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Conheça o processo de criação da abertura de Game of Thrones

Além de trazer diversas animações de todos os cantos do mundo, o Anima Mundi 2017 também trouxe nomes de peso para contar um pouco sobre o mercado e sobre o trabalho na área.

Um dos grandes nomes do festival foi Robert Feng, do estúdio Elastic, responsável pela criação da abertura da premiada série Game of Thrones. Durante uma masterclass de quase três horas, ele explicou como foi o desenvolvimento do conceito, apresentou as referências utilizadas e deixou todo mundo boquiaberto com seu conhecimento e agilidade para resolver problemas.

Eu sou um ‘resolvedor’ de quebra-cabeças.

O conceito da abertura nasceu de algo simples: um mapa. Feng queria que fosse memorável, mas também que fosse funcional. Por ser uma série que se passa em mais de um continente, mostrar os locais por onde o episódio vai passar pareceu uma boa ideia para ajudar o espectador a entender a dimensão do mundo.

Com um processo de desenvolvimento longo e orgânico, as ideias foram surgindo e logo Feng e sua equipe se encantaram pelo estilo de “ciência medieval”, como as invenções de DaVinci, muito focado em engrenagens e ações que desencadeiam outras ações. A ideia era passar a sensação de que o mapa era algo que poderia ser tocado, feito a mão, e que aparentasse ser antigo.

Uma das maiores inspirações da equipe foi esse calendário:

Diversas pessoas passaram pela equipe de Feng, e ele contou que fez questão de contar o mínimo possível para cada um deles, deixando-os livres para trazerem ideias frescas e novas sem muita influência do que já estava sendo feito.

Além de se inspirar nos livros e artes oficiais, o criador da abertura foi atrás de fanarts e outros conteúdos produzidos por fãs para conseguir captar a interpretação do público sobre aquela série. “Sempre fui fã de ficções científicas e sei como fãs enfurecidos são, e a única coisa que eu mais queria tentar era homenagear as pessoas que estão acompanhando esse mundo por tanto tempo, então nós pesquisamos as capas dos livros, e algumas artes feitas por fãs também”, conta Feng. “Eu não apenas li os livros, eu tentei entender ao máximo como os fãs eram, seus motivos e o que eles mais gostavam nos livros”.

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Robert Feng, do estúdio Elastic, responsável pela criação da abertura de Game of Thrones

Alguns detalhes da abertura são tão sutis que os entendemos sem nos darmos conta, e só percebemos sua grandeza e importância para a narrativa quando alguém resolve apontá-los para nós, como a história que é contada nas fitas ao redor do sol. Ela retrata acontecimentos anteriores aos do primeiro livro e mostra o reinado do último rei Targaryen, a traição dos Lannister e, eventualmente, a ascensão de Robert Baratheon como monarca, e todas as outras casas se curvando em respeito.

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As Casas reverenciam o símbolo dos Baratheon

Outro detalhe importante é que a sequência de abertura foi criada antes do seriado ir ao ar em 2011 — e, quando foi criada, George R. R. Martin ainda não havia divulgado nenhum mapa de Pentos, cidade que fica fora do continente de Westeros, mas Feng e sua equipe precisavam do mapa para a abertura. Então, o autor desenhou o mapa da região num guardanapo e deu para os artistas usarem como referência.

Durante o longo processo de criação da abertura, que foi de mais ou menos 9 meses desde o conceito até a versão final animada, cerca de 15 pessoas trabalharam no projeto, e uma delas foi o compositor Ramin Djawadi, que criou a trilha enquanto o trailer ainda estava sendo feito e, portanto, teve a chance de participar de sua produção também.

Feng defende que a produção aconteceu de forma orgânica e sobre três pilares principais: começar do óbvio, não ter medo de descartar ideias e refazer o máximo possível — ou seja, abraçar o processo e não apenas o resultado final.

Resultado esse que, sete anos após sua criação, ainda causa arrepios em muitos fãs da série.


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