Cientistas encontram substância que pode indicar existência de vida em Vênus

O gás encontrado, a fosfina, é proveniente de agentes biológicos na Terra

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Foto: JAXA / ISAS / Akatsuki Project Team

Cientistas divulgaram hoje (14) que encontraram uma substância chamada fosfina na atmosfera de Vênus que pode indicar a existência de vida no planeta.

A fosfina, gás incolor e tóxico para humanos, é reconhecida como uma bioassinatura, ou seja, algo que precisa de um agente biológico para existir — ao menos na Terra. Por aqui, o gás só é produzido de maneira industrial ou por micróbios que existem em locais sem oxigênio.

Não há mais informações sobre uma possível origem do gás pois os dados sobre a presença da substância no planeta são escassos: há apenas um estudo sobre o assunto, feito a partir de um experimento com a Vega 2, missão russa que foi à Vênus em 1985.

Impressão artística de Vênus, com inserção representativa das moléculas de fosfina
Foto: ESO / M. Kornmesser / L. Calçada & NASA / JPL / Caltech

A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada pela professora Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, utilizando o Telescópio James Clerk Maxwell (JCMT), localizado no Havaí. O time também usou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que fica no Chile, para chegar a conclusão de que as nuvens de Vênus realmente tem traços de fosfina.

Greaves conta que ficaram muito surpresos com o que encontraram:

Isso foi um experimento feito a partir da curiosidade, na verdade — nos aproveitando da tecnologia do JCMT, e pensando em instrumentos para o futuro. Achei que poderíamos apenas descartar possibilidades extremas, como as nuvens estarem cheias de organismos. Quando encontramos os primeiros sinais de fosfina no espectro de Vênus, foi um choque!

Apesar de ter mais ou menos o mesmo tamanho que a Terra, Vênus é completamente diferente. As nuvens do planeta são extremamente ácidas — os micróbios terrestres conhecidos suportam apenas cerca de 5% de acidez em seus territórios, e as nuvens em questão são compostas de 90% de ácido sulfúrico.

Com a descoberta, a equipe fará novas observações e pesquisas a fim de procurar outros gases que também podem ser indicativos de vida. Com informações do Royal Astronomical Society.