Uma Thurman finalmente detalha ataques que sofreu de Harvey Weinstein [Atualizado]

A atriz também acusou Quentin Tarantino de quase matá-la em uma cena de Kill Bill

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Uma Thurman finalmente detalha ataques que sofreu de Harvey Weinstein [Atualizado]

[Atualizado] Segundo o THR, Harvey Weinstein admitiu, através de um representante, ter tido segundas intenções, mas negou ter atacado a atriz. “Não houve contato físico” durante o episódio descrito por Uma Thurman e que o produtor não entende porque ela, quem ele considerava como uma amiga próxima, está fazendo estas acusações.

O advogado de Weinstein, Ben Brafman, afirmou que as acusações de Uma Thurman “estão sendo cuidadosamente examinadas e investigadas antes que seja decidido se alguma ação judicial contra ela seria apropriada”.

Leia a notícia original:


Desde que as dezenas de acusações de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein começaram, a atriz Uma Thurman tem revelado uma raiva guardada, mas que dizia ainda não estar pronta para revelar. Isso finalmente mudou, com o jornal The New York Times publicando uma matéria onde ela detalha tudo o que aconteceu.

Na entrevista, a atriz diz que se sente culpada por todas as mulheres que foram atacadas por Weinstein depois dela, pois foi com seus filmes Pulp Fiction e Kill Bill que o produtor fez sua fama e riqueza, algo que ele mesmo disse para ela.

O sentimento complicado que eu tenho sobre Harvey é o quão mal eu me sinto sobre todas as mulheres que foram atacadas depois de mim. Eu sou uma das razões pela qual uma jovem garota entrava na sala dele sozinha, da mesma forma que eu. Quentin [Tarantino] tinha Harvey como produtor executivo de ‘Kill Bill’, um filme que simboliza o empoderamento feminino. E todas estas vítimas iam para o abate porque elas estavam convencidas de que ninguém que chega até esta posição faria algo ilegal com você, mas fazem.

Na matéria, onde ela também conta que sofreu assédio quando tinha 16 anos por um ator 20 anos mais velho, Thurman aproveitou para destacar que sua antiga agência, Creative Artist Agency, estava conectada ao comportamento predatório de Weinstein, dizendo também que é estranho ser uma pessoa que foi vítima, mas que também foi parte do problema.

Ela explica que o primeiro ataque aconteceu em Londres, no Savoy Hotel, pouco tempo depois uma discussão com Weinstein na qual ele simplesmente deixou o roupão cair e pediu para que ela acompanhasse até uma sauna, o que ela não fez.

Foi como uma pancada na cabeça. Ele me empurrou para o chão. Tentou se jogar em mim. Tentou se expor. Ele fez todo tipo de coisas desagradáveis. Mas ele não se dedicou para me forçar. Era como um animal se contorcendo, como um lagarto. Eu estava fazendo tudo o que podia para colocar o trem de volta nos trilhos. Meus trilhos. Não os dele.

A atriz estava na casa de sua amiga, Ilona Herman, maquiadora de Robert De Niro, quando recebeu um “presente”: “No dia seguinte, chegou na casa dela um buquê vulgar de rosas de uns 65 centímetros. Elas eram amarelas. Eu abri a nota como uma fralda suja e ela apenas dizia: ‘Você tem ótimos instintos.’”

Thurman lembra que decidiu tentar confrontar o produtor, mas decidiu levar Herman com ela para encontra-lo no bar do hotel. Segundo ela, os assistentes tinham uma “coreografia” especial para atrair atrizes para a armadilha dele.

Ela acabou aceitando ir para sua suíte, sozinha, onde ameaçou Weinstein: “Se você fizer o que fez comigo com outras pessoas, você perderá sua carreira, sua reputação e sua família, eu prometo”. No entanto, a memória do incidente termina aí para atriz. Um representante do produtor, que está em terapia no Arizona, confirma que Thurman “pode mesmo ter dito isso”.

Ilona Herman diz que ficou nervosa enquanto esperava pelo retorno da atriz. Quando ela finalmente apareceu, algo estava errado:

Ela estava completamente desarrumada, brava, e tinha um olhar vazio. Seus olhos estavam insanos e ela estava completamente fora de controle. Eu coloquei ela em um táxi e fomos para minha casa. Ela estava tremendo muito.

Segundo Herman, quando Thurman se acalmou e conseguiu falar novamente, ela revelou para a amiga que Weinstein ameaçou acabar com sua carreira de atriz.

A atriz continuou trabalhando na Miramax, empresa de Weinstein, com a qual Quentin Tarantino tinha parceria, mas que seu comportamento frio contra o produtor acabou afetando seu relacionamento com o cineasta.

Relembrando de um episódio durante os últimos quatro dias de filmagens de Kill Bill, Thurman conta de uma cena na qual precisa dirigir um conversível azul em uma estrada de terra. No entanto, um companheiro tinha dito, que deveria ter sido preparado para a cena, não estava funcionando muito bem, o que a fez pedir por um dublê – algo que Tarantino não aceitou.

Quentin veio até mim no meu trailer e não gostou de ouvir não, como qualquer diretor. Ele estava furioso porque eu os fiz gastar muito tempo. Mas eu estava com medo. Ele disse: ‘Eu prometo que o carro está bom, é uma estrada reta. Alcance 64 quilômetros por hora ou seu cabelo não vai voar do jeito certo e eu vou te fazer repetir.’ Mas eu estava em uma caixa da morte. O banco não estava preso direito. Era uma estrada de terra e não era uma reta.

Na matéria original a atriz mostrou uma gravação que conseguiu obter depois de 15 anos, mostrando a batida que teve enquanto dirigia e que poderia ter custado a sua vida.

O volante estava em minha barriga e minhas pernas estavam presas embaixo de mim. Eu senti uma dor insuportável e pensei que nunca andaria de novo. Quando voltei do hospital com um protetor de pescoço, com os joelhos machucados, um grande galo na cabeça e uma concussão, eu queria ver o carro e eu estava muito brava. Quentin e eu tivemos uma enorme briga e eu o acusei de tentar me matar. E ele ficou com raiva, acho que compreensivelmente, porque ele não sentiu que tinha tentado me matar.

A vida de Thurman nunca mais foi a mesma depois disso e que nunca antes, mesmo com o caso de Weinstein, tinha se sentido tão fraca. “Quando eles se voltaram contra mim depois do acidente, eu passei de alguém que contribui criativamente e intérprete para uma ferramenta quebrada”, conta a atriz.

Pessoalmente, me levou 47 anos para parar de chamar as pessoas que são ruins com você de apaixonadas por você. Me levou muito tempo porque acho que, como garotas, somos condicionadas a acreditar que crueldade e amor de alguma forma têm uma conexão e este é o tipo de era da qual precisamos sair e evoluir.

Você pode conferir diversos outros detalhes da história de Thurman na matéria original do jornal The New York Times.