The Messenger | Review

Jogo obrigatório para quem curte um ótimo retrô - mas é também mais do que isso

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
The Messenger | Review

The Messenger é um daqueles jogos que você vê na listinha do Steam ou na loja virtual do Switch e corre o risco real de passar batido por ele. Um jogo indie, com gráficos que fogem completamente do ultra realismo 4k encontrado na maioria dos “triple A” do mercado. Mas fica aqui aquela dica de amigo: não deixa ele passar batido não.

Para quem gosta de jogos retrô, estamos vivendo uma utopia. Os estúdios estão cada vez mais investindo nesses tais de pixels, contratando artistas talentosos para desenhar seus personagens no estilo clássico dos videogames de outrora. Obras como Dead Cells, Death’s Gambit e Chasm estão entre os lançamentos independentes mais badalados do momento, e não é por acaso.

E o primeiro jogo do Sabotage Studios é, nas palavras de quem entende, praticamente um Ninja Gaiden 4. A comparação não é exagerada, já que grande parte da inspiração nasceu mesmo lá no final dos anos 80. Estamos falando de pixels, crocância e um desafio à altura dos jogos do passado.

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A primeira coisa que reparamos é o tom de humor de quem não se leva completamente a sério. Uma sequência de conversas clichês, pergaminhos e uma missão não muito bem explicada de nosso herói ser obrigado a viajar para os confins do mundo levando um pergaminho misterioso ao seu destino. O mensageiro.

As conversas hilárias e muito bem traduzidas para o português nos fazem querer mais. Conversar com o lojista de um jogo nunca foi tão divertido. Mas o que nos prende a The Messenger é o fato de que é muito raro encontrarmos um jogo tão redondinho e divertido de ser jogado.

Ele não tenta reinventar a roda, mas imagine que esta seja a roda de um supercarro montadinho e pronto para ser acelerado. As mecânicas impecáveis, ritmo afinado, dificuldade que não irrita, animações belíssimas e o texto que sempre vai te surpreender fazem do game da Sabotage único entre tantos.

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Esqueça todo aquele lance de procedural. A principal engenhoca de desenvolvimento dos indies de hoje em dia, que randomiza os cenários fazendo com que todas as partidas sejam “únicas”, não está presente. No seu lugar, temos a boa e clássica ação lateral, com fases baseadas em temas já conhecidos — floresta, catacumbas, cumes de montanhas, neve, lava, etc — e chefes de fase com rotinas que devem ser aprendidas o quanto antes.

Vidas e continues também não são aplicados aqui. A funcionalidade dita “retrógrada” pelo próprio jogo, dá lugar a um pequeno demônio que gruda em você sempre que está prestes a morrer. Ao lhe salvar, ele passa a cobrar a sua dívida, coletando para si o “dinheiro” que você coleta durante a fase para trocar por habilidades especiais (sim, existe até uma árvore de habilidades para evoluir durante a jogatina).

Como o ninja escolhido para a missão, você conta com um arsenal simples. Sua espada, alguns shurikens e um sistema que garante um pulo extra sempre que alguma coisa for cortada no ar, sejam inimigos ou itens de coleta. Essa dinâmica do pulo duplo após um ataque bem sucedido é essencial para a exploração do jogo que virá um pouco depois na jogatina.

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Linearidade, mais ou menos

The Messenger não é um jogo de ação lateral como os que existem por aí. Como todo mundo já deve ter visto nos trailers, o principal chamariz dele é a mecânica que possibilita a troca de gráficos entre 8 e 16-Bit.

Durante as primeiras horas, não existe a troca entre versões. Isto porque se transformar em 16-Bit faz parte da linha narrativa do game, e não queremos estragar a surpresa. Mas tenha em mente que o game se divide em três momentos distintos: o começo tradicional 8-Bit, a evolução para o 16-Bit e, por fim, o adeus a plataforma.

Calma, eu explico: depois de explorarmos o mundo de The Messenger separadamente em duas versões distintas, o jogo se transforma. A partir do momento em que a transição entre mundos se torna obrigatória na exploração de cada uma das fases, o game se transforma num “metroidvania”, ou seja, um mundo de idas e vindas, para que exploremos o máximo do seu conteúdo com as novas habilidades adquiridas até o momento.

É como se existissem dois The Messenger dentro do mesmo jogo. Da ação lateral convencional a exploração desregrada de jogos como Metroid e Castlevania. Quebra-cabeças engenhosos, que exploram muito bem as duas versões do jogo, já que existem caminhos que só podem ser acessados em 16-Bit ou vice-versa.

Novas missões também são inseridas dentro do contexto. Encontrar itens especiais, conversar com mestres do passado, revisitar alguns inimigos, tanto no passado, quanto no “futuro”. Pode não parecer para gente que está jogando, mas dentro do jogo, na transição dos bits, o game avança 500 anos no futuro!

Se eu contar mais, estraga…

O jogo vale cada minuto da sua atenção, por isso dê uma chance a ele. Serve tanto aos saudosistas esperançosos de reviverem suas experiências com os videogames da sua infância, quanto aos jogadores mais novos, que não tiveram a chance de experimentar os primórdios do 4k. Apenas siga em frente, mensageiro!

The Messenger está disponível para PC e Switch.

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