WandaVision: último episódio é um “até logo” e não um “adeus”

A Fase 4 começa com uma série de despedidas e possibilidades

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
WandaVision: último episódio é um

O último episódio de WandaVision foi lançado no Disney+ na última sexta-feira (5), e, além de ter causado instabilidade na plataforma, trouxe o MCU que já conhecemos à tona.

[Aviso: O texto abaixo contém spoilers e recomendamos assistir ao nono episódio antes de continuar.]

O nono e último episódio, “O Grande Final”, faz jus ao nome e entrega uma série de despedidas, mas deixa algumas portas abertas para o futuro.

Mergulhando de cabeça no universo cinematográfico da Marvel que acompanhamos na última década, o episódio gera tensão ao redor de duas lutas: uma entre duas versões do Visão, e outra entre Agatha e Wanda, que permeia o episódio inteiro.

A disputa entre o recém-chegado Visão branco, enviado por Hayward para destruir Wanda, e o Visão de Westview traz cenas interessantes com um personagem passando por dentro do outro e usando seus poderes, mas termina com uma “batalha” mental. O Visão colorido consegue convencer o outro a não destruí-lo e ainda restaura as memórias do personagem, que estavam convenientemente implantadas porém inacessíveis. O Visão branco, que agora tem consciência de tudo o que aconteceu no mundo antes de sua ativação, sai voando e não é mais visto na série — mas acho que podemos esperar encontrá-lo novamente em algum momento, no MCU.

Depois de passar um episódio longe dos holofotes, Mônica Rambeau volta a aparecer e desmascara Ralph, um morador comum de Westview — a identidade verdadeira do Pietro interpretado por Evan Peters. O personagem estava sendo controlado por Agatha, poderes e tudo.

Ralph Bohner, um cidadão comum de Westview

Por falar em poderes, vemos mais um pouco do potencial de Mônica. Ela entra no meio da briga entre militares, Agatha, Visão branco e a família de Wanda, defendendo Billy e Tommy de uma série de tiros. As balas atingem o corpo dela, mas, ao invés de feri-la, os projéteis a atravessam lentamente, caindo do outro lado incapazes de machucar ninguém.

Nos quadrinhos, Mônica tem a habilidade de assumir uma forma feita com energia, e provavelmente é isto que vemos em “O Grande Final”. A personagem altera sua forma física para energia, podendo atravessar paredes sólidas e outros tipos de matéria. Não fica claro se, na série, ela usa este poder de forma consciente, mas provavelmente veremos um desenvolvimento e explicações para seus poderes nas próximas produções da Marvel.

Darkhold e o futuro de Wanda

Depois de finalmente nomear Wanda como a Feiticeira Escarlate, Agatha deixa seu objetivo claro: pegar os poderes da personagem para si. É aqui que vemos os poderes de ambas as bruxas, e é também quando Agatha revela o Darkhold, aquele livro misterioso que apareceu no porão, no longínquo episódio 7.

A bruxa revela que o livro contém um capítulo completamente dedicado à criação da Feiticeira Escarlate, dizendo que o título não é dado assim que a pessoa nasce, e sim algo que a pessoa se torna. O livro também afirma que a Feiticeira Escarlate é uma bruxa cujo poder excede até mesmo o do Mago Supremo, também conhecido como Doutor Estranho, interpretado no MCU pelo ator Benedict Cumberbatch.

Anteriormente mostrado em Agentes da S.H.I.E.L.D. e em Runaways, série da Hulu, o Darkhold é um livro cheio de feitiços e vilanias escrito pelo ancião Chthon, que, nos quadrinhos, já usou a Feiticeira como isca para atrair os Vingadores para uma cilada com o objetivo de renascer na Terra.

Na segunda cena pós-créditos do episódio, vemos Wanda afastada da civilização, tomando um chá ao mesmo tempo em que aparece compenetrada em estudar o livro dos condenados usando sua forma astral. Enquanto folheia o tomo, ela ouve as vozes de seus filhos pedindo por ajuda, o que pode ser um ponto de virada para que ela cumpra o destino previsto por Agatha de destruir o mundo. Seria WandaVision uma complexa história de origem da Feiticeira Escarlate como vilã?

Até logo

O clima de despedida em “O Grande Final” soa menos como um “adeus” e mais como um “até logo”. Embora tenhamos que dizer tchau para o Visão colorido, há o Visão branco a solta. Billy e Tommy deixaram de existir juntamente com a ilusão de Westview, mas podemos ouvir suas vozes na cena pós-créditos. Até mesmo Agatha, que tentou sugar todos os poderes da Feiticeira Escarlate, continua existindo, ainda que presa no subconsciente de uma vizinha engraçadinha e intrometida.

Mônica recebe uma visita inesperada de uma Skrull, enviada por um “velho amigo” de sua mãe. Aqui, temos um trocadilho com a expressão “grounded”, que pode ser traduzida como estar de castigo mas, em tradução mais literal, significa que a pessoa está presa na terra. A Skrull afirma que este amigo está no céu, ou, mais especificamente, no espaço.

Teorias indicam que este amigo pode ser Nick Fury, que está atualmente fora de órbita, conforme informações obtidas na cena pós-créditos de Homem-Aranha: Longe de Casa. Vale prestar atenção que o artigo utilizado para se referir ao personagem é o masculino, eliminando assim a ideia de que o amigo em questão seria Carol Danvers, a Capitã Marvel.

Provavelmente, um dos únicos “adeus” que devemos dar a essa altura é para o Mercúrio de Evan Peters, que nunca foi real e que provavelmente voltou a ser apenas um cidadão de Westview,  levando consigo algumas das nossas maiores esperanças de ver os mutantes chegando ao MCU em um futuro próximo. Mas, assim como Wanda, devemos aceitar a perda e seguir em frente.

Wanda vê as consequências de seus poderes na vida dos moradores de Westview

WandaVision abriu a Fase 4 das produções da Marvel em grande estilo. Com uma maior liberdade para usar outros gêneros e mais tempo para explorar o assunto por ser uma série, o clima de sitcom dos primeiros episódios deu uma quebrada na fórmula e no ritmo que já conhecemos.

A forma de consumo semanal e a discussão de teorias, ainda que boa parte delas não tenham se concretizado no final, fizeram de WandaVision uma experiência nova e divertida, sem perder a essência do que já vem sendo feito há mais de uma década.

Os encerramentos com cenas pós-créditos que deixam pistas para o futuro ou escancaram ligações entre acontecimentos da série e dos filmes continua sendo um ponto forte do MCU, e, no mínimo, desperta a curiosidade do espectador para saber o que vem por aí nesta nova fase, que continuará em Falcão e o Soldado Invernal.