Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 | Review

Nostalgia reunindo jovens e adultos em prol do skate digital

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 | Review

Difícil jogar Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 e não viajar no tempo. Voltar para uma vida mais tranquila, sem complicações ou muitas obrigações. O remake do clássico jogo de skate da Activision chega certeiro no coração nostálgico de todos os fãs da franquia, ao mesmo tempo que consegue entregar uma diversão legítima a qualquer pessoa que queira experimentá-lo pela primeira vez.

Nos anos 1990, o skate tinha se tornado uma mania mundial, indo além de apenas mais um esporte, tornando-se uma forma do jovem se expressar e até mesmo se rebelar. A marca Tony Hawk levou essa cultura para os videogames como poucos conseguiram.

Muito longe de ser um simulador, THPS é um jogo veloz, técnico e focado numa disputa acirrada por combos e manobras impossíveis. O sucesso foi alcançado antes mesmo do seu lançamento, já que o jogo fez sua fama através de um disco de demonstração de jogos que era entregue gratuitamente aos frequentadores da Pizza Hut, nos EUA.

À frente do seu tempo

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 Review

Impossível imaginar, na época, que Tony Hawk Pro Skater seria vanguardista ao ponto que, 20 anos depois, ainda se mostrasse relevante para o mercado, continuando como um dos jogos mais divertidos do gênero. O remake traz de volta praticamente tudo que já existia, além de complementá-lo com algumas atualizações muito bem vindas.

THPS 1+2 reúne os dois primeiros jogos da franquia num pacote único, apenas dividindo as pistas de cada jogo no menu principal do game. Ao todos são 18 cenários remodelados a partir das suas versões originais, e cada um deles com novidades que não vão decepcionar ninguém.

Relembrando o clássico me deparei com muitas áreas especiais que não lembrava que existiam no original. Telhados que parecem inalcançáveis, “bowls” no topo de edifícios e um helicóptero que decola assim que você desliza por suas hélices. Tem bastante coisa escondida nos mapas que são liberadas à medida que as condições para tal sejam alcançadas.

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 Review

O formato de apresentação do game continua o mesmo e os veteranos vão se sentir em casa, já que o jogo continua exatamente igual à versão original. A versão em inglês traz tutorial narrado pelo próprio Tony Hawk que o ensina o básico do game — recomendadíssimo aos novos jogadores. Infelizmente, a dublagem em português não traz nenhum skatista famoso.

Cada uma das fases possui uma lista de objetivos que precisa ser concluída dentro de um limite específico de tempo. Não há a necessidade de fazer todas as tarefas de uma vez, porém, tudo que requer a obtenção de colecionáveis (as letras da palavra “SKATE”, por exemplo) precisam ser resgatadas na mesma tentativa.

Aprender os macetes envolvendo os “grindings” nas bordas do cenário, os “manuais” (comandos especiais que colocam o skatista sob duas rodas apenas), e como tudo isso se une num mesmo combo é a chave para altas pontuações. Difícil e até um pouco frustrante no começo, mas com o tempo a diversão vem, acredite.

Em busca do corrimão perfeito

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No geral, os mapas de Tony Hawk Pro Skater 1+2 tentam apresentar ao jogador uma espécie de mundo dos sonhos dos skatistas. Mesas de refeitório, escadarias, mini rampas e piscinões, tudo no cenário é estrategicamente pensado para arrancar o máximo de manobras em sequências dos jogadores.

Além das pistas fechadas, THPS entrega ao jogador alguns cenários de downhill que vão desde shoppings abandonados a desfiladeiros cheios de recortes e mini rampas para você voar, mesmo que sem asas. Nenhuma das pistas do jogo deixam o jogador no quesito coisas para fazer, no entanto, algumas pistas mais técnicas vão exigir mais habilidade no controle do skatista para encontrar os lugares que realmente valem a pena colocar o skate para rodar.

Não é muito fácil guiar seu boneco no cenário quanto alguns viciados por aí fazem parecer. Primeiramente porque o skatista está sempre acelerando automaticamente (apertar para trás/baixo faz ele parar). Além disso, é preciso misturar velocidade e habilidade para correr pelas paredes para alcançar lugares que o ollie normal não alcança. Como disse anteriormente, estressa no começo, mas depois é só alegria.

