Jovem Nerd

Abrace o hype: quem tem que fazer o filme ser bom não é você

De repente, foi anunciado que A franquia ícone dos nerds do mundo todo teria três novos filmes. O primeiro teaser foi melhor do que ótimo! Foi i-na-cre-di-tá-vel! O sujeito viu e reviu mil vezes, não teve outra escolha e não importava: toda vez que ouvia “And the light” e a Millennium Falcon aparecia na tela, se arrepiava!

Então, naturalmente, começou a conversa: “Melhor baixar as expectativas”. “Cuidado com o hype“. “Se você for esperando muito, pode se arrepender”. “Lembra o que aconteceu da última vez?”. “Se você for mais ‘sóbrio’ vai analisar melhor o filme”.

Por quê?

Essa é uma geração de “produtores de conteúdo” com todas as portas abertas para que qualquer um se torne um influenciador digital. Mesmo aquele sujeito que usa o Facebook só como “pessoa física”, vai ostentar na sua linha do tempo algo como “Fulano de tal: assistindo Star Wars” e influenciar alguém. Em seguida, quando publica sua própria opinião, que tem grande chances de ser acompanhada de comentários do tipo “Obrigado, você escreveu tudo o que eu queria dizer”; “Beltrano, veja isso kkkk” e outras coisas que a gente encontra no dia a dia logo que qualquer coisa estreia, vai influenciar de novo…

E é onde a gente conversa agora (também). Nas redes sociais, nos grupos do WhatsApp. É uma ampliação da experiência que sempre rolou na saída do cinema: se antes você perguntava para quem estava com você “E aí, o que achou do filme?”, agora você faz isso e também fala com muito mais pessoas sobre o mesmo assunto ao mesmo tempo. É o antigo “boca a boca”, que agora seria de “celular a celular”, algo assim, e, por isso, tudo é mais intenso e rápido.

Voltando então ao banho de água fria que você se deve se submeter antes de assistir algo: por qual razão você deveria deixar de alimentar o seu hype? Você é um crítico profissional e precisa analisar friamente (mesmo que seja humanamente impossível)? É pago para isso ou pretende ser um dia? Se tratando do que quer que a pessoa goste (aqui eu falei de Star Wars, mas poderia ser uma banda, um livro novo do seu autor preferido, qualquer coisa), acho que devemos vestir a camisa, levar o sabre de luz (mesmo que seja aquele retrátil de plástico azul), comprar o copo especial de pipoca, ir na sessão da madrugada da pré-pré-pré-estreia, chegar atrasado no trabalho no outro dia por causa disso e com a ressaca de quem vivenciou tudo o que tinha pra curtir, além de toda a descarga de adrenalina a cada cena do filme.

Se o filme for ruim, foi. Se foi ótimo, melhor ainda. Mas ninguém deve se privar da empolgação para “evitar estragar a experiência”. O papel de quem compra o ingresso é ir e se divertir, chorar, morrer de susto, etc. Deixa a preocupação de fazer algo bem feito e competente para quem está ganhando (milhões) nos estúdios. O fã merece ser conquistado, não deve “esperar pelo pior” para se contentar com o mediano.

Com essa coisa de toda internet, tem também a experiência social de assistir algo para “Ver se é aquilo mesmo que todo mundo está falando”, “Não é possível que seja tão ruim assim”, “A opinião do crítico não importa, eu vou tirar minhas conclusões (ainda bem)”, “Preciso ver logo para evitar spoilers” e muitas outras situações que podem fazer o espectador “engolir” tudo, o mais rápido possível, para não perder o embalo. Isso rola com todas as mídias e é papel do marketing que falem da tal obra e quando algo é impactante vai acontecer mesmo.

Então a pessoa vai esperando algo para opinar também — que pode não ser saudável e um dos embriões dos diferentões, dos contra-tudo (“só eu que gostei desse filme?”, diz o perspicaz “Tobby_1992”) e dos discursos de ódio nos comentários. O que é diferente de esperar que seja bom e torcer pelo melhor (que é, sem dúvida, positivo).

And the light“, a Millennium Falcon na tela e você gritou um palavrão (as dez vezes que viu). Assinou um serviço de streaming novo só para ver aquela série foda, comprou um livro na pré-venda, afinal, é aquela escritora que você ama. Ótimo! Você experimentou o melhor que o entretimento pode produzir: os sentimentos, as experiências e as lembranças. O susto, a risada alta, a vontade de dar umas voadoras quando sai da sala…

Por que alguém abriria mão disso?

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