What If…? retorna ao início do MCU para contar origem da Capitã Carter

Série animada da Marvel estreou nesta quarta-feira (11)

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
What If…? retorna ao início do MCU para contar origem da Capitã Carter

Quando a Marvel anunciou as produções da Fase 4, os fãs receberam com entusiasmo a notícia de que o estúdio passaria a explorar também os streamings em séries originais. Se WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal e Loki saltaram aos olhos por dar espaço para personagens que não ganharam muito espaço nos cinemas, a produção que se destacou das demais foi What If…?, a primeira animação do MCU.

Inspirada na clássica HQ O Que aconteceria Se…, a série apresenta diferentes realidades do multiverso da Marvel em que os eventos aconteceram de forma diferente do que conhecemos do universo principal. Para o episódio de estreia, que chegou ao Disney+ nesta quarta-feira (10), a série leva o público de volta à Segunda Guerra Mundial.

[Atenção! A partir de agora, spoilers do primeiro episódio de What If…?]

O primeiro episódio de What If…? retorna para Capitão América: O Primeiro Vingador para imaginar o que aconteceria se o soro do supersoldado não fosse parar nas veias de Steve Rogers. Na animação, o sabotador tenta prejudicar o projeto antes do franzino soldado receber seus poderes. Para não perder todo o progresso do programa, Peggy Carter aceita receber o fardo e assim se torna a Capitã Carter.

Peggy Carter em What... If? e Steve Rogers em Capitão América (Divulgação/Marvel)
As origens de Capitã Carter e Capitão América

É difícil acreditar que a estreia de What If…? tenha retornado ao início da Fase 1 do MCU por puro acaso. Em seus primeiros minutos, a história cria uma atmosfera nostálgica que certamente vai conquistar os fãs que estavam nos cinemas em 2011 para ver o Capitão América receber seu escudo. Esse sentimento é alimentado pelas situações, que se repetem sob uma nova ótica, e também pelo retorno de personagens queridos.

Em primeiro lugar, é preciso falar sobre Peggy Carter, a Capitã desta realidade. Um dos carros-chefes da divulgação da animação, a personagem justifica os holofotes que recebeu até aqui. Mais do que uma versão feminina de Steve Rogers, ela se desenvolve com uma personalidade única que torna natural os desvios que sua jornada toma em relação ao que já conhecíamos.

Peggy Carter, a Capitã do universo de What If...? (Divulgação/Marvel)
Peggy Carter, a Capitã do universo de What If…?

Para isso, o texto de A.C. Bradley aborda diversos temas que vão desde os direitos das mulheres na década de 1940, até as relações pessoais da agente com aqueles à sua volta. É assim que Howard Stark, o próprio Steve e até mesmo Bucky Barnes ganham uma nova luz: agora eles gravitam em torno da heroína.

A partir daí, a série prepara terreno para romper com o que foi feito nos cinemas, um cenário que a equipe criativa aproveita para se aprofundar nas possibilidades das realidades paralelas. Com isso, a Capitã Carter ganha um aliado de peso em Steve Rogers, que recebe uma armadura de Howard Stark e se torna o primeiro Homem de Ferro da história durante a Segunda Grande Guerra. Além de um fanservice bem executado, esse enredo também faz justiça ao personagem, cujo altruísmo veio antes de qualquer soro.

Revisitando eventos como o resgate de Bucky Barnes e o Comando Selvagem, até embates contra o Caveira Vermelha e seu Tesseract, o episódio faz bonito e chega ao fim com a promessa de que a Capitã Carter vai voltar. Ao fim do capítulo fica fácil entender o que o produtor Brad Winderbaum quis dizer ao descrever a personagem como alguém que “se destaca e se torna importante”. Com uma estreia divertida e empolgante, a personagem é mais do que bem-vinda para retornar.

Capitã Carter e o Homem de Ferro em What If...? (Divulgação/Marvel)
Capitã Carter e o novo Homem de Ferro

Em relação à animação, a série se sai melhor do que as prévias estavam prometendo. Ainda que seu estilo 3D não seja particularmente chamativo, é nítido o empenho em fazer com que sua estética seja uma espécie de meio-termo entre o live-action e os quadrinhos. Um bom exemplo está nas cenas de ação, que utilizam enquadramentos cinematográficos, mas se afastam do realismo graças à técnica de cel-shading.

Ainda assim, há um longo caminho a percorrer para que a estética se torne marcante. Se apoiando demais no cinema, a animação perde a chance de deixar uma marca própria e por vezes parece sem vida, desperdiçando o ótimo trabalho do texto e de seus intérpretes. Em um momento particularmente feliz para a indústria da animação — tanto nos filmes, quanto na TV –, esse estilo parece abaixo do que a toda poderosa Marvel pode entregar. Com uma segunda temporada já confirmada, fica a torcida para que os criadores tragam um novo brilho para a produção.

Outro ponto que merece destaque em What If…? é o Vigia. Repetindo seu papel dos quadrinhos, a entidade cósmica surge na animação como um narrador que observa mas não interfere nos eventos narrados. Ainda que sua participação seja pequena, o personagem surge como uma sombra que permeia todo o enredo e leva o público por esse passeio no multiverso da Marvel. Resta esperar para ver como será a participação de Uatu nos próximos episódios.

What If…? ganhará novos episódios às quartas-feiras no Disney+.

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