The Old Guard | Crítica

Novo longa de ação da Netflix aborda a imortalidade, mas depende de Charlize Theron para sobreviver

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
The Old Guard | Crítica

Charlize Theron já se tornou um nome recorrente em filmes de ação. A atriz interpretou a memorável Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria (2015), viveu a vilã de Velozes e Furiosos 8 (2017) e estrelou o ótimo Atômica (2017). Com longas que funcionaram tão bem dentro do gênero, a expectativa para o seu mais novo trabalho, The Old Guard, estava à altura do que ela vinha apresentando em sua carreira. Mas, se Theron foi colecionando sucessos até então, a produção da Netflix tem grandes chances de decepcionar ou de passar despercebida pelos fãs.

Dirigido por Gina Prince-Bythewood, o longa é baseado na HQ homônima escrita em 2017 por Greg Rucka e Leandro Fernandez. A história acompanha um grupo de imortais, com poderes de recuperação que se assemelham aos de Wolverine, que tenta salvar a humanidade de diferentes perigos.

O time é comandado por Andy (Theron), uma personagem badass que se encaixa em todos os clichês possíveis: jaqueta jeans, poucas palavras, óculos escuros Ray-Ban pretos e parecendo estar sempre brava. Os seus companheiros de “imortalidade” são Booker (Matthias Schoenaerts), Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli); e por mais que o roteiro até tente dar camadas para cada um deles, como o fato de Nicky e Joe serem “almas gêmeas”, os personagens são genéricos e não se sobressaem. É difícil até mesmo citar uma característica própria de cada um.

O grupo é descoberto por Copley (Chiwetel Ejiofor), um agente da CIA que ajuda Merrick (Harry Melling), um grande empresário de uma farmacêutica a capturar o time para poder estudá-los. Ao mesmo tempo, Nile (Kiki Layne) uma soldada do exército americano, acaba descobrindo que também está fadada à vida eterna.

O fato de os acontecimentos ocorrerem paralelamente enfraquece o roteiro, pois não dá a devida atenção a nenhuma das narrativas. A produção se perde ao tentar acompanhar a Velha Guarda tentando se esconder daqueles que estão querendo capturá-los, ao mesmo tempo em que precisa mostrar a jovem Nile lidando com a nova descoberta sobre a sua imortalidade.

Assim, Charlize Theron não lidera apenas o time de imortais, mas todo o filme. A sua atuação é certeira para o papel e é ela quem faz as cenas de ação brilharem: durante os trechos de combate, a impressão é a de que a câmera está lá apenas para mostrá-la, nada além dela. As coreografias intensas de luta se destacam. Se em Velozes e Furiosos 8 e em Mad Max: Estrada da Fúria, Theron acrescentava ao elenco e à história, aqui ela é a peça-chave: quando ela não está em cena, a produção perde o ritmo e o espectador o interesse.

Chiwetel Ejiofor, conhecido por grandes filmes como Doze Anos de Escravidão (2013) e Doutor Estranho (2016), é subaproveitado, apresentando um personagem com propósitos fracos e pouco críveis; ele poderia ser um ótimo vilão, ou um bom aliado para a Velha Guarda, mas acaba sendo apenas um meio do roteiro explicar a história, pois é o seu personagem Copler, de maneira verborrágica, que explica detalhes sobre os imortais.

O mesmo acontece com Layne, atriz que ganhou prestígio com Se a Rua Beale Falasse (2018). Em The Old Guard,  a trama não acha o tom certo entre o drama interno que vive Nile, por descobrir que é imortal, e a necessidade de lutar para não ser capturada. Seus questionamentos e discussões travam o desenvolvimento da trama, tornado as suas cenas maçantes e tediosas.

Com a imortalidade como discussão central, o filme mostra bastante o cansaço que seria reviver sempre os mesmos fatos: ver a história se repetir, sem nada mudar. E o longa faz a mesma coisa com espectador, deixando-o cansado ao repetir as mesmas questões o tempo todo.

The Old Guard desperdiça boas atuações e tópicos interessantes. O foco na personagem de Charlize Theron faz sentido, mas, ao ignorar a construção do grupo, deixa todo o resto sem brilho, sem vida — ainda que seja sobre um grupo de imortais.