações bem fundamentadas por algum tipo de característica étnica, gênero ou nacionalidade que influenciaram a sua formação e o fazem ser o que são.

Tirar Tchalla da condição de um africano negro, assim como Danny Rand de um ocidental, interferem diretamente na essência da qual cada um deles foi criado. Porém, se o príncipe de Wakanda fosse reinterpretado como uma mulher e a Arma Viva de Kun Lun fosse negro, estes aspectos não afetariam os principais motivadores de cada um deles.

Vale ressaltar que nos casos citados, reforço que são diretamente pensados nas identidades e não nos uniformes. Um Capitão América Sam Wilson, que é negro, tem tanta legitimidade quanto Steve Rogers, pois carrega apenas uma herança de uniforme e não uma mudança de personalidade. Diferentes caracterizações não interferem no âmago dos personagens adaptados. Podemos citar aqui o Rei do Crime, do antigo filme do Demolidor, e Perry White, nos atuais filmes do Superman, ambos negros, ou o piloto Starbuck da série Battlestar Galactica que, enquanto na versão de 1978 era do sexo masculino, na versão mais recente foi representado como uma mulher.

Em tempos difíceis, nos quais muito se fala e pouco se ouve, ter um pensamento analítico sobre cada um dos casos apresentados é uma saída mais lógica e segura do que sempre foi. Precisamos entender as demandas e anseios de cada um para poder compreender melhor o mundo que compartilhamos e representamos.

Os X-Men e a franquia mutante sempre foram um espaço no qual tolerância e diversidade são mensagens que sobreviveram entre sagas, confrontos espaciais e viagens no tempo. Ter a lógica de que estes princípios devem seguir refletidos no universo X, independente se for nas HQs, filmes ou séries de TV, é a verdadeira preocupação que fãs destes heróis deveriam realmente se importar.

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