Viúva Negra | Crítica

MCU se despede de Scarlett Johansson em aventura explosiva e envolvente

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Viúva Negra | Crítica

A Viúva Negra chegou aos cinemas em 2010, no segundo filme do Homem de Ferro. De lá para cá, Natasha Romanoff se tornou um dos símbolos do Universo Cinematográfico da Marvel por desempenhar papel importante nos filmes dos Vingadores e do Capitão América. Por isso, há mais de uma década os fãs pedem por uma aventura solo da heroína, que chega justo após seu sacrifício em Vingadores: Ultimato. A saída? Olhar para o passado da heroína em uma aventura explosiva e envolvente.

Se Viúva Negra já era esperado pela importância da heroína, os adiamentos causados pela pandemia aumentaram ainda mais a ansiedade pelo longa. Felizmente, o filme dá à Scarlett Johansson uma despedida digna da jornada de sua personagem e sai triunfante mesmo com seus deslizes.

Consciente da curiosidade do público sobre o passado da personagem, o filme começa com um prólogo ambientado na década de 1990. Após sermos apresentados à infância de Natasha ao lado de sua “família”, somos levados a um passado menos distante. Encontramos a heroína já adulta após os eventos de Capitão América: Guerra Civil isolada em busca de solidão e paz. Porém, ela acaba voltando à ação quando assuntos inacabados do passado voltam para assombrar.

Logo de início, Viúva Negra se mostra como resultado da evolução da “fórmula Marvel” nos últimos anos. Contrariando vários dos filmes de origem do MCU, a produção estabelece logo de cara um ritmo certeiro e ágil que nunca parece apressado. A personagem percorre todo um caminho antes de fazer seu aguardado retorno à Rússia, o que dá um tom de elegia à despedida. Uma atmosfera alimentada pela entrega de Johansson, que preenche o primeiro ato quase sozinha.

O tom melancólico da trama é deixado de lado quando a heroína recebe seu chamado à aventura. Seu retiro é interrompido quando Yelena Belova, a falsa irmã mais nova do seu passado, revela que a Sala Vermelha ainda existe e seu comandante Dreykov ainda está vivo. Motivada a derrubar ambos de forma definitiva, a dupla promove uma reunião familiar com Alexei e Melina, espiões que atuaram como seus pais.

Um dos grandes méritos do roteiro é tornar cada adição à “família” de Romanoff um momento especial. Com diferentes doses de ação, comédia e drama, os encontros são cativantes e ajudam a mostrar diferentes lados da heroína. Sentimentos como empatia, mágoa, carinho, arrependimento e frustração se misturam e adicionam camadas que complementam a figura de liderança que ela assumiu em filmes como Guerra Infinita e Ultimato.

Ao mesmo tempo, são apresentados personagens que fazem jus à responsabilidade de contracenar com uma figura tão amada. O destaque é claramente Yelena, que dá à Florence Pugh a chance de conquistar um espaço no MCU. Divertida e petulante, ela equilibra como ninguém força e fragilidade com um carisma absurdo. Em grau menor, é possível elogiar também David Harbour como um herói falho e orgulhoso e Melina como a figura materna que se esforça para enterrar emoções que sempre arranjam um jeito de escapar.

Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour e Scarlett Johansson em Viúva Negra (Divulgação/Marvel)
Yelena, Melina, Alexei e Natasha promovem reunião familiar em Viúva Negra

A dinâmica da família dá ao roteiro a oportunidade de responder várias perguntas sobre a Viúva Negra que pairam na cabeça dos fãs há anos. Detalhes sobre eventos importantes, suas motivações para agir (ou não) em determinadas situações e até sua pose é colocada em cheque durante conversas que poucas vezes parecem deslocadas com o desenrolar da trama.

Se uma das bases de Viúva Negra é a divertida interação entre a família, a outra está na ação. Presente desde muito cedo no filme, as sequências de porradaria são empolgantes e feitas na medida para mostrar as habilidades de todos os membros do quarteto. Ainda que não reinvente a roda e falte um pouco de capricho para atingir o potencial máximo, esses momentos conferem um dinamismo que faz muito bem ao filme.

E nesse ponto é preciso destacar também o Treinador. Clássico vilão dos quadrinhos conhecido por imitar habilidades de outros lutadores, ele aparece aqui como um tributo ambulante ao incorporar o estilo de luta de heróis como Capitão América, Pantera Negra, Homem-Aranha e mais. Porém, a diretora Cate Shortland vai além e cria uma figura imponente e aterrorizante. Quase como um assassino de filmes slasher, ele surge em pontos cegos e em movimentos lentos antes de iniciar outra sequência de ação.

O Treinador, aliás, faz parte do grande tema do filme: abuso. Por conta do que já havia sido revelado sobre a personagem em outros filmes, o mergulho em seu passado traz esse tópico, cuja abordagem marca um dos problemas da história. Estabelecido desde o poderoso desfecho do prólogo, o tema usa o submundo da espionagem como metáfora. Porém, a discussão avança de forma superficial, recorrendo a resoluções pouco inspiradas para questões complexas.

Isso, infelizmente, é um problema que se repete ao longo do filme. Se sua introdução e desenvolvimento empolgam por uma intrincada relação de causa e efeito, conforme se aproxima do desfecho o roteiro passa a recorrer a soluções milagrosas. No terceiro ato, especialmente, esse recurso é utilizado para acelerar e retardar a trama de forma arbitrária, o que acaba tirando um pouco do brilho de uma história que em sua maior parte é bem amarrada.

Por fim, o saldo de Viúva Negra é positivo. Ficando no meio termo entre evitar armadilhas e cometer deslizes, o filme promove uma bela despedida para a espiã mais querida do Universo Marvel. Se tratando de uma produção do MCU, é claro que há ganchos para o futuro, mas isso não importa muito agora. O momento é de celebrar, mesmo que pela última vez, a primeira Vingadora.

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