Supernatural | Final “será épico”, revela Misha Collins, o Castiel da série

Ator falou sobre a última temporada e contou sobre os momentos favoritos

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Supernatural | Final

Supernatural é uma daquelas série que passou por tudo: desde a greve dos roteiristas de 2007, até a ascensão a um dos maiores fenômenos que a televisão norte-americana já viu.

No ar desde 2005, a produção da CW conta a história dos irmãos Sam e Dean Winchester: ambos têm como o “ramo da família” lutar contra as forças do mal.

Agora, depois de 15 anos, Supernatural chegou à sua temporada final. Encerrar algo tão grande não é fácil, claro. Além de um legado imenso de fãs, a série conseguiu transformar todos os que envolvem a produção, em uma espécie da família na vida real.

Durante o quarto ano da produção, um novo personagem foi introduzido à trama e se tornou um dos mais queridos desde então: o anjo Castiel, que se entrou para essa tão querida “família” e, mesmo sem laços de sangue com os Winchesters, é tido como um irmão de Sam e Dean.

A temporada derradeira estreou no dia 22 de outubro no Brasil, no canal Warner Channel, mas os episódios finais ainda estão sendo gravados. Durante as filmagens do décimo primeiro capítulo, Misha Collins, o ator que vive Castiel, falou por telefone com o Jovem Nerd e outros jornalistas para contar sobre os detalhes do último ano da série.

Como já esperado, Collins acha difícil falar de Supernatural e não mencionar a quantidade de temporadas. É algo que chama a atenção, ainda mais se considerarmos o gênero da série e a base gigantesca de fãs.

“Há uma mistura de coisas que levaram Supernatural a durar tanto tempo: temos um incrível grupo de fãs que criaram uma comunidade em volta da série, que tem uma linda mistura de mitologias, com anjos e demônios, Deus e também essa família que você confia e gosta da dinâmica entre os dois – algo que qualquer um pode se relacionar. Há um detalhe que faz a diferença também: Sam e Dean eram apenas dois meninos quando Supernatural começou e, porque a série está há muito tempo no ar, muitas pessoas assistiram a eles crescerem, o que causa uma sensação especial na audiência. É uma experiência incrível para nós, porque acabamos encontrando fãs com filhos adolescentes e que cresceram assistindo à série.”

Misha Collins, Jared Padalecki e Jensen Ackles em episódio de Supernatural

A base de fãs de Supernatural foi um dos motivos de mantê-la no ar por tanto tempo e, para Collins, uma quantidade tão grande de seguidores fervorosos não é algo comum de se ver.

“Nós criamos laços muito profundos entre os atores da série e os fãs, mais do que outros programas de TV conseguiram. Eu já conversei com pessoas de outras produções e elas sempre querem saber como fazemos isso, este é um dos legados de Supernatural.”

Ao passar dos anos, a série conseguiu ir além dos elementos sobrenaturais, trazendo tramas familiares mais complexas, crossovers e até mesmo mudanças de realidades; fatores que elevaram a produção a outro nível de importância e relevância dentro do gênero, o que, segundo o ator, é resultado de uma junção de diversos componentes.

“Nós fizemos um ótimo trabalho ao trazer coisas inesperadas à série, como quando quebramos a quarta parede, viajamos a outras dimensões e gravamos episódios metalinguísticos.  Tem um episódio que o Sam e o Dean se tornam os atores que vivem os mesmo personagens em um programa de TV chamado Supernatural. Fizemos várias coisas assim, diferentes de tudo o que já tinha acontecido na televisão até então. Teve também o episódio crossover com a animação Scooby-Doo que, até onde eu sei, foi algo inédito. Então, acredito que Supernatural impactou bastante o gênero da fantasia e deu a outros roteiristas e produtores boas ideias.”

Cena do crossover especial de Supernatural com Scooby-Doo

Misha Collins está em Supernatural há 11 anos e, mesmo trabalhando muitas horas seguidas, entende todo o processo como um aprendizado para sua carreira.

“Aprendi a não reclamar tanto, mesmo trabalhando 14 horas seguidas, porque quando você faz isso ao lado de mais cem pessoas de toda a produção que não estão reclamando e dão o seu melhor, você também quer fazer a sua parte.”

O personagem Castiel levou o ator a ser conhecido mundialmente e, para ele, o fato do “personagem ter mudado muito e proporcionado diversas versões” fez o anjo ser um divisor de águas na vida de Collins, pois ele teve a oportunidade de viver fases diferentes.

“Eu acho que a melhor parte de viver o Castiel é que, com o passar dos anos, o personagem mudou muito, então eu pude viver versões diferentes dele com ao longo do tempo: Castiel, o anjo guerreiro – a primeira versão a aparecer na série –, o que ficou louco e tentou falar com gatos, o que foi possuído pelo Lucifer, o que perdeu as memórias… Também fiz o receptáculo e a versão de Castiel em diferentes universos. Foram várias versões, com diversas interações e, como ator, é muito legal poder fazer coisas diferentes.”

