Super Mario Odyssey | Review

Uma homenagem à história do bigodudo e um de seus melhores jogos!

Jefferson Sato Publicado por Jefferson Sato
Super Mario Odyssey | Review

Já faz dez anos desde que vimos uma aventura realmente nova e ousada do bigodudo da Nintendo em Super Mario Galaxy. Desde então, os jogos do personagem foram spin-offs que reaproveitavam ideias e mecânicas. Foi realmente muito tempo aguardando, mas toda esta espera acabou valendo a pena.

Isso porque Super Mario Odyssey é o jogo mais diferente de toda a franquia, mas ao mesmo tempo consegue ser extremamente familiar para qualquer fã. É este equilíbrio entre o clássico e o novo que faz deste título uma verdadeira obra-prima.

Não, vou ficar em casa e jogar Super Mario Odyssey!

Viagem pelo mundo

Como o próprio nome indica, este é um game sobre viagens, exploração, aventuras e conhecer novas culturas. Tudo começa quando Bowser decide que quer se casar com Peach e, depois de raptá-la (que surpresa), o vilão começa uma jornada pelo mundo para conseguir itens especiais de cada região, seja um buquê, um vestido ou um bolo.

Um destes “artefatos” é Tiara, irmã de Cappy, ambos habitantes de Cap Kingdom, o primeiro reino que visitamos no jogo. Como ele e Mario têm objetivos similares, eles decidem se juntar, começando sua odisseia pelo mundo para perseguir o vilão.

São vários reinos para visitar e cada um deles é único, com cenários, habitantes e temáticas completamente diferentes uns dos outros. Todos são lúdicos, mas alguns são referências a locais do mundo real, como o Sand Kingdom, cheio de elementos que lembram a região do México, e o Metro Kingdom, com New Donk City sendo uma óbvia brincadeira com Nova York.

Cada um dos reinos de Odyssey funcionam como pequenos mundos abertos. Na primeira visita costumam ser apresentados em segmentos menores, mas eventualmente são completamente desbloqueados, permitindo que o jogador explore como quiser.

Aliás, haja coisa para encontrar! Em cada reino precisamos explorar, resolver quebra-cabeças e completar desafios para encontrar as Power Moons, que substituem as Estrelas dos games anteriores, permitindo que a nave de Mario acesse novos lugares.

Outros colecionáveis são as moedas locais exclusivas, usadas para comprar roupas e outros itens únicos de um determinado lugar. Existe um número limitado delas distribuídos em cada reino, então encontrar todas pode ser um grande desafio.

Por fim também existem as moedas tradicionais da franquia, sendo que estas podem ser obtidas infinitamente. Desta vez elas também servem para comprar as VÁRIAS roupas disponíveis, além de outros itens, incluindo Power Moons.

Claro, como em qualquer aventura do Mario, o verdadeiro desafio começa depois de concluir a campanha, quando abrimos novos locais para explorar e colecionáveis para pegar, então certamente há muito o que para fazer. No momento de publicação deste review peguei mais de 300 Power Moons e acho que não estou nem na metade para descobrir todas.

Apesar da quantia absurda colecionáveis para encontrar, explorar os mundos é um prazer graças ao design das fases e à apresentação detalhada e impressionante de cada reino. Desde a trilha sonora que conta com melodias bem distintas entre si até alguns efeitos sonoros que mudam de acordo com o lugar que você está.

Falando em músicas, Odyssey apresenta pela primeira vez uma música cantada na franquia, “Jump Up, Super Star!”, cantada por Pauline (Kate Davis). Ela, que agora prefeita de New Donk City, também empresta sua voz para outra canção, sendo que as duas protagonizam alguns dos melhores e mais emocionantes momentos de toda a história de Mario.

Aliás, a Pauline não é a única referência ao passado do bigodudo. Há diversos outros elementos sobre Donkey Kong e aventuras antigas de Mario que mexerão com as emoções dos fãs, desde referências escondidas pelo cenário e itens especiais até os trechos em que o protagonista muda para 2D, simulando a jogabilidade e o visual do Super Mario Bros. original.

