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Testamos The Last of Us Part II e poupamos todos os cachorros

Jogamos quase três horas do novo título da Naughty Dog e conversamos com Neil Druckmann, diretor do jogo

The Last of Us Part II é certamente um dos jogos mais aguardados dos últimos anos. O primeiro game deixou uma marca mais profunda que uma mordida de estalador e, quando a continuação foi anunciada, todo mundo quis saber o que aconteceu com Joel e Ellie durante os anos que se passaram.

Pudemos testar em primeira mão, por quase 3 horas, o que a Naughty Dog preparou para esse novo título durante um evento fechado para a imprensa, em Los Angeles.

A demonstração foi dividida em duas partes. Na parte da Patrulha, Ellie e Dina precisavam fazer uma ronda durante o inverno e lidar com ameaças menores. Na segunda parte, chamada de Subúrbio, a protagonista deveria enfrentar sozinha grupos enormes de humanos e de cães treinados.

O jogo permite escolher a abordagem que sua consciência mandar. Se quiser matar tudo que se move, fique à vontade. Se preferir adotar o método de furtividade, fique atento pois as mecânicas mudaram e algumas táticas do jogo anterior não funcionam mais.

Por exemplo, uma das maiores mudanças é que Ellie não pode mais ficar parada esperando o melhor momento para se mover. Os cães farejam o cheiro dela e é preciso continuar andando para despistá-los, caso contrário, eles alertam sobre a presença dela para outros inimigos e atacam brutalmente.

Você pode optar por um caminho que não envolva matar os cachorros

Se você se recusa a machucar bichos mesmo em videogames, pode respirar aliviado: eu terminei a demo sem encostar em nenhum dos cachorrinhos fofinhos que estavam prontos para arrancar a minha cara e devorar as minhas tripas. Caso prefira, você pode até inventar uma espécie de “modo John Wick” no qual você mata os humanos que entrarem no seu caminho, mas poupa todos os cachorros.

Conversando com outros jornalistas, descobri que os cães choram quando seus treinadores morrem e soltam ganidos de dor quando são atacados. Durante uma entrevista com Neil Druckmann, diretor de The Last of Us Part II, perguntei sobre a ideia por trás disso e ele explicou que todos esses detalhes foram intencionais para mostrar quão longe Ellie está disposta a chegar em sua jornada de vingança e ódio:

Mecanicamente, isso funcionou muito bem, pois você tem que continuar se movendo já que deixa um rastro. Você não pode simplesmente se esconder em um lugar por muito tempo, pois um cachorro eventualmente vai sentir o seu cheiro. Então ficou muito interessante no sentido de mudar a organização de maneiras novas, mas também ficou interessante em um nível emocional, pois, de alguma maneira, matar cachorros parece pior do que matar humanos. Quando um cão solta um ganido, existe uma resposta emocional a isso e nós tivemos uma longa conversa na equipe sobre quão longe nós iríamos. Devemos tirar o ganido? Devemos deixá-lo mais rápido? E nós sentimos que não. Muito da história é sobre quão longe a Ellie está disposta a ir e, portanto, você, como jogador, deve ser forçado a fazer escolhas desconfortáveis.

Até onde a demo mostrou, os humanos com a AI melhorada e os cães foram as maiores novidades. Entre os infectados, vimos praticamente os mesmos do primeiro jogo: corredores, perseguidores, estaladores e uma versão um pouco mais rápida dos vermes, os shamblers, que soltam um gás venenoso quando estão próximos a você ou quando levam muito dano. Não é possível afirmar com certeza se eles serão os únicos ou se a equipe apenas decidiu guardar segredo em relação a isso.

Ellie como protagonista

Nesses quatro anos que se passaram, Ellie mudou bastante em aparência e também em habilidades. Ela pode ser mais furtiva e se arrastar no chão, uma função muito necessária quando a grama não é alta o suficiente para escondê-la, já que a inteligência artificial está muito mais esperta. Além disso, a jovem também é capaz de derrubar inimigos facilmente em um combate corpo a corpo, mas com algumas diferenças em relação a Joel: ela é muito mais ágil e pode se esquivar de alguns golpes, mas não é tão forte quanto ele.

Além disso, diferente do primeiro título, no qual Ellie só podia usar uma faquinha, um arco e uma pistola, agora ela também pode aproveitar machados e martelos deixados para trás por inimigos e também uma grande variedade de armas de fogo, incluindo escopetas e rifles.

Aliás, a personalização dos equipamentos está especialmente caprichada. A boa e velha bancada de trabalho está de volta e você pode ver Ellie desencaixando cada pedacinho da arma em detalhes, antes de montar a nova versão e finalizar polindo o objeto. As bombas também estão de volta e apresentam novidades, como uma armadilha caseira feita com explosivos e uma ratoeira para colocar no caminho dos inimigos.

Em termos de história, algumas informações sobre o passado de Ellie e também eventos que aconteceram no mundo nesses quatro anos entre o primeiro jogo e a parte 2 são contados através de diálogos e de documentos, objetos e fotos encontrados pelos cenários.

A localização das legendas em português do Brasil está excelente, adaptando as conversas de forma a deixá-las mais naturais, sem pesar muito nas brincadeiras ou mesmo nas gírias. Infelizmente, por não se tratar da versão final do jogo, não foi possível ouvir a dublagem em qualquer idioma que não fosse o original (em inglês).

Riqueza de detalhes

The Last of Us Part II não poupou esforços para deixar tudo visualmente incrível e é possível perceber um esforço especial em relação à luz e como ela reflete nos objetos e nas pessoas, deixando tudo muito mais cheio de vida.

Cada detalhe do jogo parece querer saltar da tela, com as árvores deixando cair neve quando você passa próximo delas, a grama se movimentando de maneira coerente com os passos de Ellie. É tudo exatamente como mostraram no trailer, mas parece ainda mais incrível quando você está no controle.

Tudo isso contribui para a imersão e, nas partes mais tensas e silenciosas, até mesmo os barulhos de passos na sala física em que eu estava acabavam me colocando em um modo de alerta, achando que algum perigo estava se aproximando no jogo.

A segunda parte da demo acabou justamente na cena que encerrou o trailer mais recente. Um momento muito impactante e que foi perfeito para deixar a vontade de continuar jogando nas alturas. Mas, infelizmente, só poderei fazer isso em 2020.


A jornalista viajou a Los Angeles para participar de um evento de The Last of Us Part II fechado para a imprensa, a convite da PlayStation. O jogo será lançado em 21 de fevereiro em 2020 para PS4.

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