Competição online

A novidade fica por conta de um componente online que replica a diversão do multiplayer de sofá original para os servidores online da Activision. É possível praticar as mesmas modalidades do game original — grafite, desafio de combos, estilo livre, pega-pega, entre outros — com até oito jogadores simultâneos.

A competição online é praticamente a mesma da campanha para um jogador. A diferença é que vemos a pontuação dos adversários sendo alcançada em tempo real. Os skatistas não trombam entre si, não há conflito de interesses na conquista de espaços da pista nem nada do gênero. O que vale mesmo são os novos modos de disputa, mas o online não influencia em nada como jogamos.

Gangue reunida

O elenco de Tony Hawk Pro Skater 1+2 não poderia ser mais incrível. Ao todo são 22 personagens selecionáveis, quatro espaços para criação e mais algumas surpresas escondidas no jogo.

A inclusão de mais personagens femininas também fez bem ao jogo. Aori Nishimura, Lizzie Armanto e a brasileira Leticia Bufoni se unem a Elissa Steamer, até então a única representante feminina no primeiro jogo. Ao lado delas, a velha guarda composta por Tony Hawk, Bob Burnquist, Chad Muska, Rodney Mullen se mistura com novos talentos como Nyjah Huston e Leo Baker, mostrando que o skate continua vivo e sempre evoluindo com a nova geração.

Todos os personagens possuem suas próprias características que podem ser evoluídas com pontos de experiência adquiridos ao longo da jogatina. Além disso, desafios específicos de personagem destravam novas roupas e equipamentos, fazendo o jogador experimentar um pouco de cada um dos personagens disponíveis no jogo.

Em relação a criação de personagem, as opções são relativamente simples. A paleta de rostos já vem pronta, é possível trocar cabelo, adicionar barba, maquiagem e tatuagens. A loja de roupas possui uma vasta coleção de itens para a compra com dinheiro do jogo e mostra um pouco de como era se vestir no final dos anos 90.

Além das roupas, é possível escolher seu deck preferido, rodinhas, trucks e até o desenho das lixas, tudo muito bem visível graças à nova resolução do game. Vale ressaltar que todo o equipamento adquirido aqui é puramente estético.

Confisco

Talvez a maior preocupação de todos os fãs em relação ao lançamento do remake de THPS era como a sua trilha sonora seria tratada. Direitos autorais quase sempre são um problema, mas nesse caso, tudo correu bem.

A trilha sonora de THPS 1+2 apresenta praticamente todas as bandas da versão original, além de alguns extras para deixar as coisas mais atuais. Correr ao som de Reel Big Fish, Papa Roach, Rage Against the Machine, The Ataris, Goldfinger, Lagwagon (a lista é grande) e tantos outros faz toda a diferença.

E nós brasileiros ainda conseguimos que a Activision inserisse a música Confisco, dos caras mais “skate” que a música brasileira já teve a oportunidade de conhecer, Charlie Brown Jr. Infelizmente a música veio censurada, o que não faz o menor sentido. Ainda sim, uma vitória.

Crie sua própria pista

A parte que deverá agregar muito valor ao game através da sua própria comunidade é o criador de pistas. Se gosta e sabe criar ambientes propícios à prática do skate, sua vida ficará muito mais divertida daqui por diante.

A quantidade de peças para criação disponíveis de cara é bem absurda, e pode ser expandida com alguns itens estéticos comprados na loja do jogo. As ferramentas de criação são bem didáticas e fáceis de serem utilizadas. A complexidade da criação de pistas fica por conta da própria criação em si. Como eu disse, se essa é a sua vocação, vai fundo.

Tony Hawk Pro Skater 1+2 não é apenas o retorno de um clássico, mas a chance de uma nova geração de jogadores experimentar um dos precursores do gênero em toda a sua glória. Fica aí a dúvida se o seu sucesso influenciará os próximos lançamentos do gênero. Esperamos que sim.