Curiosidade 1: o refrão de “Jump Up, Super Star!” usa a mesma melodia de Donkey Kong, de 1981, que introduziu Mario e Pauline.

Curiosidade 2 (SPOILERS): Em determinado momento da campanha, Pauline faz uma apresentação musical e quando canta o trecho: “Odyssey, ya see”, ela faz poses muito parecidas com as que fazia em seu jogo original!

Você conhece o Mario?

Todos os jogos principais de Mario consistem em aproveitar os elementos básicos do personagem e adicionar uma nova mecânica que mude a forma de jogar, mantendo a obra geral familiar. Odyssey não é diferente: desta vez ele conta com a ajuda de Cappy, que toma a forma de seu tradicional chapéu e traz consigo diversos poderes novos.

Além de seus variados pulos, que os fãs vão reconhecer de outros títulos, agora Mario pode jogar Cappy de diferentes formas para atacar inimigos ou para tomar o controle de seus corpos. Com isso conseguimos acesso a muitas habilidades novas para explorar os reinos, enfrentar inimigos e solucionar quebra-cabeças.

O Chain Chomp é um dos mais legais de usar

Sem contar que Cappy também pode se manter em um local fixo por um curto período para ser usado como plataforma e ser atacado para dominar objetos mundanos, além de dar acesso a novas opções de movimentação, se você for habilidoso o bastante para dominar a grande variedade de comandos.

É aí que começa o que considerei o único problema sério do título: alguns comandos são feitos exclusivamente com o sensor de movimentos, seja levantando os controles para cima ou simplesmente os chacoalhando para fazer Cappy perseguir o alvo mais próximo. Funciona tranquilamente caso esteja em uma TV, mas é um incômodo se quiser jogar no modo portátil, já que impede que você veja o que está acontecendo na tela.

Basicamente o jogo ignorou a principal característica do Switch, que é sua portabilidade. E a verdade é que não há motivos para isso, já que todos os comandos de movimento poderiam ser tranquilamente atrelados aos botões. Essa foi uma péssima escolha da Nintendo.

Apesar disso, este problema não é o bastante para ofuscar todos os pontos positivos do título, que também conta com um modo cooperativo com um amigo a qualquer momento. Aqui, o segundo jogador controla Cappy, que pode ser movimentado livremente para realizar tarefas independente do que Mario estiver fazendo, mas dentro de uma área limitada.

E se a ajuda de um amigo não é bastante, não tema. A Nintendo compreende que todo mundo merece se divertir, então também adicionou o Assist Mode, que pode ser ativado ou desligado a qualquer comento. Com ele, setas indicam o caminho para o objetivo principal e, caso caia em um buraco mortal, Mario é levado de volta para terra firme, evitando frustrações. Perfeito para quem ainda está se acostumando com os controles ou mapas, por exemplo.

Outro auxílio com o qual podemos contar são os Amiibos. Até três bonequinhos podem ser usados simultaneamente a cada cinco minutos para desbloquear posições de Power Moons no mapa. Mas calma, porque isso não deixa as coisas tão mais fáceis: você ainda precisa descobrir como encontrá-las e obtê-las.

Apesar disso tudo, vale notar que Super Mario Odyssey é bastante simples e fácil durante sua campanha principal, mostrando seus verdadeiros desafios só quando o jogador decide colecionar tudo. Mesmo assim, ainda não encontrei nenhum trecho excepcionalmente frustrante.

Aventura inesquecível

Como dito anteriormente, Odyssey é uma mistura de elementos clássicos com ideias inovadoras, fazendo desta experiência algo fresco e empolgante, ao mesmo tempo que se mantém familiar. Tudo isso resulta em uma aventura emocionante para os fãs e acessível para quem é novo.

No fim o que temos é uma obra digna do personagem mais conhecido da indústria dos videogames, um dos jogos mais incríveis de 2017 até o momento e certamente um dos melhores títulos de toda a história do bigodudo.

Super Mario Odyssey está disponível exclusivamente para Nintendo Switch.