Turma da Mônica: Lições | Crítica

Encantador e emocionante, filme celebra legado da Turminha e brilha ao expandi-lo

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Turma da Mônica: Lições | Crítica

Não é exagero definir a Turma da Mônica como um patrimônio cultural brasileiro. Grande obra do gênio Mauricio de Sousa, o grupo do Bairro do Limoeiro se tornou um ícone que acompanha gerações nas páginas das HQs, nos desenhos animados e, mais recentemente, nos cinemas. Após o sucesso do primeiro live-action Turma da Mônica: Laços (2019), o quarteto retorna às telonas com Lições, um filme emocionante e encantador que celebra um legado tão rico e que brilha ao expandi-lo.

Assim como seu antecessor, o longa é adaptação da famosa Graphic MSP de mesmo nome escrita e desenhada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. A história acompanha Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) enfrentando as consequências de uma atitude bem típica de crianças. Castigados pelos pais, o quarteto agora precisa lidar com a distância e as dificuldades de amadurecer.

Se o desafio de Laços foi o transporte de personagens que vivem no imaginário de um país inteiro, o de Lições claramente foi expandir esse universo. Graças a um cuidadoso trabalho dos roteiristas Thiago Dottori e Mariana Zatz e do diretor Daniel Rezende, esse objetivo é atingido em diferentes níveis, que vão desde a celebração à criação de Mauricio, quanto de dar à essa versão o poder de caminhar com as próprias pernas.

No transporte de HQ para live-action, a história cresceu em escopo e profundidade. Aqui, a separação da Turminha é aproveitada tanto para promover pequenos estudos de personagem, quanto para apresentar várias figuras deste universo, que vai muito além do quarteto.

Assim, conhecemos Tina (Isabelle Drummond), Do Contra (Vinícius Higo), Marina (Laís Villela), Milena (Emily Nayara) e muitos, muitos outros. Apesar de serem personagens que carregam anos de histórias, cada apresentação é feita de maneira natural e enriquece o enredo de forma a nunca parecer uma mera referência para fãs.

Essa, aliás, é uma das grandes conquistas da produção, que constrói um universo coeso que funciona de forma independente do que veio antes. É claro que certas referências e piadas – como a hilária participação do Humberto (Lucas Infante) – farão a alegria dos fãs antigos. Porém, essa história é contada com um cuidado que garante identidade e força para caminhar com as próprias pernas.

Neste quesito, é importante ressaltar o trabalho de Daniel Rezende, diretor experiente que trata a Turma da Mônica com o devido respeito, mas sem se deixar intimidar pelo peso deste legado. O cineasta se esforça para capturar a magia do olhar das crianças sem perder de vista o público adulto. Este equilíbrio, que se tornou a marca registrada de estúdios como a Pixar, dá a Rezende a liberdade para brincar um pouco e encaixar homenagens a gêneros como faroeste e até horror slasher em uma história para todas as idades.

Essa maior liberdade para brilhar pode ser constatada também nos protagonistas. Mais experientes após a estreia em Laços, Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira retornam para Lições com uma missão ainda mais difícil, já que o filme está cheio de momentos dramáticos e sérios. Porém, os atores mirins se saem bem no teste e ajudam a elevar o patamar nesta sequência.

É na junção do talento deles com a corajosa proposta do roteiro que assuntos como amadurecimento, bullying e até saúde mental sejam abordados sem perder a leveza lúdica de uma história da Turma da Mônica. Neste ponto, há uma distribuição mais igualitária do tempo de tela entre os quatro, uma questão do primeiro filme que foi corrigida na sequência.

Toda essa construção culmina em um terceiro ato catártico capaz de fazer chorar até mesmo aqueles menos dispostos a derrubar lágrimas nas salas de cinema. Fazendo um paralelo que expande um elemento que já estava na HQ original, o longa chega ao fim provando a importância dessas histórias.

Com uma chuva de easter eggs e até uma cena pós-créditos, o Turma da Mônica: Lições pode até parecer uma resposta brasileira à onda de adaptações Hollywoodianas e seus universos compartilhados. Porém, o longa é planejado e executado levando em conta o que o país tem de melhor, e por isso traz um sabor único que nenhum blockbuster de grande orçamento será capaz de proporcionar.


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