The God of High School – 1ª temporada | Crítica

Apressado, com desenvolvimento confuso, anime desperdiça potencial, mas ainda entrega um bom passatempo

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
The God of High School - 1ª temporada | Crítica

A primeira temporada de The God of High School foca na pancadaria, no bom e velho torneio de artes marciais e no herói bondoso, o ótimo amigo, que se diverte lutando. Ou seja, nos elementos tradicionais do anime shonen. A excelente animação do estúdio MAPPA é um diferencial que chama atenção e o início frenético mantém a curiosidade. Mas o ritmo é também o problema principal do anime.

Como o “mistério” da trama principal é pouco explorado até a primeira metade da temporada, The God of High School se torna um passatempo, 20 minutinhos de diversão solta. E isso é bacana, uma boa distração é bem vinda. Mas não fica claro se foi mesmo proposital: do jeito que a série caminha, apressada, amontoando informações e as jogando de uma vez, parece que houve a necessidade de encaixar o máximo de coisas no menor tempo de tela possível.

Tudo parece espremido, condensado, como se houvesse uma obrigação de fazer caber o máximo de informação possível em 13 episódios. Dessa forma, ao final da temporada, fica a sensação de que uma mitologia rica foi desperdiçada em prol de fórmulas de roteiro, de ganchos óbvios a cada fim de episódio, para que o espectador continue assistindo.

O episódio que encerra é também o que melhor exemplifica o desperdício de potencial da série e como o ritmo afeta nas sensações: a luta principal não tem brilho, apesar de ser o embate mais esperado. É como se ficasse “na frente da trama”, atrapalhando. Naquele momento, o espectador já entendeu que o foco é a ação, mas ele quer saber mais sobre os personagens e a mitologia que sustenta aquilo tudo.

Apesar disso, vale dizer mais uma vez: é uma ótimo passatempo. Destaque positivo para o grande vilão (já que quem seria o grande vilão mesmo quase não é “mostrado”), Jegal Taek, que causa calafrios desde a primeira aparição, e para Jin Taejin, o avô do protagonista Jin Mori, que teve alguns segredos revelados e um passado que parece interessante e interligado à trama principal.

Jegal Taek, o personagem mais interessante da primeira temporada

O epílogo deixou um gosto de quero mais. Contudo, o caminho adiante precisa ser levado mais a sério e cadenciado. Não é que precise ser sisudo, sombrio: dá para levar a sério a própria mitologia, fazer o espectador entender as regras do universo em um ambiente leve, descontraído, mas que emociona. Todos os shonen marcantes são assim, no final. Ou abraçar de vez que é algo sem pretensão. Quando a proposta fica em cima do muro surge um problema.

Ainda assim, vale conferir — mesmo que seja pela promessa do que está por vir.

Ah, e como brasileiro, não dá pra deixar de falar do lutador de Jiu-jitsu, mas que na verdade luta capoeira, né?

The God of High School está disponível na Chrunchyroll.