Cena do episódio “The Rupture”, da décima quinta temporada de Supernatural

Pensar que o personagem de Misha Collins tenha aparecido apenas durante a quarta temporada chega a ser engraçado, afinal, Castiel se encaixou organicamente na trama e, com o passar dos anos, foi se tornando cada vez mais uma parte extremamente importante para a continuidade de Supernatural e também na relação dos irmãos Winchester. Seu primeiro momento na série, portanto, se tornou um dos favoritos do ator. “Foi épico”, revelou.

Para um fechamento perfeito para seu personagem, o ator gostaria de que Castiel fizesse ainda mais diferença tanto para a dupla principal, como para o desfecho de toda a trama.

“Eu amaria ver Castiel sentir que realmente faz parte da família de Sam e Dean e perceber que os irmãos se importam com ele. É claro, ele faz parte, de um jeito ou de outro, mas ele não é da Terra e eu gostaria que Castiel se sentisse assim. Outra coisa que eu adoraria ver seria ele fazer um sacrifício heroico ao final e, assim, salvar o mundo, algo grande.”

A décima quinta temporada trouxe o maior inimigo já enfrentado na série pois, dessa vez, o Criador se revoltou e pretende acabar com o mundo. Depois de enfrentarem anjos, demônios, wendigos, leviatãs e muitos outros, agora os personagens lutarão contra Deus.

Collins revelou não saber direito ainda como Supernatural terminará, mas garante que será de maneira satisfatória e, ao mesmo tempo, épica e de partir corações.

“A última temporada será épica, nós enfrentaremos o grande mal da temporada, que é Deus em si. Começamos este ano com Deus dizendo que vai destruir o mundo. Então, literalmente, salvaremos o mundo nesta temporada, não tem como ficar maior do que isso. E tem essa coisa em Supernatural de que ninguém nunca está realmente morto: você sempre voltará a vida por causa de uma força sobrenatural. Mas, a última temporada não terá mais isso e não trará nada de volta à vida. Eu ainda não sei direito como a série terminará, mas sei que será de maneira satisfatória e de cortar o coração. Será épico.”

Castiel junto com Dean: Collins gostaria que o personagem se sentisse como um irmão de verdade para os Winchester

Depois de tantos anos se dedicando ao papel, seria impossível fazer da despedida fácil, ao mesmo tempo que, para Misha Collins, era necessário terminar Supernatural enquanto a produção ainda se mantém com bons número de audiência e querida pelo público. “É um sentimento agridoce”, explicou.

“Eu me senti conflitado quando soube que a série terminaria, vamos todos sentir falta. Temos um grande elenco e uma ótima produção que amam trabalhar juntos e amam fazer tudo isso acontecer. Não saberemos como replicar isso depois. Mas, como ator, eu sinto que todos sabemos que é hora de seguir com nossas vidas. Estamos empolgados para ver o que vem por ai. É um sentimento agridoce, sabe? Se tivesse terminado porque ninguém mais assiste à série, seria triste. Mas, chegamos ao final depois de conversamos com todo mundo e concluir que era melhor apenas mais uma, ao invés de adicionar mais três aleatórias.”

O ator segue trabalhando no desfecho do programa que o acompanhou por um bom tempo de sua carreira. E, mesmo já inserido no mundo de coisas sobrenaturais e terror, Collins revelou ainda se assustar com alguns acontecimentos.

“Quando entrei na produção, assisti a todas as temporadas para poder entender melhor e, assim, assistia a dois ou três episódios por dia, antes de dormir. Quando fazia isso, sempre tinha pesadelos. Eu não gosto de coisas de terror e acho Supernatural bem assustador para mim.”

Assim como Misha Collins, seu filho de nove anos, West, também se assusta facilmente, e ficou espantado durante uma das gravações que foi acompanhar o pai.

“Eu trouxe o meu filho para o trabalho em um dia de gravação e ele, assim como eu, se assusta muito fácil. Nós precisamos refazer uma cena, e regravei um momento em que Castiel aparece esfaqueando um cara com uma Angel Blade [faca de anjo]. West ficou meio traumatizado de ver o pai assassinando alguém assim de perto [risos].”

Castiel usando a Angel Blade para matar alguém em Supernatural e assustar o filho de Misha Collins, West, de nove anos

O final de Supernatural talvez tenha realmente chegado em uma boa hora, mesmo que para muitos fãs a série já tenha saturado. Claro, há a possibilidade de um spin-off, principalmente quando se trata de um programa que, assim como disse Collins, sempre traz alguém de volta da morte, mas nada foi divulgado por enquanto.

O que nos resta agora é esperar que o final de Supernatural consiga atingir o mesmo nível da série que manteve sua audiência e fãs por tantos anos e criou laços entre todos os que fizeram parte dela. Desde o Impala 67, até a famosa música “Carry On My Wayward Son”, do Kansas, a produção deixa um legado que será difícil superar.