X-Men: Fênix Negra | Crítica

Longa que encerra a fase atual dos heróis é uma despedida decepcionante para os fãs

Cesar Gaglioni Publicado por Cesar Gaglioni
X-Men: Fênix Negra | Crítica

A Saga da Fênix Negra é, sem sombra de dúvida, a HQ mais emblemática dos X-Men. Assinada por Chris Claremont e John Byrne, dupla que fez história nas revistas dos Filhos do Átomo, o arco acabou ficando conhecido por ser um ponto de virada nas aventuras dos mutantes e em toda a Marvel, dando mais peso para o que era publicado na editora à época.

Com uma trama que se tornou clássica e um elenco estelar, é uma pena que X-Men: Fênix Negra, filme que encerra a fase atual dos heróis no cinema, entregue um produto muito inferior ao material original.

A história gira em torno de Jean Grey (Sophie Turner) que, durante uma missão espacial, acaba absorvendo a energia da Fênix, uma antiga e poderosa entidade cósmica. Assim, ela se torna o ser mais forte da galáxia, e precisa aprender a controlar suas novas habilidades, ao mesmo tempo em que confronta seu passado, descobrindo segredos que foram escondidos por Charles Xavier (James McAvoy).

Escrito e dirigido por Simon Kinberg, roteirista que adaptou a mesma HQ no terrível X-Men 3: O Confronto Final (2006), o novo longa tinha tudo para dar certo, e consegue captar, em diversos momentos, o espírito da saga original. Mas a narrativa é tão apressada e genérica que enfraquece até os pontos positivos. Um exemplo disso é Luna, personagem interpretada por Jessica Chastain, cuja participação no filme foi base para várias teorias, dado todo o marketing da produção, mas que, no fim das contas, está lá apenas para dizer que a história tem uma vilã propriamente dita.

Outro ponto que prejudica o novo longa dos Filhos do Átomo é o fato de Kinberg não saber que tom quer dar para sua história. Em alguns momentos, ele aposta em uma atmosfera mais leve e descontraída. Em outros, tenta se aproximar do tom mais pesado de Logan. E em outros, aposta no espetáculo da violência caricata visto em Deadpool. Com tantos caminhos seguidos, o filme acaba não tendo uma identidade própria bem definida.

Apesar disso, o roteiro de X-Men: Fênix Negra tem dois bons destaques: o conflito interno de Jean perante seus novos poderes e o questionamento de Xavier acerca de seu próprio papel na liderança da equipe. Ambos os arcos são bem construídos, e potencializados pelas performances de Sophie Turner e James McAvoy.

Se apresentando como um final definitivo para a jornada dos mutantes nas mãos da Fox, X-Men: Fênix Negra derrapa na maior parte do tempo, dando aos fãs uma despedida decepcionante e bagunçada. Uma que tinha tudo para ser, tal qual a equipe dos quadrinhos, fabulosa.